Carnaval 2016: Encontro dos maracatus rurais colorem o carnaval de Nazaré da Mata

Um corredor montado Praça Papa João XXIII, mais conhecida como a Praça da Catedral, servia de passarela. Foto: Emanuel Leite Júnior/DP
Um corredor montado Praça Papa João XXIII, mais conhecida como a Praça da Catedral, servia de passarela. Foto: Emanuel Leite Júnior/DP

O badalar dos chocalhos ecoam pelas ruas de Nazaré da Mata, tomadas pelas cores vibrantes das golas e cabeleiras dos maracatus. Em um local que transcende a cultura e tradição, a segunda-feira de carnaval foi mais uma vez marcada pelo tradicional encontro dos Maracatus de Baque Solto. Saídos da zona rural não só do município, mas de localidades e cidades vizinhas na Zona da Mata Norte de Pernambuco, 38 grupos se apresentaram para o encanto de centenas de pessoas, de todos os lugares do Brasil e do mundo.

Um corredor montado Praça Papa João XXIII, mais conhecida como a Praça da Catedral, servia de passarela para que os maracatus abrilhantassem a celebração de mais um carnaval. De cima do palco, os mestres e as mestras comandavam os movimentos insinuantes dos caboclos de lança, Catirinas, Mateus, Reis e Rainhas através de suas toadas. No entorno, os foliões acompanhavam maravilhados a manifestação desta expressão popular tipicamente pernambucana.

Maracatu Coração Nazareno é composto exclusivamente por mulheres, de crianças com cinco anos de idade a idosas de 75 anos. Foto: Emanuel Leite Júnior/DP
Maracatu Coração Nazareno é composto exclusivamente por mulheres, de crianças com cinco anos de idade a idosas de 75 anos. Foto: Emanuel Leite Júnior/DP

A cada explosão de fogos de artifício, um novo grupo progride em direção ao epicentro da festa. Um dos primeiros a se apresentar foi o Coração Nazareno. Composto exclusivamente por mulheres, de crianças com apenas cinco anos de idade a idosas de 75 anos, o grupo se orgulha de, pelo 12º ano consecutivo, poder mostrar não só a força como também a irreverência das trabalhadoras rurais da Zona da Mata Norte.

Fundado em 1918, o Maracatu Cambinda Brasileira é o grupo mais antigo em atividade do estado. Sob o comando do jovem mestre Anderson Miguel e com seu brilho e cor, o grupo, que mantém suas raízes no Engenho Cumbe, foi um dos mais saudados pelo público.

Para o prefeito da cidade, Nado Coutinho, o encontro de maracatus é o apogeu do carnaval nazareno. “Nós nos preparamos o ano todo para esse momento”, afirma. “Quem não investe em cultura, não tem história. O cortador de cana passa o ano todo trabalhando e hoje vem fazer essa festa”, acrecenta. “Nós temos o cuidado de valorizar a nossa cultura, para perpetuar a nossa história”, enfatizou.

Este é o terceiro ano do casal Maria Cláudia, de São Paulo, e Aku Rosenquist, da Finlândia, no carnaval de Pernambuco e o primeiro em Nazaré da Mata. Foto: Emanuel Leite Júnior/DP
Este é o terceiro ano do casal Maria Cláudia, de São Paulo, e Aku Rosenquist, da Finlândia, no carnaval de Pernambuco e o primeiro em Nazaré da Mata. Foto: Emanuel Leite Júnior/DP

Cultura que encanta visitantes de todos os lugares. Como o casal Maria Cláudia, 34, e Aku Rosenquist, 32. Ela paulistana de São Paulo e ele finlandês de Forssa. Os dois vivem em João Pessoa e este é o terceiro ano seguido em que brincam o carnaval em Pernambuco. O primeiro em Nazaré da Mata. “Sempre admirei muito a cultura do Nordeste. E sempre fui fascinado pelo maracatu”, contou. Aku. “Ver o encontro de maracatus era algo que estava em minha lista de coisas a se fazer no Brasil”, disse Maria Cláudia. E o casal, que chegou à cidade no domingo e volta para a capital paraibana na terça-feira, teve todas as expectativas superadas. “É das coisas mais lindas que já vi”, afirmou ela. “É fenomenal”, arrematou ele.
Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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