Diretor do BC diz que não há espaço para flexibilização das condições monetárias

BRASÍLIA (Reuters) – O diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, afirmou nesta quinta-feira que, avaliando tanto sinais do cenário externo quanto do doméstico, não há espaço para flexibilização das condições monetárias, e que a manutenção da vigilância pelo BC é fundamental para fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta em 2017.

“Dessa feita, o Banco Central perseguirá o objetivo de circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional, em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5 por cento, em 2017”, acrescentou ele Mendes ao participar de evento fechado em São Paulo.

Segundo o diretor, o ambiente externo com menor indicação de crescimento e a inflação e expectativas ainda elevadas no Brasil não abrem espaço para mudanças na condução da política monetária.

“Sopesados o ambiente externo com nítido viés de menor crescimento e a abertura do hiato do produto doméstico, as recentes leituras dos índices de preços no Brasil, ainda elevados; o estado das expectativas, que se encontram fora da zona de convergência; e os mecanismos de inércia inflacionária, que operam em nossa economia, não deixam espaço para uma flexibilização das condições monetárias”, disse ele em discurso publicado no site do BC.

Reagindo à fala de Mendes, a curva de juros futuros curtos passou a ampliar a alta, com operadores desfazendo apostas de corte na taxa básica de juros, que segue em 14,25 por cento ao ano desde julho do ano passado.

Mendes apontou que o processo de desinflação esperado para 2016 deve ser ajudado pelos desdobramentos externos e pelo hiato do produto, dado pela diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) e o PIB potencial da economia. Destacou ainda que os ajustes de preços administrados neste ano tendem a ser significativamente menores do que no ano passado.

Apesar disso, apontou que o BC “não pode descuidar de idiossincrasias e particularidades de nossa realidade econômica, como os mecanismos de indexação e o estado das expectativas inflacionárias, as quais ainda não convergiram”.

Diante desse cenário, “manter a vigilância, não obstante a esperada redução nos índices inflacionários acumulados que deverão ocorrer nos próximos meses, é fundamental para fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta”.

Segundo a mais recente pesquisa Focus do BC, que ouve semanalmente uma centena de economistas, a projeção de alta do IPCA é de 7,61 por cento em 2016 e de 6 por cento em 2017.

Em meio a discussões no governo sobre a necessidade de flexibilização da meta de superávit primário de 0,5 por cento do PIB para o setor público consolidado este ano, vista como inalcançável diante da cambaleante atividade, Mendes afirmou que o BC acredita na consecução desse alvo e segue adotando-o como hipótese de trabalho em suas projeções.

Porém, destacou a necessidade de maior capacidade política do governo. “Buscar as reformas que possam moderar a evolução dos gastos dentro de nossa realidade orçamentária é sem dúvida um grande desafio com o qual se deparam os gestores da política fiscal”, afirmou ele.

“E mais, faz-se necessário não só a capacidade técnica de propor as reformas, mas também a capacidade de articulação política para a sua aprovação”, acrescentou.

(Por Marcela Ayres; E)

Fonte: Bol.com.br

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