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Fiocruz Pernambuco detalha pesquisa de combate ao Aedes aegypti

Fiocruz busca maneiras de neutralizar avanço domosquito. Foto: Paulo Paiva/ DP
Fiocruz busca maneiras de neutralizar avanço domosquito. Foto: Paulo Paiva/ DP

Pesquisadores da Fiocruz Pernambuco detalham, na manhã desta segunda-feira, uma pesquisa que está sendo realizada no arquipélago de Fernando de Noronha para reduzir a proliferação do Aedes aegypti. O estudo, desenvolvido em conjunto com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), usa energia nuclear para esterilizar o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika, ligado à epidemia de microcefalia. Os insetos cruzam com fêmeas selvagens e interrompem o ciclo reprodutivo. A entrevista coletiva acontece na sede da Fiocruz, na Cidade Universitária.

Predominantes numa porporção de dez para um, os machos esterilizados vencem  a disputa pelo acasalamento com os mosquitos selvagens e introduzem espermatozoides inviáveis. Como a fêmea costuma ficar disponível para acasalar uma vez na vida, o cruzamento impede sua reprodução. A pesquisa usa insetos de uma subpopulação de mosquitos da própria ilha, na área da Vila da Praia da Conceição, e busca preservar suas características genéticas, que já estão adaptadas às condições ambientais do local.

A partir dessa subpopulação, mosquitos foram produzidos em massa no insetário da Fiocruz, na UFPE. A pesquisadora responsável, Alice Varjal, explicou que, ainda na fase de pupa (última antes da fase adulta), os mosquitos foram esterilizados no Irradiador Gammacel, do Departamento de Energia Nuclear da UFPE, através da fonte radioativa Cobalto 60. No estudo observado dentro do laboratório, foi verificada redução de 70% da viabilidade dos ovos.

“Os testes simularam a situação de campo, colocando machos estéreis com machos selvagens e fêmeas em grandes gaiolas, para observar se os machos irradiados manteriam suas qualidades competitivas e determinar a quantidade de mosquitos a ser liberada no ambiente”, disse.

Na fase atual da pesquisa, está sendo avaliado se o percentual de 70% se confirma no meio ambiente. Já houve nove liberações de mosquitos estéreis em Noronha, entre dezembro e a primeira quinzena deste mês. No fim de fevereiro, acontecerá a décima.
Em cada soltura, são liberados três mil machos estéreis em quatro pontos da Vila da Praia da Conceição. Cerca de 25 imóveis situados nessa área contam com uma ovitrampa, que serve como armadilha para a coleta de ovos do Aedes. Alice Varjal adiantou que o impacto da medida será avaliado pela quantidade de ovos inviáveis que serão coletados. Será medida a fecundidade (quantidade de ovos colocados) e a fertilidade (viabilidade dos ovos). Ainda não há prazo para a conclusão da pesquisa.

Objetivo perseguido há três anos

O estudo para desenvolver uma técnica de controle da reprodução não é recente. O trabalho foi iniciado em 2013, como pesquisa de mestrado (já concluída) e sequenciado por outro trabalho, de doutorado, em andamento.

A Fiocruz escolheu Noronha por causa do isolamento geográfico, que favorece o estudo, e pela base de dados, gerada pelo sistema de monitoramento do vetor, que já está consolidada no local. 

Com 103 ovitrampas instaladas, o sistema mapeou, nos últimos três anos, os locais e os períodos do ano de maior infestação, entre outras informações que serão utilizadas nessa intervenção.

Alice Varjal pondera que há uma característica do Aedes que é estratégica para sua sobrevivência e dificulta a obtenção de resultados mais rápidos. Em paralelo à população ativa de mosquitos (vísvel e se multiplicando regularmente), existem os ovos dormentes, com potencial para produzir larvas, aguardando apenas que criadouros secos voltem a receber água.

“A técnica vai interferir na população inativa, mas não de forma imediata. Só vamos observar o impacto ao longo do tempo”, afirmou.

Além da Fiocruz PE, participam o Grupo de Estudos em Radioproteção e Radioecologia do Departamento de Energia Nuclear da UFPE, e a Secretaria de Saúde do Distrito de Fernando de Noronha. 

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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