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Agricultores de município com pior Índice de Desenvolvimento Humano de Alagoas recebem 600 cisternas

Unidades dependem de chuva e de caminhão-pipa e, após cheias, podem abastecer por até seis meses uma família com cerca de quatro pessoas

 

O governo do Estado realiza em Inhapi, no Sertão de Alagoas, uma solenidade que marca a entrega de 600 cisternas de primeira água a famílias que vivem na zona rural do município, onde não há rede de abastecimento. O evento político será realizado nesta quarta-feira (13), na Escola Municipal Nossa Senhora do Rosário, no assentamento Frei Damião, comunidade Baixa do Mel.

As unidades são consideradas “de primeira água” porque cada uma delas tem capacidade para até 16 mil litros de água, que deve ser usada para as necessidades básicas, como matar a sede e cozinhar. Dessa forma, após estar cheia, a cisterna pode abastecer por até seis meses uma família com cerca de quatro pessoas.

De acordo com a tecnologia aplicada, esse tipo de cisterna deve receber a água da chuva que cai no telhado da residência. Por outro lado, até que haja chuvas suficientes para isso, os agricultores vão depender dos caminhões-pipa, disponibilizados ou pelo governo do Estado ou pelo governo federal, por meio do Exército.

Governo quer mais R$ 17 milhões

Conforme explicou o superintendente Israel de Alcântara Moura, da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri), as 600 cisternas de Inhapi fazem parte de um total de 4.070 de primeira água e 3.641 unidades de segunda água que estão sendo construídas em municípios do Agreste e do Sertão, por meio de um convênio firmado entre os governos estadual e federal, ainda na gestão de Teotonio Vilela Filho, no valor de cerca de R$ 47 milhões.

Segundo Israel, além de Inhapi, também estão sendo beneficiados agricultores em Palmeira dos Índios e em Coité do Nóia com outras 581 cisternas de primeira água. Para finalizar o convênio, no entanto, o gestor frisou que o Estado depende da liberação do restante dos recursos pelo governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que chegam a R$ 17 milhões.

“Não acredito que a crise econômica vá atrapalhar a liberação desse valor, até porque não é um recurso novo, é um recurso que já faz parte desse convênio desde o início e, portanto, já está garantido”, pontuou Israel de Alcântara Moura.

Baixo desenvolvimento humano

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Inhapi, que receberá a visita do governador Renan Filho para a entrega das cisternas nesta quarta-feira (13), ocupa o último lugar no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que avalia três aspectos da população: longevidade, educação e renda.

O município ficou com índice de 0,484, seguido mais à frente por Olivença, com situação um pouco melhor e índice de 0,493, depois Olho D’água Grande, com 0,503, Mata Grande, com 0,504, Roteiro, com 0,505, e Canapi, com 0,506.

Isso significa, na prática, que as condições de vida da maioria da população são ruins, a expectativa de vida é baixa, bem como a renda mensal e o acesso à educação. As cisternas, mesmo deixando os agricultores nas mãos da chamada “indústria da seca”, aliviam a situação de sofrimento, porém, pouco colaboram para a autonomia e o fim da dependência entre quem precisa de água para beber e quem detém os meios de produção e o poder das instituições públicas.

Como último colocado em Alagoas, Inhapi também está entre os 50 municípios do Brasil com o mais baixo IDHM. Os dados do IBGE se referem ao ano de 2010.

Por Diego Barros

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