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Você aprovou a condução do governo Paulo Câmara em 2015? Raul Henry e Teresa Leitão opinam

Sim

Raul Henry
vice-governador (PMDB)

Nenhum cidadão brasileiro poderia imaginar que uma crise dessas proporções estivesse sendo gerada e escondida embaixo do tapete. Passado o pleito presidencial de 2014, vencido por obra de um verdadeiro estelionato eleitoral, o Brasil, sobressaltado, deparou-se com sua maior crise econômica desde 1930.

A economia do país vai encolher 4%, em 2015, e 3%, em 2016. A inflação está próxima a 11%. A dívida pública dispara rumo a 70% do PIB. E o pior: o desemprego deve atingir três milhões de brasileiros com carteira assinada.

Foi nesse cenário devastador que o governador Paulo Câmara assumiu o comando do estado. Com a profunda repercussão da crise nacional nas finanças de estados e municípios, Pernambuco teve uma assustadora queda real de receita: R$ 3 bilhões a menos, R$ 1 bilhão de frustração de receitas próprias e R$ 2 bilhões de operações de crédito.

O governador só tinha uma alternativa: apertar o cinto, enxugar o custeio e tornar mais eficiente a aplicação dos recursos públicos. E foi exatamente isso o que ele fez. Com a experiência de ex-secretário da Administração e da Fazenda, comandou pessoalmente o ajuste da máquina e conseguiu efetivar uma economia de R$ 400 milhões em despesas correntes. Com isso, conseguiu assegurar a meta de investimentos. Em 2015, o estado investiu em torno de R$ 1,1 bilhão. Com um detalhe da maior relevância: 57% de recursos próprios. A performance do ajuste permitiu, inclusive, o adiantamento da folha salarial de dezembro.

Algumas áreas críticas foram priorizadas. Os recursos hídricos, em função do quinto ano de seca, receberam R$ 269 milhões de investimentos; a recuperação de estradas, R$ 155 milhões; a saúde, a educação e a segurança pública, R$ 121 milhões; e a mobilidade urbana, R$ 96 milhões. No caso da saúde, o governo destinou 15,3% das suas receitas, percentual superior aos 12% determinados por lei. A educação continua sendo um destaque: menor taxa de evasão e maior crescimento no Ideb do ensino médio.

Além disso, novos empreendimentos privados foram atraídos: uma unidade industrial da Unilever em Escada; a ampliação da fábrica da Ambev (R$ 400 milhões de investimento); o centro de distribuição da Toyota (com capacidade de 40 mil automóveis), entre outros.

Para enfrentar a superlotação nos presídios, foi iniciada a construção do Complexo Prisional de Araçoiaba (2.574 vagas), concluída a construção do presídio de Tacaimbó (689 vagas) e autorizado o projeto do novo presídio de segurança máxima (533 vagas).

Tudo isso, em um cenário de profunda recessão, em que estados mais ricos como Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, não estão conseguindo honrar seus compromissos com o funcionalismo.

Mas, para mim, o maior destaque do governo, neste primeiro ano de gestão, foi a atitude do governador. Tive a oportunidade de ser testemunha da sobriedade, da disciplina, da capacidade de diálogo e, o mais importante, do espírito público de Paulo Câmara.

Por todas essas razões, Pernambuco tem plenas condições de retomar o caminho do crescimento e aguardar dias melhores no futuro.   

Não
 
Teresa Leitão
Deputada Estadual PT – Vice-líder da oposição

O Governo Paulo Câmara, eleito sob forte comoção da perda trágica e prematura do ex-governador Eduardo Campos, seu principal fiador, pode ser considerado ao mesmo tempo um novo governo e um governo de continuidade.

Novo governo quanto à sua configuração política, iniciada pós eleições de 2012 e consolidada no arco de alianças de 2014, no qual forças até então antagônicas ao PSB e às suas gestões anteriores, passam a integrar o palanque de Paulo Câmara e depois a compor o seu governo. Em consequência a gestão e a base aliada na Assembleia Legislativa transitam pelo campo de centro-direita, em que pese a presença de quadros políticos ligados às causas populares e democráticas.

É um governo de continuidade, não apenas porque assim foi apresentado à sociedade, mas também porque o seu principal representante – o governador Paulo Câmara – está na gestão desde 2007 com Eduardo Campos. Ocupou as pastas da Administração, do Turismo, da Fazenda denotando a confiança que gozava do governador. Isso não o desabona, mas o responsabiliza grandemente, pelo fato de conhecer a máquina administrativa e de ter participado das grandes ações dos governos anteriores ao seu, como secretário de pastas estratégicas.

As justificativas de que 2015, foi um ano de crise para todo mundo, são insuficientes. No tocante às elevadas taxas de desemprego, sobretudo no Polo de Suape, há uma consequência da crise econômica, pela maioria dos empreendimentos ser da alçada federal. Mas o que dizer do Complexo Prisional de Itaquitinga, da Cidade da Copa e da Arena, do funcionamento dos Hospitais Regionais e das Upas, alardeados pela viabilidade das PPPs e da gestão das OS, hoje verdadeiros gargalos neste primeiro ano da gestão, todas a exigir solução de continuidade para os próximos anos?

Dificuldades graves na área de Segurança Pública, frente aos índices do Pacto Pela Vida: aumento da violência, aumento do encarceramento e déficit no contingente policial.

Dificuldades na área de Saúde, a tal ponto que a bancada de oposição propôs o Pacto Pela Saúde de Pernambuco, de conotação suprapartidária, envolvendo governo e sociedade, rechaçado por solene silêncio da parte do governo.

Na área da educação, o ano de 2015 foi frustrante em relação às promessas da campanha. O passo dado para recuperação salarial – “dobrar o salário em quatro anos” – foi ínfimo e puxou para baixo o Plano de Cargos e Carreiras. Persistem as contradições nas Escolas de Referência do Ensino Médio e é urgente um melhor diálogo do governo na construção do sistema de educação.

Neste primeiro ano Paulo Câmara decepcionou os servidores públicos, pois como mentor e condutor da mesa permanente de negociação, neste ano de ela funcionou precariamente.

No exercício da liderança política, o governador fez dois movimentos interessantes de interlocução com a sociedade: a luta para trazer o Hub da Latam para Recife, no que é acompanhado por todas as forças políticas do estado, e o posicionamento contrário à alteração do Estatuto do Desarmamento, no qual setores da sua aliança preferem não se envolver.

Do ponto de vista da interlocução nacional, o ano de 2015 se caracterizou como um rosário permanente de transferências de responsabilidades para o Governo Federal, reclamando-se do que não teria sido feito. No entanto, os investimentos anteriores dos dois governos Lula e do primeiro governo Dilma, que mudaram a face social e econômica de Pernambuco, são convenientemente esquecidos.

Não desejo que a gestão piore nos próximos anos. Ao contrário, espero que melhore sensivelmente, pois fechar o ano com queda do PIB não é bom para o estado.

A oposição continuará alerta em 2016 para, no cumprimento do seu papel, fazer o melhor por Pernambuco.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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