Opinião: Janelas da crise

Com crise se cresce. Bradada aos quatro ventos há pelo menos 20 anos essa frase e outras tantas de efeito retornam à moda quando passamos por uma crise econômica como a atual. Parece clichê, mas todas têm um centro de verdade: é na escassez que se aposta na reengenharia do negócio.

A inovação enquanto conceito e prática deve ser exercitada nas empresas na busca de processos mais rápidos e simples, no adequado treinamento da equipe e na construção de um ambiente mais criativo, impulsionador do surgimento de novos produtos e serviços.

A crise tende a formar gestores mais preparados para novos sobressaltos. A educação corporativa transversal, que adequa habilidades globais ao tronco das disciplinas de gestão inspiradas no modelo de Harvard, surge como alternativa para a educação linear tradicional.

A reengenharia ou nova arquitetura dos negócios leva em conta organogramas mais horizontalizados, a moderna leitura da gestão por resultados e o incentivo constante à inovação.

Quando os gestores criam esse arcabouço interno nas empresas a partir de uma leitura crítica de cenário, algumas janelas se abrem para novas oportunidades que poderão ser aproveitadas dependendo do quão disposta essa empresa esteja para “surfar na onda”. Novos produtos e serviços se fixam no mercado e na cabeça do consumidor nesse momento.

A valorização das pessoas enquanto centro do processo criativo deve ficar clara não apenas na missão ou visão da empresa, mas na forma de tocar o seu cotidiano, de escutar os envolvidos no projeto, de formatar ambientes e rotinas de trabalho mais acolhedoras e dar condições técnicas e emocionais para que as melhores ideias cheguem até a sua implementação.

Com tantas portas fechadas pela crise, inovar parece ser uma das únicas alternativas para encontrar as janelas de oportunidade para a manutenção do espaço que as empresas têm no mercado ou de seu crescimento.

Algo novo ou pioneiro não é necessariamente inovador. A solução inovadora é a que ao ser posta em prática ganha adesão do público, entrega valor diferenciado e torna-se, através do uso, trivial. A inovação muda paradigmas.

Se canalizarmos nosso tempo para a adequação dessas questões dentro das empresas poderemos gerenciar com mais robustez e propriedade a retomada do crescimento econômico. Os gestores do pós-crise vão reclamar menos e ganhar mais.

João Paulo Gomes
jornalista, consultor de negócios e Coordenador do CEDEPE Business School
opiniao.pe@dabr.com.br

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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