Ministério diz que negocia verba para repor corte no orçamento da PF

Justiça avalia com Planejamento liberação de créditos suplementares. Orçamento da União aprovado pelo Congresso cortou R$ 133 mi da PF.

 

O Ministério da Justiça negocia com o Ministério do Planejamento a liberação de créditos suplementares para repor o corte de R$ 133 milhões no orçamento da Polícia Federal em 2016, informou ao G1 a assessoria da Justiça.

O corte no orçamento da corporação, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro, gerou duras críticas de integrantes da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF).

Em carta enviada na semana passada ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, 28 delegados federais associados à ADPF afirmaram que os cortes no orçamento da Polícia Federal irão gerar a diminuição de investigações e “grave e nítido” desmonte da corporação.

O texto destaca ainda que a redução orçamentária provocaria a suspensão ou o cancelamento de contratos celebrados e de projetos da corporação.

O Ministério da Justiça classificou de “injusta e absurda” a carta da ADPF. Em comunicado divulgado na última quarta (30), a pasta afirmou que, ao contrário das alegações da entidade dos delegados, “dados demonstram que, nos últimos anos, ocorreu o fortalecimento da Polícia Federal”, com aumento do orçamento total da instituição em mais de 43% desde 2003.

Segundo a assessoria do Ministério da Justiça, os créditos suplementares negociados junto ao Planejamento terão de ser autorizados peloCongresso Nacional e assinados pela presidente Dilma Rousseff. Ainda de acordo com a pasta, não há prazo para a liberação do dinheiro extra.

Ao G1, o presidente da ADPF, delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral, disse que os integrantes da Polícia Federal ficarão “bastante satisfeitos” se se confirmar a liberação dos créditos suplementares.

O dirigente da entidade dos delegados ressaltou que o objetivo da carta divulgada na semana passada, com críticas ao corte no orçamento da PF, foi justamente “provocar uma reação do governo” para recompor o orçamento da corporação.

“Isso significa que nosso movimento gerou um resultado positivo. Nos últimos anos, o orçamento da Polícia Federal não cresceu na mesma proporção dos gastos”, enfatizou.

“Os delegados têm uma visão diferente da do Ministério da Justiça sobre nossa realidade orçamentária. Temos um sentimento generalizado em todas as unidades da PF no país de que a nossa polícia está se estagnando. Há contratação de policiais em número menor do que a nossa necessidade, mal repondo as baixas que ocorrem por causa de pedidos de exonerações e de aposentadoria. Os delegados enxergam que a polícia vem em declínio nos últimos anos”, complementou Miguel Sobral.

G1

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