Número de casos de microcefalia em Alagoas sobe para 73

Municípios buscam forma de combater o mosquito Aedes aegypt

 

A Secretaria Estadual de Saúde (SESAU) confirmou o aumento do número de casos de microcefalia em Alagoas. Além dos três casos já confirmados, o órgão emitiu uma nova nota técnica ue aponta para 64 casos notificados em recém-nascidos e outros seis casos intrauterinos estão sob investigação, além dos três que foram registrados no início do ano. Nesta quinta-feira (03), a secretária Rosangela Wyszomirska esteve reunida com gestores municipais.

O objetivo da reunião é traçar metas de ações no combate ao mosquito Aedes aegypt, responsável pela transmissão da dengue, Febre Chikungunya e o Zika Vírus, apontado pelo Ministério da Saúde como causador da microcefalia. Com os novos casos notificados, Alagoas fica na quinta posição entre os estados com maior número de casos da doença.

O presidente do Conselho de Secterarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems), Ubiratan Pedrosa, e secretário de Saúde de Arapiraca, cobrou do Estado providências para intervir nos municípios que não tenham condições  de arcar  com o combate ao mosquito.

“O estado precisa ter clareza e intervir nos municípios que não estão dando condições. Tirando isso, a responsabilidade é nossa, sou responsável pelos casos de Arapiraca e todos nós aqui temos que ser responsáveis. Tem que buscar baixar os números da dengue em dezembro, já que janeiro ocorrem trovoadas e isso pode trazer sérios problemas. Não podemos esperar ajuda neste momento para começar a agir”, disse.

Segundo dados Ministério da Saúde, Pernambuco registrou até agora 646 casos, Paraíba 248 casos, Sergipe 77 casos, Alagoas 73 casos, Rio Grande do Norte 79 casos, Piauí 36 casos, Ceará 25 casos, Bahia 37, casos, Maranhão 12 casos, Rio de janeiro 13 casos, Tocantins 12 casos, Goiás 02 casos, Mato grosso do sul 01 caos, e Distrito federal 01 caso.

Pedrosa disse ainda que é necessário alertar a população para os riscos das doenças que o mosquito Aedes Aegypt transmite e reforçou a necessidade de maior divulgação da situação enfrentada em Alagoas. “A população precisa saber o que está acontecendo para mudar sua atitude. Que seja por campanha publicitária ou de forma judicial. Não vemos o apoio do Estado, é isso que ouço em conversas com os secretários. Claro que o Estado está fazendo coisas com a limitação que tem, mas é preciso mais”, colocou.

A secretária estadual rebateu afirmando que essa não tem sido a postura da Secretaria de Saúde diante dos casos. “A situação é extremamente grave, não dá para fazer de conta que não está acontecendo nada. Estamos informando e tomando uma posição. Ninguém sabia da situação e não sabia que isso [microcefalia] podia acontecer”, comentou.

“Ficou todo mundo engessado. Não aceito ser responsabilizada. Não é verdade que a Sesau não se mexeu porque ninguém sabia o que iria acontecer. Eu seria irresponsável se em agosto eu saísse por ai fazendo alarde”, completou a secretária se referindo que Pernambuco começou a notificar os casos em agosto.

Intervenção e calamidade pública

Durante a reunião alguns secretários questionaram a possibilidde de se decretar situação de calamidade pública na Saúde e da possibilidade do Exército auxiliar os municípios nas ações para prevenção e combate ao mosquito.

A Secretária de Saúde disse que a disponibilização de equipes do Exército para auxiliar nessas ações é estudada pelo Ministério da Saúde. “O ministro propôs que o Exercito auxiliasse nessa batalha e tudo dependeria de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. Ainda não sabemos o que ficou definido”, afirmou.

Já com relação ao decreto de calamidade pública na saúde, Wyszomirska falou em tom de cobrança aos secretários ao dizer que seria momento de união e de implementação de ações em Alagoas. ” Eu como secretária estou com vocês e no caso da microcefalia a angústia e indignação não é só de vocês. Ela é em primeiro lugar da população. Se for necessário ir á Justiça, nós iremos”, completou.

A promotora de Justiça Micheline Tenório também participou da reunião e reforçou que um decreto de calamidade seria necessário para auxiliar e dar mais rapidez às ações propostas pela secretaria.

“Alagos está cercada de Estados que estão com casos de Zika e microcefalia. O estado precisa disponibilizar mais recursos aos municípios e estes precisam fazer a sua parte. São famílias que terão que cuidar de crianças, crianças que terão restrições e uma série de dificuldades a serem enfrentadas. O Ministério Público está aqui para ajudar”, disse.

 

Por Gilca Cinara e Vanessa Siqueira

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