Últimas

Curdos avançam no norte da Síria apesar de disparos turcos

Sírio ferido aguarda na entrada do hospital de Kilis, Turquia, com uma criança no colo. Foto: Bulent Kilic/AFP
Sírio ferido aguarda na entrada do hospital de Kilis, Turquia, com uma criança no colo. Foto: Bulent Kilic/AFP

As forças curdas seguiam avançando nesta segunda-feira na província do norte da Síria de Aleppo, apesar da intensificação dos bombardeios da artilharia da Turquia, cuja estratégia foi denunciada pela Rússia como provocação.

No noroeste deste país em guerra, 19 pessoas, entre elas quatro crianças, morreram nesta segunda-feira em bombardeios, ao que parece da aviação russa, contra um hospital apoiado pela Médicos Sem Fronteiras (MSF), segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Quinze dias depois de uma grande ofensiva das forças do regime de Bashar al-Assad, apoiadas por bombardeios aéreos russos, a situação é muito complexa e confusa na província de Aleppo.

O exército sírio cerca quase totalmente os bairros rebeldes de Aleppo, antiga capital econômica do país, e avança agora ao norte.

Aproveitando o enfraquecimento dos rebeldes, submetidos a intensos ataques aéreos russos, as forças curdas também avançavam nesta província – apesar de três dias de bombardeios da artilharia turca -, tomando várias localidades que estavam nas mãos dos insurgentes.

“Os combates são intensos a oeste de Tall Rifaat entre as forças democráticas da Síria (FDS, curdos) e os rebeldes”, afirmou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

“Ao menos 26 rebeldes morreram nestes combates”, segundo o OSDH, que tem uma ampla rede de fontes na Síria.

Tall Rifaat é um dos três últimos redutos dos rebeldes no norte da província de Aleppo. Esta pequena cidade, cujo controle o exército sírio perdeu em 2012, está nas mãos dos insurgentes islamitas apoiados pela Turquia.

No domingo, 350 combatentes de uma facção islamita, Faylaq ao Sham, entraram a partir da Turquia para apoiar os rebeldes de Tall Rifaat, segundo o OSDH.

Nesta batalha de Aleppo, os curdos – que não estão alinhados com o regime nem com os rebeldes – querem sobretudo unir as regiões que controlam, uma a nordeste e outra a noroeste, para facilitar seu objetivo de autonomia, como o que os curdos no Iraque têm.

Território fragmentado

No entanto, a artilharia turca seguia nesta segunda-feira bombardeando pelo terceiro dia consecutivo a estrada a oeste de Tall Rifaat para tentar frear os reforços dos curdos do FDS.

No complexo conflito na Síria, o território está fragmentado entre o regime de Bashar al-Assad, as diferentes facções de rebeldes, os jihadistas do Estado Islâmico (EI) e os próprios curdos.

Eles se encontraram na linha de frente do combate aos jihadistas do grupo EI.

Apesar dos apelos de Washington e Paris para que coloque fim aos seus bombardeios, o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu advertiu que eles serão mantidos para impedir que os curdos se apoderem de Azaz, uma localidade situada a 10 quilômetros da fronteira.

Para os turcos, os curdos sírios pertencem a organizações terroristas vinculadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), grupo que realiza na Turquia uma sangrenta rebelião desde 1984.

Por sua vez a Rússia, que desde setembro apoia o regime de Assad e bombardeia posições dos rebeldes, também é aliada dos curdos. Moscou taxou nesta segunda-feira de provocadores os ataques turcos contra posições curdas e do regime de Assad e os classificou de “apoio não velado ao terrorismo internacional”.

Em Kiev, o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu acusou nesta segunda-feira a Rússia de agir “como uma organização terrorista” na Síria e ameaçou com uma resposta da Turquia “extremamente firme”.

O regime sírio também havia condenado no domingo os “reiterados ataques da Turquia”.

O crescente envolvimento de Ancara no conflito sírio inquieta os ocidentais, que são ao mesmo tempo aliados da Turquia na Otan, e dos curdos, considerados por eles a força mais capaz de lutar contra o grupo EI, que controla parte da Síria e do vizinho Iraque.

Cinco anos depois do início da guerra na Síria, que deixou mais de 260.000 mortos, a situação humanitária é catastrófica no país. Agravou-se após a ofensiva do regime, com o êxodo de milhares de pessoas que se agrupam diante da ainda fechada fronteira turca ao norte do país.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *