Últimas

Bouchareb retrata desespero de uma mãe ante partida de filha à Síria

O diretor franco-argentino Rachid Bouchareb retrata em “La Route d’Istanbul”, seu novo filme apresentado na Berlinale, o desespero e a luta de uma mãe confrontada pela partida de sua filha à Síria para fazer a jihad.

Elisabeth não suspeita de nada, até que, um dia, um inspetor da polícia lhe mostra uma página do Facebook onde sua filha recorre a uma conversa.

“Encontrei meu caminho”, disse Elodie (Pauline Burlet) em um vídeo publicado na rede social.

Elisabeth não quer, não pode compreendê-lo. Enquanto pensava que sua filha passava o fim de semana com uma amiga para estudar, descobre que foi ao Chipre, onde partirá até a Turquia para cruzar a fronteira com a Síria, acompanhada por Kader, o menino que ama.

“Ela leva um golpe de extrema violência”, destacou em uma coletiva de imprensa a atriz Astrid Whettnall, que interpreta Elisabeth e suporta o peso do filme.

Rachid Bouchareb, que já havia demonstrado interesse neste tema de pais confrontados pela radicalização de seus filhos em “London River” (2009), uma história ambientada após os atentados extremistas de Londres em 2005, explicou que quis seguir “cada passo” desta mulher “completamente perdida” na problemática.

O franco-argelino escreveu o roteiro em parceria com Olivier Lorelle e Zoé Galeron, dois colaboradores de muito tempo, e também Yasmina Khadra, autor do best-seller “O atentado”.

Ao mesmo tempo, o diretor se reuniu com pais que viveram esta situação, documentando amplamente.

‘Necessidade de entender’Desde a tranquila zona rural belga onde vive, a mãe busca, antes de mais nada, compreender, informar-se.

Assiste a uma conferência dirigida por pais como ela. “O importante é continuar o contato, via Facebook, Skype, celular, amigos; tudo é válido”, explicam.

Elisabeth se concentra nisto. Consegue retomar contato com sua filha, mas fica desconcertada com sua determinação. A menina, por Skype, fala apenas de seus “irmãos e irmãs”.

“Deus me acompanha, não se preocupe”, disse, usando um véu negro. Desesperada, ela grita e sua filha corta a comunicação.

O autor de “Indígenas” se interessa pela luta interior desta mãe que precisa controlar sua raiva e sua incompreensão para fazer o possível para retomar a relação com sua filha desaparecida.

Sua jornada em terras desconhecidas, nas zonas perigosas próximas à fronteira síria, é como uma travessia paralela à sua viagem interior, que começa com a pergunta: o que fiz de mal para que minha filha chegasse a esta situação?

Ao evocar esta juventude que deixa tudo para se entregar de corpo e alma à jihad, o cineasta francês de origem argelina estima que é necessário “entender para poder atuar”.

Enquanto o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, julgou que, após os atentados de novembro em Paris, não era necessário buscar “uma desculpa social, sociológica ou cultural”, Rachid Bouchareb tende a se aproximar dos sociólogos para entender “porquê esta juventude” age desta forma e, assim, poder evitá-lo.

“La Route d’Istanbul” foi apresentado na categoria Panorama, uma seção paralela à seleção oficial da 66ª edição do festival de cinema em Berlim.

Fonte: Bol.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *