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Sala de oração muçulmana e restaurante de kebab são atacados na frança

Sala de oração muçulmana arrasada por grupo de manifestantes em Ajaccio. Foto: AFP Pierre-Antoine Fournil
Sala de oração muçulmana arrasada por grupo de manifestantes em Ajaccio. Foto: AFP Pierre-Antoine Fournil

 
Centenas de pessoas incendiaram parcialmente na sexta-feira uma sala de oração muçulmana e danificaram exemplares do Corão em Ajaccio, na ilha francesa de Córcega, onde dois bombeiros e um policial ficaram feridos em confrontos na noite anterior.

O terraço de um restaurante kebab perto do bairro também foi alvo destes incidentes no dia de Natal, que transcorreu sob fortes medidas de segurança em toda a França devido aos atentados de 13 de novembro que deixaram 130 mortos em Paris.

“Após a agressão intolerável aos bombeiros, a profanação inaceitável de uma sala de oração muçulmana. Respeito à lei republicana”, exigiu o primeiro-ministro Manuel Valls no Twitter. O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, condenou as agressões e denunciou “intoleráveis vícios de racismo e xenofobia”.

O recém-eleito presidente da região de Córcega, Gilles Simeoni, que pela primeira vez levou ao poder os nacionalistas nesta ilha do Mediterrâneo, denunciou “atos racistas totalmente contrários à Córcega que aspiramos”.

“Fora os árabes!”

Na tarde de sexta-feira, 150 pessoas se reuniram pacificamente em Ajaccio em sinal de apoio a dois bombeiros e a um agente feridos em um ataque lançado na noite anterior por “muitos jovens encapuzados”, segundo as autoridades, em um bairro da cidade.

Mas um grupo se separou da marcha e se dirigiu aos Jardins do Imperador, no local onde o incidente foi registrado.

Por fim, este núcleo se converteu em uma coluna de 600 pessoas que tentavam identificar os agressores dos bombeiros e do policial, ao mesmo tempo em que gritavam “Fora os árabes!” e “Esta é nossa casa!”, informou um jornalista da AFP.

A polícia mobilizou um grande número de efetivos para conter os excessos, enquanto os moradores permaneciam trancados em suas casas.

No entanto, um pequeno grupo separado da coluna principal invadiu uma sala de oração muçulmana próxima, onde fez pichações, saques e incendiou parcialmente o local.

“Cerca de 50 livros de oração foram lançados na rua”, indicou o prefeito regional, François Lalanne.

O Observatório Nacional contra a Islamofobia do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) “condenou com força” o ocorrido “em um dia de oração para muçulmanos e cristãos”, referindo-se ao fato de neste ano o Natal cair logo depois do Muled, a festa muçulmana que celebra o nascimento do profeta Maomé.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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