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Homem que matou rapaz diz que agiu em legítima defesa e é solto

Produtor rural relatou que rapaz tentou sequestrar a filha dele em MT. Grávida de 7 meses, adolescente disse que foi estuprada pelo rapaz.

 

O produtor rural suspeito de matar um jovem de 21 anos, na cidade de Brasnorte, a 580 km de Cuiabá, prestou depoimento à Polícia Civil nesta terça-feira (23) e alegou que a filha, de 15 anos, ficou grávida depois de ser estuprada pelo rapaz. Lucas Ferreira Batista foi morto a pauladas na sexta-feira (19) após procurar a família supostamente para conversar. A adolescente está grávida de 7 meses.

Apesar dos amigos e parentes de Lucas dizerem que existia um relacionamento entre ele e a adolescente, a família da garota negou o envolvimento. Inicialmente, a polícia de Mato Grosso também afirmava que os dois namoravam.

A família da adolescente chegou a registrar boletim de ocorrência na época do suposto estupro, porém, as investigações não avançaram.

No dia do assassinato, Lucas e o produtor rural brigaram. Para a polícia, o produtor rural alegou legítima defesa, já que teria sido agredido pelo rapaz. Ele relatou que usou um pedaço de madeira para golpear três vezes a cabeça de Lucas.

Depoimento
O delegado que ouviu o depoimento do produtor, André Luis Barbosa, declarou que a versão da família da garota foi esclarecedora. A adolescente acusou o rapaz de ter colocado uma espécie de droga na bebida dela durante uma festa e a estuprado.

“A adolescente alegava que tinha sido vítima de estupro. Ela disse que foi a uma festa, sem o consentimento dos pais, e lá consumiram bebidas alcoólicas. Em um certo momento ela perdeu a consciência e acordou com dor nas partes íntimas. Alguns meses depois ela percebeu que estava grávida. O agressor [Lucas] ficou sabendo e foi tentar assumir o filho”, explicou o delegado.

De acordo com o depoimento, a jovem não queria aproximação do rapaz e contou o que houve para os pais, que também não permitiram que Lucas fizesse contato com a adolescente. No entanto, conforme as investigações, Lucas insistia em assumir um relacionamento e o filho.

“Essa situação se arrastou por cinco meses. No dia do crime ele queria levar a menina embora, pretendia sequestrá-la. O pai deu um tiro para cima [como alerta]. Ele não respeitou esse aviso e partiu pra cima dele”, declarou André Luis.

O delegado entendeu que o caso se enquadra como homicídio privilegiado. Conforme o Código Penal, o homicídio privilegiado é quando a pessoa age por motivo de relevante valor social ou moral, sob forte emoção ou desespero, logo em seguida à injusta provocação da vítima.

“Eu percebi que é uma família muito correta e antes mesmo disso [do crime] eles já pretendiam assumir a criança e estavam dispostos a criá-la, mesmo sabendo que ela era fruto de uma violência sexual”, afirmou o delegado.

Por se apresentar e cooperar com as investigações, o produtor foi liberado depois do depoimento e deve responder por homicídio doloso (quando há a intenção de matar). O corpo de Lucas foi transladado para Rondônia, onde vivem os pais. O corpo dele foi enterrado no domingo (21) em Cerejeiras, Rondônia.

Versões
No primeiro momento a polícia havia recebido informações e declarado, com base em testemunhas, de que havia um relacionamento entre o jovem e a adolescente. No entanto, a família da adolescente grávida negou que havia um namoro entre eles e afirmou em depoimento que a garota foi vítima de estupro.

Ainda, o delegado tinha recebido a informação de que o pai teria matado Lucas por não aceitar o suposto namoro e a gravidez. A família da adolescente também contou ao delegado do caso que Lucas tentou assumir um relacionamento e uma gravidez depois que descobriu que a adolescente havia engravidado.

A polícia ainda vai ouvir outras testemunhas sobre o caso, inclusive profissionais do Conselho Tutelar que teriam atendido a adolescente na época do estupro.

 

 

G1

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