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Exaltando legado de Arraes, Vila Isabel abre 2º noite de desfiles no Rio

A Unidos de Vila Isabel entra na Marquês de Sapucaí às 21h33 e abre a segunda noite dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. A agremiação da zona norte carioca leva à avenida o enredo “Memórias do Pai Arraia – Um Sonho Pernambucano, um Legado Brasileiro”, que exalta o trabalho do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes na educação e na cultura..

Desfiles da primeira noite do Grupo Especial do Rio

As arquibancadas do sambódromo estão cheias e o público, bem animado, agita bandeirinhas da Vila Isabel. Na pista de desfile estão Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União e filha de Miguel Arraes, juntamente com outros membros da família do homenageado.

Seguindo a tendência já apresentada no dia anterior pela União da Ilha, a Vila também apresenta um desfile de fácil identificação do público, com símbolos que deixam os símbolos do espetáculo claros para os foliões.

Na entrada da Sapucaí, a Vila se mostra luxuosa, com o dourado predominando nas alegorias, que trazem também tons terrosos, alaranjados e arroxeados. A modelo Nicole Bahls está à frente do abre-alas, com fantasia representando o sertão. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Dandara Ventapane, representa a paisagem sertaneja.

Entre os destaques da escola está o ator Paulo Dalagnoli, que sai no carro abre-alas representando Miguel Arraes. O jovem ficou famoso como o Lírio, de “Malhação Sonhos”.

Além do “muso”, uma das grandes estrelas da agremiação é a rainha de bateria, Sabrina Sato, a mais festejada entre todas as musas do Rio e de São Paulo. A apresentadora da Record é superintegrada com os músicos da agremiação — que tem 283 ritmistas — e querida pela comunidade. 

A Vila tem uma longa tradição de enredos politizados. Já foi campeã relembrando a luta do negro pela liberdade com o antológico “Kizomba, a Festa da Raça”, além de ter celebrado a Declaração Universal dos Direitos do Homem e discutido a reforma agrária. Em um momento de intolerância ideológica, a escolha para o Carnaval 2016 parecia arriscada, mas a agremiação deixou clara que o tema seria pouco polêmico.

“Vamos falar de um fantástico trabalho de educação e valorização da cultura popular implantado por Arraes em Pernambuco, nos anos 60, mas que infelizmente foi abortado pela ditadura militar”, resume o carnavalesco Alex de Souza, de volta à escola após cinco anos na União da Ilha. O desafio é apagar a má impressão dos últimos carnavais. Em 2015, a Vila ficou em penúltimo.

Saiba o que a Vila Isabel preparou para apresentar na Sapucaí:

Primeiro setor
A Vila Isabel abre o desfile de uma forma bastante agreste, apresentando as agruras da seca. A roupa do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Dandara, representará a vegetação e fauna da caatinga. O imenso carro abre-alas, de 50 metros de comprimento, traz todo o cenário de aridez do sertão pernambucano.

Segundo setor
Neste setor, a escola traz outra paisagem inóspita, desta vez em solo urbano: as favelas de palafitas nos manguezais de Recife. Na alegoria deste trecho do enredo, figura um imenso guaiamum (tipo de caranguejo comum em Pernambuco). A estética é influenciada pelo trabalho do artista plástico Abelardo Da Hora, que fez parte do Movimento de Cultura Popular incentivado por Arraes.

Terceiro setor
O Acordo do Campo, que garantiu o pagamento de salário mínimo aos trabalhadores rurais, é retratado. As fantasias desse setor remetem aos cortadores de cana, às Ligas Camponesas e seus embates com os usineiros. A vida dura na usina de cana aparece em uma alegoria.

Quarto setor
Homenageia Paulo Freire, que, através do Movimento de Cultura Popular, colocou em prática um grande projeto de alfabetização. As alas representam as disciplinas. Lápis viram lanças, como armas para o crescimento humano. Neste setor, o orgulho pernambucano é refletido na roupa da bateria e os passistas representam a aula de história: o legado de Maurício de Nassau. A alegoria mostra a educação que edifica.

Quinto setor
Enfoca a valorização da arte popular realizada durante a vigência do Movimento de Cultura Popular. Homenageia J. Borges, xilogravurista da literatura de cordel, lembra o xaxado, os trovadores, os repentistas, Mestre Vitalino e o teatro de mamulengos. Ariano Suassuna é homenageado em uma alegoria, que traz elementos do Auto da Compadecida.

Sexto setor
Os folguedos, danças e festas típicas de Pernambuco são mostrados pela Vila Isabel no último setor. Personagens da congada e do maracatu desfilarão, assim como os caboclinhos e o frevo. Encerrando o desfile, na alegoria que contará com a Velha Guarda da escola, um gigantesco Galo da Madrugada, símbolo da folia recifense. Encerrando o desfile, uma ala que une características dos Carnavais carioca e pernambucano, misturando fantasias de bloco de rua aos  tradicionais bonecos de Olinda 

Fonte: Bol.com.br

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