Aposta da Globo, Monica Iozzi deixa o ‘Vídeo Show’ para investir no drama

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Monica Iozzi ficou de fora da vinheta de fim de ano da Globo, aquela em que o elenco dubla “hoje é um novo dia de um novo tempo”.

A ausência da apresentadora do “Vídeo Show” virou frisson entre fãs e notícia, a ponto de ela escrever no Facebook: “Aos interessados: não estou na vinheta de final de ano da Globo. Foi gravada num domingo e eu estava de ressaca. Grata pela compreensão”.

Hoje a festa é dela. A falta de pudor com meias-palavras, marca da personalidade de Monica desde que despontou como repórter do “CQC” (Band) em 2009, deu nova relevância ao “Vídeo Show”, que se tornou assunto quente nas redes sociais.

A chegada, em abril, à atração ao vivo, ao lado de Otaviano Costa, não mexeu substancialmente na audiência do programa, entre 9 e 10 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 67 mil casas na Grande SP).

Suas graças, no entanto, colocam o vespertino com alguma frequência entre os assuntos mais comentados no Twitter. Como quando interpretar diferentes cortes de batata (sim, o legume) ou lançar algum comentário irônico sobre a Globo -diz que o estúdio do seu programa é um “puxadinho da Fátima Bernardes”.

Mas não há o que possa convencê-la a não deixar a atração agora. Monica volta às origens como atriz para protagonizar “Chorar de Rir”, um filme de Toniko Melo (“VIPs”) sobre uma atriz conhecida por papéis cômicos que quer… Provar que consegue atuar em dramas. Ainda não há previsão de estreia.

A decisão estava tomada antes de assumir o programa, diz à “Folha de São Paulo” na antevéspera do Natal. Não havia definido o que faria em 2016 depois das filmagens -o retorno ao “Vídeo Show” não estava descartado.

O adeus ainda não tem data certa. Na quinta (31), porém, Otaviano se despediu com olhos marejados da colega, que estaria na “reta final” à frente da atração.

Autoproclamados “reis da bagaceira televisiva”, os dois conquistaram “liberdade aos pouquinhos” para improvisar e driblar o roteiro autorreferente do programa, basicamente sobre os bastidores da Globo.

Ela conta que se inspirou na linguagem audiovisual da internet, que “democratizou tudo de tal maneira que algumas formas de se fazer TV começam a ficar ultrapassadas”. “Não poder brincar com figuras icônicas, como o Silvio Santos, tira possibilidades de diversão. Não dá para não falar.”

Antes inimagináveis no “Vídeo Show”, referências ao dono do SBT e a outras personalidades da concorrência -como Nelson Rubens (RedeTV!) e o dublador Pablo, da competição “Qual É a Música?”- tornaram-se diárias no programa, exibido de segunda a sexta.

Monica diz que não houve bronca da direção -a irreverência talvez fosse o que Boninho buscava quando a contratou para fazer comentários sarcásticos sobre o “Big Brother Brasil” em 2014, dois meses depois de ela deixar o “CQC”.

Por e-mail, ele dá a entender que desaprova o rumo da funcionária. “Monica foi uma aposta em que a gente confiou desde o início. É um talento que deveria abandonar as novelas e a dramaturgia (risos).”

CENTRADA

Numa sala refrigerada do Projac, Monica conta que não há quem a faça desistir da ideia de voltar a atuar. Pessoalmente ela é bem mais calma do que a personagem tresloucada que encarna na TV. Mal altera o tom de voz, e o sotaque caipira, com o “r” acentuado da garota nascida há 34 anos em Ribeirão Preto, nem aparece.

“As pessoas acham que eu sou engraçada, irônica, engajada, feminista, que de vez em quando passa do ponto e tudo bem… Não sou exatamente assim. Sou mais centrada.”

Monica é atriz, graduada pela Unicamp. Na formatura, protagonizou a tragédia grega “Ifigênia em Áulis”, de Eurípedes. Reviu a atuação há seis meses, remexendo em fotos e vídeos antigos em casa.

Diante de registros da faculdade, do “CQC” (“o trabalho mais difícil que já fiz, do qual mais me orgulho”), da novela “Alto Astral” (2014), como a patricinha Cidinha, e do “Vídeo Show”, decidiu: “Preciso voltar a trabalhar como atriz”.

Lembra da última cena da peça universitária. “Fazia a Ifigênia, sou eu morrendo. Uma montagem experimental, imagina.” Em seguida se viu “louca no ‘CQC’, ensinando o Gusttavo Lima a dançar catira”.

Ir do trágico ao ridículo, diz, é seu trunfo. Enfatiza: “Nada contra o humor”. Mas quer resgatar a veia dramática.

Descalça na grama do Projac, Monica fala sobre a altura -é maior do que aparenta na TV (tem 1,74 metro). Sem perceber, o fogo de seu cigarro acaba queimando o filtro. “Olha só o que fiz”, diz à assessora de imprensa da Globo, mostrando a bituca.

Prefere viver sem filtros. Em dezembro, tuitou: “Há pouco tempo disse que uma bala perdida poderia encontrar o Cunha. Peço desculpas, exagerei. Um infarto fulminante já tá de bom tamanho…”

Não teme que isso afugente anunciantes? “Tenho trabalhado bastante”, resume a garota-propaganda da Bombril.

“Tem uma diferença muito grande entre querer ser bem-sucedido no trabalho e ser famoso. Não vou deixar de emitir uma opinião porque trabalho na TV”, diz Monica, com um milhão de seguidores no Instagram e 530 mil no Twitter. “Sinceramente, se critiquei o Bolsonaro e uma pessoa que gosta dele deixa de ser minha fã, obrigada.”

As informações são da “Folha de S. Paulo”.


Fonte: Bastidores da TV

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