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Licio Gelli, o temido líder da Loja Maçônica P2, morre na Itália

Croqui de uma audiência de Gelli na cidade francesa de Aix-en-Provence. Foto: AFP DAVID WASSERMAN
Croqui de uma audiência de Gelli na cidade francesa de Aix-en-Provence. Foto: AFP DAVID WASSERMAN

O “Mestre Venerável” Licio Gelli, uma das figuras mais controversas da história recente da Itália, líder da loja maçônica Propaganda 2 (P2), que teve vínculos com a ditadura militar argentina, morreu ontem, aos 96 anos, em Arezzo (centro da Itália), anunciou a família, hoje.

O célebre “capo” da temida organização maçônica era um anticomunista convicto e viu seu nome envolvido em vários escândalos políticos e financeiros que abalaram a Itália nos anos 80 e 90.

Amigo dos argentinos Juan Domingo Perón e José López Rega, esteve vinculado com a ditadura militar argentina (1976-1983), país do qual chegou a obter cidadania e representou como diplomata na Itália.

Em 1981, graças às investigações dos juízes de Milão sobre a milionária quebra do banco Ambrosiano, os italianos descobriram a lista com os 962 nomes pertencentes à P2, uma influente rede de políticos, juízes, empresários, jornalistas, agentes dos serviços secretos e militares que o “Mestre Venerável” liderava.

Entre os empresários estava um ainda desconhecido Silvio Berlusconi, que anos mais tarde se tornou o homem mais rico do país e primeiro-ministro.

Também apareciam quase 20 argentinos, entre eles o almirante Emilio Massera e o general Carlos Suárez Mason, integrantes da junta militar que governou o país.

Graças à investigação dos juízes, que durou 13 anos, a loja P2 foi proibida em 1981.

O nome de Gelli apareceu em quase todos os escândalos dos últimos 30 anos, desde a quebra do maior banco da Itália da época, o Banco Ambrosiano, cujo presidente, Roberto Calvi, foi encontrado enforcado sob uma ponte de Londres em 1982, passando por Tangentópolis (subornos das empresas) e a existência de uma estrutura paramilitar secreta de nome Gladio com o objetivo de impedir que os comunistas italianos chegassem ao poder.

O poderoso líder da P2 foi condenado por apropriar-se de segredos de Estado, caluniar magistrados e tentar desviar as investigações do atentado contra a estação de Bolonha em 1980.

O ex-líder da loja mais exclusiva da maçonaria italiana conseguiu fugir de uma prisão suíça em agosto de 1983, buscou refúgio na América do Sul, onde sempre gozou de amizades influentes, e se entregou à justiça na Suíça em 1987.

Nascido em 21 de abril de 1919 em Pistoia, Toscana, Licio Gelli militou durante a juventude no fascismo e foi voluntário na Espanha para lutar ao lado do general Francisco Franco. Em seu retorno, foi recebido na Itália pelo ditador Benito Mussolini.

Na véspera da queda do fascismo, Gelli, que começava a dominar a arte da manipulação e da chantagem, usou os ‘partisanos’ italianos da Toscana para obter a benevolência das autoridades locais comunistas. Depois da guerra, no entanto, retornou a sua origem com o Movimento Social Italiano (MSI, neofascista).

Segundo a imprensa italiana também foi agente do serviço secreto dos Estados Unidos, a CIA, nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial. Entrou para a maçonaria na década de 1960, criou a loja P2 em 1970, conseguindo infiltrar gradualmente todas as instituições do Estado e as altas esferas da sociedade.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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