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Ano Novo: quatro pernambucanos dizem o que desejam para 2016

O ano novo chegou com a expectativa de dias melhores. Mas o que as pessoas esperam para 2016? O Diario revisitou personagens que passaram pelas páginas do jornal em 2015 e perguntou o que eles querem para este ano. Palavras com o desejo para este novo ciclo acabaram depositadas em um pote. Saúde, tolerância e amor foram os temas escolhidos pela dona de casa Erika Roque, 30, mãe de um bebê que nasceu com microcefalia, e pelo casal Sandro e Márcia Lima, 43 e 37 anos, respectivamente. Ele é babalorixá. Ela, evangélica. Também foi ouvido o comerciário Jocely Ferreira, pai do estudante Harlynton dos Santos, que morreu depois de cair de um ônibus. Ele escolheu a palavra alegria. Já Silvio Pereira, irmão do professor José Bernardino da Silva (Betinho do Agnes) – apontou a palavra justiça para o ano de 2016.

Silvio Pereira, a espera por justiça

O auxiliar administrativo Silvio Pereira,41, viveu uma montanha-russa de sentimentos em 2015. Em maio, passou pelo pior momento. Recebeu a notícia de que o irmão José Bernardino da Silva, o Betinho, havia sido encontrado morto no apartamento onde morava, no Centro do Recife. Começava ali a busca da família da vítima pela punição dos culpados. Até agora, o desejo não foi alcançado. Para 2016, Silvio tem apenas um pedido: justiça.

Em setembro, a Polícia Civil indiciou, por homicídio um estudante de 19 anos. O suspeito teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas nunca foi preso. Outro estudante, de 17 anos, também seria um dos autores do crime. Os dois são alunos do Colégio Agnes, onde Betinho trabalhava. “A gente nunca espera que algo desse tipo aconteça na família. Esperamos uma resposta da Justiça para 2016”.

Sandro e Márcia, respeito e amor

Sandro e Márcia Lima, 43 e 37 anos, são um exemplo do que desejam para 2016: amor e tolerância. Casados há 20 anos e com três filhos, eles representam a convivência pacífica e respeitosa de pessoas com crenças diferentes. Ele é babalorixá. Ela, cristã, frequenta uma igreja evangélica. Apesar de se aceitarem nas diferenças, Sandro, Márcia e os filhos sofrem preconceito. No entanto, não se abatem e mantêm a esperança de um mundo com mais tolerância religiosa e amor. “A tolerância, ou seja, a simples aceitação, precisa estar acompanhada do amor, esse sentimento sublime que não permite agredir ou diminuir o outro”, pontuou Márcia Lima.

O casal vive em uma casa sobre um terreiro de candomblé e jurema, no Ibura, Zona Sul do Recife, mantido pelo babalorixá, conhecido como Sandro de Jucá. “Meu coração só tem espaço para o amor. Não vejo meu marido pela religião dele, mas pelo que ele é, pelo ser humano que conheço e amo há mais de 20 anos”, afirmou Márcia. “O ano de 2015 foi de muitas provações e preconceitos. Para 2016, quero tolerância”, pediu Sandro.

Jocely, exemplo de  superação

Em 2015, o comerciário Jocely Ferreira, 45 anos, viu parte do seu mundo ruir. Perdeu, em junho do ano passado, um dos filhos. O universitário Harlynton dos Santos, filho do meio de Jocely, morreu aos 20 anos depois de cair de um ônibus que fazia a linha TI Tancredo Neves/Imip. Apesar do ano difícil, Jocely vê com esperança os próximos dias e meses. “Percebo que 2015 foi um ano de superação para minha família, apesar da perda de um filho, um momento tão doloroso. Desejo que, em 2016, o mundo seja mais humanizado, com mais amor ao próximo, resultando em alegria para todos”, disse.

É com alegria que ele pretende continuar reconstruindo a vida sem o filho, que morreu ao tentar voltar para casa depois de ter ido ao cinema. Harlynton foi arremessado do ônibus em movimento. O inquérito da Polícia Civil concluiu que o motorista do coletivo agiu de forma deliberada para derrubar o passageiro. O condutor foi indiciado por homicídio e o cobrador por acobertar o motorista. “Ele foi acusado de ter ficado pendurado, mas eu sabia que ele não tomaria uma atitude como essa”, ressaltou.

Erika Roque, fé para superar

A dona de casa Erika Roque, 30, descobriu na sala de parto que seu primeiro filho, Erick, com 6 meses, tinha microcefalia. A suspeita foi levantada por uma obstetra 15 minutos após o nascimento do bebê. O menino tinha 31cm de perímetro cefálico, quando o considerado normal para bebês nascidos após nove meses de gestação é 34cm ou mais. A notícia abalou a mãe de primeira viagem, que nunca tinha ouvido falar na malformação congênita. Na época, no mês de julho, não havia relatos de epidemia de microcefalia em Pernambuco.

O choque inicial de Erika rapidamente foi sustituído pela fé e vontade de ver o filho prosperar. “Meu maior sonho é que ele vá para a faculdade. Não pude cursar o ensino superior porque tive que trabalhar desde muito cedo para ajudar minha mãe, que me criou sozinha”, disse. “Vi uma reportagem com uma menina com microcefalia que estudou jornalismo e senti uma esperança enorme”, frisou. 

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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