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Filme No Coração do Mar é espetáculo sensorial, mas elenco não ajuda

 
Por meio de uma combinação entre tecnologia, arte e ecologia, a superprodução No coração do mar é uma demonstração de como o cinema industrial contemporâneo comporta-se diante do desafio de reconstituir os acontecimentos reais que inspiraram a história fictícia narrada no século 19 pelo livro Moby Dick, de Herman Melville. Com direção de Ron Howard (Apollo 13, Cocoon, O código Da Vinci), o filme é mais interessante pelos recursos sonoros e visuais do que pela profundidade dramática. Os efeitos especiais realçam a grandiosidade da natureza e reforçam a brutalidade da caça às baleias (atividade hoje considerada injustificável por organizações ambientais, apesar da insistência de países como o Japão), mas o elenco não potencializa o conteúdo humano ali presente.

Pode-se afirmar que No coração do mar é o contrário de Moby Dick (1956), de John Huston, que tinha Gregory Peck no papel do capitão Ahab. No clássico, até pelas limitações técnicas da época, a ação é praticamente toda concentrada nos homens e embarcações, enquanto a baleia é retratada sempre do ponto de vista de quem está na superfície da água. Ao explorar bastante as imagens aéreas e submarinas, o novo filme usa a tecnologia a favor de uma melhor visualização (e audição) da imponência dos gigantes mamíferos aquáticos, que provocam ao mesmo tempo medo e fascínio.

No coração do mar segue a tendência atual de narrar uma aventura inacreditável com realismo e verossimilhança plausíveis. Ahab, que é um personagem da ficção, não aparece, mas o próprio Herman Melville é interpretado por Ben Whishaw (o agente Q dos últimos filmes de James Bond). O escritor faz uma entrevista, que servirá de inspiração para o livro, com um marinheiro que esteve entre os sobreviventes da tripulação de um navio baleeiro naufragado em circunstâncias misteriosas.

O filme faz uma tradução audiovisual do relato (já transformado em livro), com Chris Hemsworth (Thor) no papel do marujo que liderou a embarcação. Como na maioria dos filmes sobre monstros, as criaturas aparecem pouco, mas de forma suficientemente impactante. Há uma ênfase maior na questão da sobrevivência, já que os navegadores passam da condição de caçadores à de vítimas de uma vingança da natureza contra o homem. O emagrecimento e a maquiagem dos atores, entretanto, fazem mais efeito do que as atuações. As sensações físicas sobressaem-se em comparação com as emoções.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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