No apagar das luzes: Geraldo Maia, Renata Rosa e Fred Andrade entre últimos discos do ano

Geraldo Maia acaba de lançar o 11º álbum da carreira. Foto: Teresa Maia/DP
Geraldo Maia acaba de lançar o 11º álbum da carreira. Foto: Teresa Maia/DP

Duas semanas separam a safra de discos lançados em 2015 da prevista para o próximo ano – quando Isadora Melo, Otto e Aninha Martins, entre outros pernambucanos, depositam novidades nas prateleiras. No apagar das luzes da temporada, arranjos instrumentais e tributo às raízes chegam ao mercado como elementos protagonistas de novos álbuns. Somente na semana passada, três discos ganharam evento de lançamento no Recife: Avia, de Geraldo Maia, Rosil do Brasil (Universal, R$ 26,90) de Chico Salles, e Sacrifício pela fé, de Fred Andrade. Porcelana (Independente, R$ 29,90), álbum acalentado desde o primeiro semestre por Gonzaga Leal e Alaíde Costa, e o disco de estreia de Renata Rosa, Encantações (Independente, R$ 20), também ganharam formato físico.

Renata Rosa mistura etnias em Encantações. Foto: Michele Souza/Divulgação
Renata Rosa mistura etnias em Encantações. Foto: Michele Souza/Divulgação

Para começar, os arranjos do guitarrista Fred Andrade, reconstroem passagens da vida de Lampião e cenários do interior pernambucano. Casa vazia, Batismo de sangue e Pra lá de eterno denunciam o caráter regionalista de Sacrifício pela fé, lançado na última quarta-feira (16). Remetem à cultura nordestina de raiz, como o sotaque e os arranjos do 11º disco de Geraldo Maia, Avia, lançado na última sexta-feira. Geraldo assume o violão em praticamente todas as faixas, sugerindo atenção especial à sonoridade do disco, mais linear do que em Peso leve, lançado em 2008, e com letras políticas. Em Rosil do Brasil, de Chico Salles, e em Porcelana, de Gonzaga Leal e Alaíde Costa, o tributo a referências locais ganha corpo. O primeiro, homenagem ao centenário do compositor Rosil Cavalcanti, tem participações de Chico César, Silvério Pessoa e Josildo Sá. O segundo, parceria de Gonzaga Leal com Alaíde, expoente da bossa nova, reúne faixas compostas por Alceu Valença e Capiba, referências do folclore pernambucano, além de letras de Consuelo de Paula, Caetano Veloso e Orlando Morais.

Renata Rosa, paulista radicada em Pernambuco, por sua vez, estreia – após 15 anos de estrada – com o disco Encantações, sintetizando propósitos compartilhados pelos outros quatro lançamentos da temporada. Arranjos instrumentais arrojados se misturam ao sotaque e a elementos do cancioneiro popular nordestino. Maracas, percussão, viola, rabeca, trombone, trompete e o coro das índias kariri-xocó se misturam nas sete faixas do disco, que pinça heranças musicais africanas, árabes, portuguesas e indígenas. Amei demais, Cantar ciranda, Imbarabaô e Jurema estão entre os destaques do repertório. 

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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