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Com opções para todos os públicos, animes e mangás vivem auge no Brasil

“Dragon Ball” e “Cavaleiros do Zodíaco” quase todo mundo conhece. Mas é por novos volumes de “Assassination Classroom” e “The Seven Deadly Sins”, entre outros, que os leitores brasileiros de mangás anseiam mês após mês. Fãs de anime, por sua vez, contam os dias para os episódios semanais de “ERASED” e “Haikyuu!!”, que já chegam em português ao mesmo tempo que saem no Japão.

Foi-se o tempo em que apenas os maiores sucessos da cultura popular japonesa davam as caras por aqui. Hoje, mangás e animes vivem seu auge no Brasil com uma quantidade muito maior de lançamentos e produtos para todos os gostos.

“Talvez o mercado não tenha mais tanto impacto no mainstream, mas ele está muito mais maduro”, revela Fernando Mucioli, que trabalha com tradução de mangás e no serviço de streaming de animes Crunchyroll.

“Você encontra todo tipo de título, desde os mais fáceis de consumir – ‘Naruto’, ‘Bleach’, ‘Dragon Ball’, que fazem muito sucesso -, até outros que você nunca imaginaria que chegaria aqui”, afirma. “É um mercado maduro que permite que você lance praticamente qualquer tipo de produto e tenha um pouco para cada gosto”.

Em 2001, ano que passou a ser vendido o mangá de “Dragon Ball Z” no Brasil, foram lançadas 6 séries do estilo no país. Em 2015, foram mais de 40.

Reprodução/Toei Animation

“Cavaleiros” fez muito sucesso entre crianças e jovens nos anos 1990

Mercado amadurecido

“Com a chegada de alguns animes à TV nos anos 1990, as empresas começaram a trazer um monte de séries apostando grande, e no fim das contas o mercado acabou ficando saturado”, diz Mucioli.

“Quando eu comecei a consumir esse tipo de produto na época, você dependia da TV. A opção era ir na Liberdade e alugar VHS em japonês sem legenda, ou então ir em evento que tinha uma vez por ano”, relembra. “Hoje ninguém depende da TV para esse tipo de coisa. Você tem serviços de streaming, vários lançamentos, e eventos geek e de anime com muito mais frequência”.

O gerente de conteúdo da Editora JBC, Cassius Medauar, revela que as tiragens de mangás estão diminuindo não só no Brasil, mas também no mundo. Mas ele também garante que o mercado está mais maduro do que nunca.

“Estamos, sem dúvidas, no auge do mercado”, afirma. “Entre as várias editoras que temos, são mais de 40 lançamentos mensais de mangás no Brasil todos os meses”.

Divulgação

O mangá “Vitamin” trata com crueza a realidade de uma garota que sofre bullying

Mangá e anime para todo mundo

A maior parte dos mangás e animes que chegavam ao Brasil nas décadas passadas tinham algo em comum: o gênero “shonen”. Do japonês “garoto”, a palavra descreve o principal público-alvo de obras como “Yu Yu Hakusho” e “One Piece”.

Hoje, “shojo” (garotas), “seinen” (jovens homens) e “josei” (jovens mulheres) também são contemplados pelo mercado nacional. Histórias como a de “Vitamin” – um mangá sobre uma garota (sem super poderes) que luta contra o bullying no colégio – dificilmente seriam publicadas no Brasil de alguns anos atrás.

“O mercado de quadrinhos em geral no Brasil era muito voltado para o público masculino antes do mangá”, diz Cassius Medauar. “Junto de ‘Sandman’, da Vertigo e de alguns títulos europeus, o mangá trouxe bastante mulheres aos quadrinhos”.

“Pegue ‘Dragon Ball’: mesmo sendo voltado para meninos, é uma história para todo mundo. O menino cresce, tem família, tem filho. E com séries ‘shojo’, as mulheres sentem-se representadas. Com elas no mercado, a variedade de obras só cresceu”, afirma.

De certa forma, surpreende que o Japão – um país tão tradicional, com uma cultura construída em torno da família patriarcal – seja fonte de obras tão diversas, que toquem e interessem a todos os públicos.

Cassius explica: “Em toda expressão artística, o japonês expressa aquilo que ele não fala, não demonstra no dia-a-dia. Na hora de criar sua arte, eles falam o que estão realmente sentindo, o que eles acham – suas ideias reprimidas. E o japonês vê o mangá como uma forma de arte”.

Fonte: Bol.com.br

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