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Pesquisa indica que 69% dos moradores do Recife usam a internet

Resultados comprovam que a rede já chega a todas as camadas da sociedade. Foto: Ricardo Fernandes/ DP/ D.A.Press
Resultados comprovam que a rede já chega a todas as camadas da sociedade. Foto: Ricardo Fernandes/ DP/ D.A.Press

 
A velocidade frenética com a qual somos bombardeados diariamente por novidades como robôs, drones e smartphones cada vez mais modernos não deixa dúvidas. Estamos vivendo uma revolução e ela não é apenas tecnológica, mas também social. Grande parte dessa transformação é capitaneada pela internet, que dá voz aos anônimos, mobiliza desconhecidos em prol de uma causa e pauta discussões na mesa de bar. Para identificar aspectos do comportamento dos usuários da internet no Recife, especificamente o alcance da rede mundial de computadores e tipos de utilização, a Datamétrica Consultoria e Pesquisa realizou um levantamento entre os dias 26 e 30 de novembro. Foram ouvidas 2 mil pessoas. Com base na amostra, descobriu-se que 69%, o que estatisticamente equivale a quase três quartos da capital pernambucana, utilizam a internet.

Estratificado por sexo, idade, grau de instrução e classe social, o levantamento mostra que não há grandes disparidades de gênero quando se trata de acesso à internet: 71% dos homens estão conectados contra 67% das mulheres. A conectividade aumenta em proporção inversa à faixa etária. Em outras palavras, quanto menor a idade do entrevistado, maior a penetração da internet. Para se ter uma ideia, entre jovens de 16 a 24 anos o hábito atinge 94%.

Na pesquisa também chama atenção o tempo de permanência dos usuários de internet no dia em que eles se conectam: 52% se mantêm conectados por 3 horas ou mais. Os usuários de tempo prolongado são, principalmente, os mais jovens. Um retrato disso é o fato de 43% dos entrevistados entre 16 e 24 anos que utilizam a internet afirmarem que permanecem no ambiente digital por 5 horas ou mais.

Os cinco serviços mais utilizados na rede mundial de computadores são redes sociais (72%), pesquisa e sites de busca (37%), leitura de notícias (36%), assistir a vídeos ou ouvir músicas (24%) e trocar e-mails (23%). As diferenças no grau de instrução, entretanto, podem exercer pequena ou grande influência neste comportamento.

Ao segmentar a amostra da pesquisa por escolaridade e avaliar a utilização de redes sociais, percebe-se que 76% dos que possuem o ensino fundamental aderiram a alguma mídia social. Dentre os entrevistados com ensino médio, o percentual fica em 75%. Ensino superior, 67%. Quando é focalizado o hábito da leitura de notícias, o impacto do grau de instrução aumenta consideravelmente: ensino fundamental (28%), médio (33%) e superior (46%).

A vice-presidente e pesquisadora da Datamétrica, Analice Amazonas, classificou o resultado como surpreendente por comprovar a força da internet em todas as camadas da sociedade. “Esta aferição revela o alcance gigantesco da rede mundial de computadores e nos faz refletir se realmente estamos conseguindo explorá-la da melhor forma, seja comercialmente, com produção de conteúdo ou para outras finalidades. Uma coisa é certa. A internet está cada vez mais presente e transformando nossas vidas”, pontua.

Comportamento entre idosos

Do ponto de vista da inclusão digital, a pesquisa da Datamétrica serve para quebrar estereótipos relacionados a determinados grupos sociais e reforçar a horizontalidade da internet. É curioso observar que 21% das pessoas que têm 60 anos ou mais também utilizam a rede mundial de computadores, o que corresponde a mais de um quinto dos idosos. Destes, 55% o fazem todos os dias da semana.

Da mesma forma, é errôneo assumir que as camadas mais pobres da sociedade estão desconectadas, embora seja visível o efeito que o grau de instrução e a classe social têm no acesso à rede. Enquanto 85% dos entrevistados com nível superior e 84% dos que se encontram nas classes A e B utilizam internet, a incidência se reduz a 42% dos que têm até o 1º grau e 43% dos que se encontram nas classes D e E.

Ao cruzar esses dados com o hábito de consumo das redes sociais, o Facebook desponta como espaço comum de convivência. Dos usuários de internet ouvidos pela Datamétrica, mantêm conta no site 82% dos que têm ensino fundamental, 78% dos que possuem ensino médio e 74% daqueles com ensino superior.

Uma das explicações para o aumento da inclusão nas classes C e D está no setor de telecomunicação. Enquanto computadores e notebooks são aparelhos mais caros, até celulares mais simples, como modelos de entrada, suportam conexão à internet. As operadoras de telefonia, na briga por participação de mercado, criam pacotes de 3G a valores agressivos em detrimento da qualidade do serviço. Mas ao mesmo tempo aumentam a penetração no público que é mais sensível a preço.

Analice Amazonas, da Datamétrica, considera o resultado surpreendente
Analice Amazonas, da Datamétrica, considera o resultado surpreendente

Redes sociais lideram a preferência

Está cada vez mais difícil ficar de fora das redes sociais. Não viu o convite para o aniversário do colega que enviado pelo Facebook? Foi ontem.Nem adianta reclamar que ninguém telefonou para avisar. Falando em recados, seu novo primo já nasceu. Como assim não viu? Olha lá o grupo da família no WhatsApp. Tem foto e até vídeo há pelo menos 15 minutos. Ainda não se acostumou? Melhor se acostumar, pois a pesquisa realizada pela Datamétrica aponta a utilização das redes sociais como o principal uso da internet no Recife. Essas plataformas aparecem disparadas em primeiro lugar, com 72% da preferência do público. É quase o dobro do segundo colocado “pesquisa e sites de busca”, que ficou com 37%.

“As pessoas estão se comunicando em rede e uma parte significativa da vida social delas está concentrada nesses ambientes digitais”�, analisa a pesquisadora. Vale destacar que esta é uma tendência global. O Facebook, por exemplo, bateu neste ano a marca de 1,5 bilhão de usuários ativos por mês. O WhatsApp, popular aplicativo de mensagens instantâneas, está perto de conseguir o mesmo feito e já soma mais de 900 milhões.

De volta à capital pernambucana, que é o objeto de estudo da pesquisa, são justamente essas duas redes sociais que figuram entre as mais atrativas para o internauta, mostrando um alinhamento com o movimento global. Na categoria dos ambientes digitais mais utilizados, o Facebook lidera com 77%, enquanto o WhatsApp fica com 70%. Em seguida, completam o pódio YouTube (38%), Google (21%) e Twitter (4%).

O Facebook é mais frequentado por mulheres (82% delas) do que pelos homens (72%). O padrão de utilização é mais comum entre jovens, com adesão de 86% na faixa etária entre 16 e 24 anos. O WhatsApp, por sua vez, também possui um público com maioria feminina de 72% delas contra 69% dos homens. Ao contrário do Instagram e Twitter, o Facebook e o WhatsApp têm sido bem-sucedidos em atrair outras faixas etárias, fisgando uma boa quantidade de adultos e idosos usuários da internet.

“As redes sociais possuem uma função importante, que é a de democratizar os assuntos e distribuí-los com um alcance inigualável. Das charges sobre um tema qualquer às notícias envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o governo federal, qualquer coisa chega muito rápido no WhatsApp. Essa velocidade afeta o modo como a sociedade se informa”�, observa Analice Amazonas.

METODOLOGIA
A pesquisa realizada pela Datamétrica buscou mensurar o alcance da internet no Recife e quais os principais tipos de utilização da rede. Para isso foram ouvidas 2 mil pessoas entre os dias 26 e 30 de novembro. Dados do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foram usados para a elaboração da amostra. A amostragem foi dividida por cotas de sexo, idade, grau de instrução e região político-administrativa (RPA). A margem de erro é de 2,2%, com intervalo de confiança de 95%.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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