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Imperatriz enfrenta rejeição a Zezé e Luciano

Romulo Tesi | entretenimento@band.com.br

Quando a Imperatriz Leopoldinense anunciou o enredo para 2016, o mundo do samba estranhou. Muitos criticaram. Outros chegaram a prever um péssimo resultado na Quarta-Feira de Cinzas ou que a escola havia traído as tradições do Carnaval carioca. Mas poucos, a não ser os envolvidos, se aventuraram a defender a homenagem à dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano.

“Aquele primeiro momento foi de rejeição”, relembra o diretor de Carnaval da agremiação, Wagner Araújo, em entrevista ao Portal da Band (veja abaixo o papo completo).

Segundo o dirigente, foi preciso muito trabalho, além do bom samba (apontado como um dos melhores da safra), para vencer a resistência.

Há menos de dois meses do Carnaval, a Imperatriz, quinta escola a desfilar na Segunda-Feira da folia, os gresilenses ainda decidem como a dupla vai para a avenida. É possível que os cantores participem do esquenta, repetindo na Sapucaí o que fizeram na gravação do CD. Tudo, diz Araújo, depende de organização. Porque é festa e homenagem, mas também vale título. Algo que Ramos não vê desde 2001. Muito para quem já foi campeã oito vezes.

Leia a entrevista na íntegra:

O enredo sobre uma dupla sertaneja não foi bem recebido pelo mundo do samba…
(Interrompe) Na verdade houve uma rejeição.

Por que?
O Rio é uma cidade de praia, badalada, capital do samba, não aceita muito outros ritmos musicais. Primeiro tem que passar por um teste. Houve uma reação de pessoas impacientes, muita torcida, muito negativismo de pessoas que não sabiam como seria nosso carnaval. Aquele primeiro momento foi de rejeição.

E como vocês resolveram ou estão tentando vencer isso?
Com calma, acredito que a gente tenha revertido. Com cada passo: a sinopse, a disputa de sambas, a escolha do samba. Viram que tínhamos grandes sambas, e o escolhido é considerado o melhor do Carnaval. Tudo isso ajudou. Depois teve o desfile dos protótipos. Tudo foi quebrou essa resistência e hoje estão todos ansiosos pelo desfile.

A filme “Dois filhos de Francisco”, que mostra toda fase antes do sucesso da dupla e tem o pai dos cantores como estrela, é a base do enredo?
A abertura da escola é a terra, o sertão, é a vida dura de quem planta para comer. A simplicidade, a humildade das pessoas do campo, a pobreza, mostrando esse lado do Brasil, mostrando a cidade deles, Pirenópolis (em Goiás). Aí vem a participação do pai, a busca pelo sucesso e por fim a grande carreira que eles fizeram.

A dupla participou da gravação do samba. Alguma chance de cantarem na avenida, pelo menos no esquenta?
Isso ainda é uma dúvida, por causa da possível aglomeração de pessoas em volta do carro de som no início do desfile. Se eles participarem do esquema, a mídia vai estar toda aglomerada ali e não temos muito tempo. Logo depois temos que entrar com o samba. Minha preocupação é que haja confusão. A Lucy (Alves, cantora e sanfoneira que ficou famosa no programa “The Voice”) também pode ir no carro.

(Lucy foi convidada pelo compositor Zé Katimba para defender o samba durante a disputa e também gravou uma passada no CD.)

Ela vai ajudar a puxar o samba?
Ela marcou muito na gravação, na divulgação… Acho interessante mostrar na avenida o mais próximo possível do que saiu no CD.

Com sanfona? O regulamento permite?
Sim, com a sanfona. O que não pode levar para a avenida é instrumento de sopro.

Mesmo que a dupla não participe do esquenta, esse desfile deve atrair muitos famosos e mídia. Preocupa se isso pode atrapalhar o desfile?
A gente tem que criar uma logística. O problema maior não é do nosso lado, é pelos convidados. Artista é complicado… Por causa de agenda, por exemplo. A partir do momento que a gente tem a certeza que o artista vai desfilar, damos um jeito de organizar.

A dupla ajudou a desenvolver o enredo ou na criação de fantasias?
Por uma questão de ética, tudo que foi feito no papel foi mostrado a eles. E em nenhum momento mudaram um traço sequer de fantasia ou alegoria. Também não pediram nenhuma mudança no samba, concordaram com tudo.

Eles deram opinião na escolha do samba?
Não participaram. Estiveram na quadra, mas não opinaram. Pediram desculpas, mas não alegaram que não tinham como dar palpite numa seara que eles não conhecem muito.

A crise afetou muito a Imperatriz?
A crise da escola é sempre o mesmo: tempo.

Não faltou dinheiro?
Dinheiro é o mesmo, está chegando. Sempre chega atrasado, mas chega. A única parceira que antecipa bem é a televisão, que a partir de junho começa a pagar as parcelas. Os outros recursos, como os de ingresso, demoram a chegar na data que facilitaria tudo. (A prefeitura do Rio dobrou o repasse para R$ 2 milhões, valor que foi depositado esta semana) É um momento de criatividade para todo mundo. Tem que ser criativo. É quando se separam os meninos dos homens. Hora de colocar a cabeça para funcionar e negociar os pagamentos.

A dupla ajudou a pagar o desfile?
Isso é com a presidência. Peço desculpas, mas prefiro não falar.

Em quanto está orçado o Carnaval da Imperatriz de 2016?
Sempre orçamos pelo o que entrou no ano anterior. A prefeitura dobrou, mas a Petrobras pode não participar. Vai ficar tudo em R$ 6,5 milhões. Se a Petrobras entrar, esse valor aumenta em uns R$ 900 mil.

Então ainda pode entrar dinheiro da Petrobras? (Por causa da Operação Lava Jato, o patrocínio da estatal não foi confirmado. Em 2015, o pagamento atrasou)
Pode, é uma negociação. Como é recurso de (imposto de) ICMS (por incentivo fiscal), não há prejuízo para a empresa. Em 2015 demorou, mas chegou. Não teria, mas veio.

Fonte: Band.com.br

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