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Festival de Teatro de Curitiba não é concurso de miss, diz novo curador

Maior evento teatral do Brasil em números, o Festival de Teatro de Curitiba chega aos 25 anos com nova curadoria e ainda mais experimental. São novos rumos: assume-se cada vez menos como palco para grandes estreias e cada vez mais um lugar de referendar trabalhos e fazer pequenas descobertas. O evento acontece na capital paranaense entre 22 de março e 3 de abril de 2016 com cerca de 350 espetáculos.

A nova curadoria tem à frente o ator Guilherme Weber e o diretor Márcio Abreu. E um traço forte dessa parceria no festival é o aumento do número de peças experimentais e de qualidade já comprovada pela crítica e pela própria classe teatral na Mostra Oficial, sem abrir mão das celebridades, misturando-os numa boa dosagem. Para Weber, trata-se de “um festival que abriu a cabeça das pessoas, que formou plateias e artistas”.

Felipe Panfili/AgNews

Guilherme Weber, novo curador do festival

Os curadores falam que pretendem ficar nos cargos por “três ou quatro edições” e que tiveram “um tempo impensável para idealizar uma curadoria”, que começou a ser desenhada em dezembro último.

Mesmo assim, afirmam que conseguiram construir um diálogo sobre o Brasil, mesmo sem encarar como obrigação fazer uma representação nacional da cena. “Isso é um festival de teatro, não um concurso de miss”, declara Weber. Ainda afirmaram que poderão programar peças feitas por suas companhias em edições futuras. “Não acho antiético, sobretudo quando curadores são também artistas”.

Na programação da Mostra Oficial, com 35 peças, há nomes conhecidos como Maria Bethânia, Dan Stulbach, Matheus Nachtergaele, Maria Luísa Mendonça, Eduardo Moscovis, Thiago Lacerda, Giulia Gam, Cláudio Lins e Paulo Betti. Junto deles, estão artistas consagrados na cena teatral, como Renato Borghi, Maria Alice Vergueiro e Denise Stoklos, e outros que despontam, como Grace Passô, Alexandre Lino, Rafael Gomes e Zé Henrique de Paula, em peças tanto destinadas ao grande público como também produções de caráter mais experimental.

Essa mistura diversa também é a nova cara do festival, que une qualidade cênica a nomes que são chamarizes de público –o evento espera este ano atrair 220 mil pessoas. E no Fringe, a mostra paralela, experimental e totalmente livre de curadoria, o evento cresce: são mais de 300 peças com artistas que tentam chamar a atenção do público, da crítica e de curadores de outros festivais na tentativa de alçar novos voos com seus espetáculos.

O número de peças internacionais este ano é pequeno, sobretudo pela crise econômica: apenas três obras, “Parallel Songs”, da Alemanha, “Tebas Land”, do Uruguai, e “La Bête”, uma co-produção Brasil-França com o performer brasileiro Wagner Schwartz.

Atrações de peso

Recentemente vitoriosa do Carnaval carioca com a Mangueira tendo sua trajetória como enredo, a cantora baiana Maria Bethânia abrirá a 25ª edição do Festival de Teatro de Curitiba com seu espetáculo “Bethânia e as Palavras” no Guairão, o mais tradicional palco curitibano. Nele, recita textos que marcaram sua vida.

Matheus Nachtergaele também leva elementos biográficos com a peça “Processo de Conscerto do Desejo”, definida por ele como uma “reconexão com sua origem e essência”, já que na encenação recita textos escritos por sua mãe, Maria Cecília Nachtergaele, que morreu em 1968, quando o ator ainda era bebê.

Dan Stulbach, que já operou luz em Curitiba no começo da carreira, diz que o Festival o “faz sentir parte do todo do teatro brasileiro”. Ele se apresenta com a peça “Morte Acidental de um Anarquista”, texto do italiano Dario Fo.

Já Claudio Lins estreia no evento com a versão musical de “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, projeto idealizado por ele. Diz que “ir a Curitiba é um sonho” realizado agora. “Antes, tinha uma relação de amor platônico com o Festival”.

Em 2016, 65 espaços curitibanos serão ocupados pelas artes cênicas no evento. O orçamento é de R$ 6 milhões, dos quais 80% foram garantidos pelos patrocinadores (60% via Lei Rouanet e 40% via verba direta) e 20% virá da bilheteria.

Diretor geral e um dos criadores do Festival de Teatro de Curitiba em 1992, Leandro Knopfholz diz que o evento é sólido. “Nestas 25 edições ininterruptas, passamos por cinco presidentes do Brasil”. Knopfholz afirma que o festival foi precursor de muito do que se fez no teatro brasileiro no último quarto de século e até mesmo dos realities shows de confinamento, lembrando da instalação “Aquariofobia”, que causou rebuliço na edição de 1997, quando artistas ficaram presos em uma casa de vidro aos olhos do público.

Serviço
25ª Festival de Teatro de Curitiba
Quando: De 22 de março a 3 de abril de 2016
Onde: Diversos endereços de Curitiba
Quanto:
MOSTRA 2016: De R$ 30 A R$ 70 (entrada inteira)
FRINGE: De R$ 6 A R$ 60 (entrada inteira)
RISORAMA: R$ 70 (entrada inteira) e R$ 35 (meia entrada)
MISHMASH E GURITIBA: R$ 40 (entrada inteira) e R$ 20 (meia entrada)
GASTRONOMIX: R$ 12 (não consumível)
Vendas:
– Pela internet: www.festivaldecuritiba.com.br
– Nas bilheterias dos shoppings:
Shopping Müeller – Av. Cândido de Abreu, 127 – Centro Cívico
Segunda a sábado – 10h às 22h /Domingos e feriados – 14h às 20h
Palladium Shopping Center – Av. Presidente Kennedy, 4121 – Portão
Segunda a sexta – 11h às 23h / Sábados – 10h às 22h / Domingos e feriados – 14h às 20h
Parkshopping Barigui – R. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 – Ecoville
Segunda a sexta – 11h às 23h / Sábados – 10h às 22h / Domingos e feriados – 14h às 20h
Pátio Batel – Av. do Batel, 1868 – Batel
Segunda à sábado – 10h às 22h / Domingos e feriados – 14h às 20h
Formas de Pagamento:
Dinheiro e cartões de débito e crédito, verificar nas bilheterias as bandeiras aceitas. (parcelamento em até 3x para compras a partir de R$ 420)
Descontos: para funcionário Renault, funcionários Copel, funcionários Petrobras, titulares do cartão Petrobras, comerciários do Sesc e seus dependentes, assinantes “Folha de S.Paulo”, Clube do Assinante da “Gazeta do Povo”, associados ao Sated, artista participante do Fringe.

Fonte: Bol.com.br

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