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Mulheres votam pela primeira vez, em histórica eleição na Arábia Saudita

Mulheres sauditas iam neste sábado a centros de votação em todo o reino, tendo pela primeira vez a oportunidade de votar e se apresentar como candidatas, em um evento histórico para o país. Mais de 5 mil homens e 980 mulheres se apresentaram como candidatos para os conselhos municipais, enquanto mais de 130 mil mulheres se registraram para votar, ante 1,35 milhão de homens.

As eleições, nas quais não há cotas para candidatas, são consideradas uma pequena mas significativa abertura para que as mulheres tenham um papel mais igualitário na sociedade saudita. Não se espera que muitas consigam vencer, diante do grande número de candidatos do sexo masculino e da falta de experiência delas nas campanhas eleitorais. Além disso, muitas mulheres disseram que não puderam se permitir uma campanha cara.

“Não considero que ganhar seja o objetivo definitivo”, disse Hatoon Al-Fassi, coordenadora geral do grupo Saudi Baladi Initiative, que trabalhou com as mulheres para aumentar a conscientização delas sobre o voto e aumentar a participação feminina no pleito. “No que me concentro é no direito a ser uma cidadã e considero que esse é um ponto de inflexão”, afirmou. “Vemos como uma oportunidade de exercer nosso direito e pedir mais.”

As mulheres enfrentam a crença na sociedade saudita de que o sexo feminino não pertence à vida pública. Abdullah Al-Maiteb chegou na manhã de sábado para votar em Riad e refletiu a opinião generalizada sobre a presença das mulheres nas listas eleitorais. “O papel delas não está nesses lugares. O papel delas está comandando a casa e criando a próxima geração”, disse ele. “Se permitirmos que elas saiam de casa para fazer essas coisas, quem vai cuidar dos meus filhos?”.

Os conselhos municipais são o único órgão do governo no qual os cidadãos sauditas podem eleger seus representantes. É a terceira ocasião nas últimas décadas que os homens sauditas podem votar.

Em cumprimento às normas de segregação por gênero da Arábia Saudita, homens e mulheres votam em seções eleitorais distintas. Além disso, as candidatas não podem se dirigir diretamente aos eleitores homens e tiveram que fazer sua campanha ou atrás de um biombo, com a ajuda de projetores ou microfones, ou através de parentes e partidários homens que expuseram seus projetos.

Todos os candidatos usaram muito as redes sociais para chegar aos eleitores. Entre as propostas comuns estão a criação de centros juvenis, berçários, parques e a melhora das estradas do país.

Os candidatos lutam por cerca de 2.100 vagas nos conselhos municipais. Eles se unirão aos 1.050 nomeados com a aprovação do rei saudita.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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