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Homens armados atacam base aérea indiana perto do Paquistão

Um grupo de homens armados, supostamente de islamitas, atacaram na madrugada deste sábado uma estratégica base da aviação indiana perto da fronteira com o Paquistão, onde o tiroteio continuava horas depois, apesar da morte de ao menos dois atacantes.

Pelo menos quatro homens suspeitos de pertencer ao grupo islamita Jaish-e-Mohammed (Exército de Maomé), com base no Paquistão, infiltraram-se na base de Pathankot, no estado indiano de Punjab (norte), por volta das 03h30 (20H00 de sexta-feira no horário de Brasília), indicaram fontes da segurança.

Esta base tem uma importância estratégica, pois abriga dezenas de aviões de combate e está localizada a apenas 50 km da fronteira paquistanesa.

O tiroteio continuava horas após o início do ataque, enquanto a polícia vasculhava a área em busca dos agressores, indicaram os meios de comunicação.

“Queremos a paz, mas se os terroristas cometem ataques em solo indiano iremos responder de forma apropriada”, declarou à televisão o ministro do Interior, Rajnat Singh.

Este ataque ocorre uma semana depois de uma visita surpresa do primeiro-ministro indiano, Nerendra Modi, ao Paquistão – a primeira de um chefe de Governo indiano em dez anos – e ameaça prejudicar o início do processo de entendimento entre as duas potências nucleares.

“Nossos homens foram atingidos por tiros durante as operações de busca, quando o tiroteio já havia cessado há várias horas”, declarou o chefe da polícia regional Kunwar Vijay Partap Singh.

“Pelo menos dois atacantes foram mortos”, disse ele, enquanto seis ou sete membros das forças de segurança ficaram feridos, alguns em estado grave.

Uma manifestação ocorreu ao meio-dia na estrada que conduz à base, durante a qual alguns cidadãos queimaram figuras que representavam militantes paquistaneses, informou a AFP.

Uma autoridade da segurança, que pediu anonimato, disse à AFP que “o ataque visa causar o maior dano possível aos equipamentos da base”.”Acreditamos que são terroristas da Jaish-e-Mohammed”, acrescentou a fonte. Este grupo, banido no Paquistão, luta contra o controle indiano de parte da Caxemira, no Himalaia, onde um conflito separatista já custou a vida de cerca de 100.000 pessoas.

Três guerras pela Caxemira

A Índia responsabilizou o grupo por um ataque em dezembro de 2001 contra o Parlamento indiano, em que 11 pessoas morreram. O ataque provocou uma escalada militar na fronteira e levou os dois países à beira de uma guerra.

Em julho, três homens armados, vestindo uniformes do exército, abriram fogo em um ônibus e atacaram uma delegacia de polícia no distrito vizinho de Gurdaspur, também em Punjab. Sete pessoas, incluindo quatro policiais, morreram.

A Índia culpou os combatentes do grupo Lashkar-e-Taiba (LeT, Exército dos Puros, com sede no Paquistão), pelo ataque.

Desde a independência da Grã-Bretanha em 1947, Índia e Paquistão já travaram três guerras pelo controle da Caxemira, um território do Himalaia que ambos ocupam em parte e que reivindicam em sua totalidade. A Índia acusa regularmente o exército do Paquistão de fornecer cobertura aos rebeldes, que muitas vezes se infiltram através da fronteira e organizam ataques na Caxemira indiana contra a polícia local.O estado de Punjab, de maioria sikh, tinha escapado até então da violência. Nova Deli suspendeu quaisquer conversações com o Paquistão após islamitas armados atacarem a cidade de Mumbai, em novembro de 2008, matando 166 pessoas.

O inquérito determinou que a operação foi planejada no Paquistão. Os dois países, que possuem a bomba atômica, relançaram o processo de paz em 2011, mas a tensão aumentou nos últimos dois anos. Desde o ano passado, os bombardeios de ambos os lados da fronteira na Caxemira deixaram dezenas de mortos. A Índia e o Paquistão decidiram retomar um diálogo para resolver as questões pendentes com reuniões bilaterais de alto nível previstas para janeiro, em Islamabad.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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