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Telefonia móvel apresenta sinais de queda

Embora não gerem receita, as linhas ociosas continuam a gerar custos operacionais e encargos como o Fistel. Neidson Moreira/OIMP/D.A Press
Embora não gerem receita, as linhas ociosas continuam a gerar custos operacionais e encargos como o Fistel. Neidson Moreira/OIMP/D.A Press

Em apenas seis meses, 10 milhões de linhas de celular foram canceladas no país. Inédita no tradicionalmente crescente mercado de telefonia móvel, a queda foi divulgada no começo de dezembro pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), cujos dados mostram que, de maio de 2015 a outubro, o número de acessos de telefonia móvel caiu de 284 milhões para 274 milhões, um decréscimo de quase 4%.

De acordo com Eduardo Levy, presidente da Febratel (Federação Brasileira de Telecomunicações), há uma combinação de razões para o movimento decrescente. “É preciso considerar a redução do preço adicional por ligações entre operadoras diferentes, a migração de voz para dados, o aumento de encargos e a situação econômica do país. Tudo isso faz com que as empresas adaptem seus modelos de negócios”.

Um dos principais fatores da diminuição, segundo as operadoras ouvidas pela reportagem, é a redução da base de usuários do mercado pré-pago justamente aquele que puxou a queda apontada pela Anatel. Embora não gerem receita, as linhas ociosas continuam a gerar custos operacionais e encargos como o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) paras as empresas de telefonia. Cortá-las com mais rigor significa redução de gastos.

É a Anatel que estabelece as diretrizes básicas para cancelar a linha de usuários inativos: atualmente, são necessários 90 dias de ociosidade. Mas são as operadoras que ajustam a régua de corte de acordo com suas políticas. Em tempos de bonança, era comum que empresas engordassem suas bases mantendo a conexão de usuários que fizessem até mesmo uma única ligação não tarifada. Durante crise econômica, elas aceleram o desligamento até os limites permitidos pela agência reguladora.

O ZAP
Embora a crescente adoção de planos de dados seja contabilizada pela Anatel no número total de acessos de telefonia móvel, a tendência de aumento também pode resultar em curvas negativas. Isso porque o uso de aplicativos como WhatsApp dão a liberdade para que o usuário fale, pelo mesmo preço, com assinantes de diversas operadoras e evite o custo adicional das taxas de interconexão, incidentes em ligações de uma empresa para outra.

Quanto mais as pessoas usam o plano de dados, menos precisam ter uma segunda ou terceira linha. É o que o diretor de varejo da Oi, Bernardo Winik, chama de consolidação de chips. “Esse movimento já começou no Brasil há algum tempo, com o uso de aplicativos. “A tendência é que ele continue na medida que se ofereçam produtos com planos de dados”.

Para o executivo, a queda não é necessariamente ruim, senão uma redistribuição de receita. “Antes o usuário gastava um tanto em duas ou três operadoras. Agora, ele gasta o mesmo tanto em uma única. Nós observamos que, em média, as pessoas gastam R$ 50 em telefonia. Queremos que elas gastem toda essa quantia conosco”.

Além disso, há a resolução da Anatel de diminuir o preço cobrado pelas serviços entre operadoras até 2019. Conforme o custo diminui, os usuários não precisam de vários chips para aproveitar preços mais baixos. Para Wink, tudo isso representa a necessidade de adaptação. Questionado se as operadores deveriam considerar aplicativos como o WhatsApp como inimigo, ele respondeu que “não adianta remar contra a maré”.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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