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Itália lamenta a morte de Umberto Eco, um dos grandes intelectuais europeus

O escritor e filósofo italiano Umberto Eco, autor do conhecido livro "O nome da rosa", faleceu aos 84 anos - anunciou a imprensa local nesta sexta-feira à noite.
Foto: AFP/Arquivos GIUSEPPE CACACE
O escritor e filósofo italiano Umberto Eco, autor do conhecido livro “O nome da rosa”, faleceu aos 84 anos – anunciou a imprensa local nesta sexta-feira à noite.
Foto: AFP/Arquivos GIUSEPPE CACACE

A Itália e milhares de leitores lamentavam neste sábado a morte do escritor e filósofo Umberto Eco, um dos grandes intelectuais europeus e autor do conhecido livro “O nome da rosa”.

Eco, de 84 anos, morreu em casa, às 21h30 locais de sexta-feira (18h30, horário de Brasília), de acordo com a família do autor.

O escritor, que vivia em Milão (norte), há tempos lutava contra o câncer.

O chefe de governo italiano, Matteo Renzi, prestou homenagem a um dos italianos mais conhecidos do mundo, romancista, mas antes de tudo semiólgo, linguista e filósofo.

“Era um exemplo extraordinário de intelectual europeu”, declarou Renzi. “Ele soube aliar uma singular inteligência do passado a uma extrema capacidade de antecipar o futuro”, acrescentou.

Seus amigos recordaram um bon vivant, que amava whisky. 

Nascido em Alessandria, no norte da Itália, em 5 de janeiro de 1932, Umberto Eco estudou Filosofia na Universidade de Turim e dedicou sua tese ao “problema estético em Tomás de Aquino”.

Aproximando-se dos 50 anos, ganhou o mundo com seu primeiro romance publicado, em 1980. “O nome da rosa” vendeu milhões de exemplares e foi traduzido em 43 idiomas.

O livro foi adaptado para o cinema, em 1986, pelo francês Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery no papel do monge franciscano Guillaume de Baskerville, o ex-inquisidor encarregado de investigar a morte suspeita de uma freira em uma abadia do norte da Itália.

“Visitamos vários monastérios juntos, ele era de um dinamismo louco, deixando-me sempre livre”, recorda o cineasta.

“Era um personagem fascinante, porque tinha uma erudição embaraçosa, que te faz sentir um pouco mal, mas de uma alegria de viver contagiante, relatou.

“Umberto Eco teve uma presença importante na vida cultural italiana dos últimos 50 anos, mas seu nome permanecerá ligado, a nível internacional, ao extraordinário sucesso de seu romance ‘O nome da rosa'”, acrescentou o principal jornal italiano La Repubblica.

“O mundo perde um dos homens mais importantes de sua cultura contemporânea”, publica La Repubblica em sua página na Internet.

Umberto Eco e outros grandes nomes da literatura italiana decidiram em novembro passado deixar a editora histórica Bompiani, comprada recentemente pelo grupo Mondadori (de propriedade da família Berlusconi), para se juntarem a uma editora nova e independente batizada “La nave di Teseo” (o navio de Teseo, o mítico rei de Atenas).

Escritura, ‘uma brincadeira de criança’

Poliglota, casado com uma alemã, Eco lecionou em várias universidades, especialmente em Bolonha (norte), onde ocupou a cadeira da semiótica até outubro de 2007, quando se aposentou.

Eco explicou que demorou para embarcar no gênero da ficção porque “considerava a escritura romanesca como uma brincadeira de criança que ele não levava a sério”.

Depois de “O nome da rosa”, ele ofereceu aos seus leitores “O Pêndulo de Foucault” (1988), “A Ilha do Dia Anterior” (1994) e “A Misteriosa Chama da Rainha Loana” (2004). Seu mais recente romance, “Número zero”, publicado em 2014, é um thriller contemporâneo centrado no mundo da imprensa.

Ele também é o autor de dezenas de ensaios sobre temas tão diversos como a estética medieval, a poética de Joyce, a memória vegetal, James Bond, a história da beleza ou da feiura.

“A beleza se situa dentro de certos limites, enquanto a feiura é infinita, de modo mais complexo, mais variado, mais divertido”, explicou em uma entrevista em 2007, acrescentando que sempre “teve afeição por monstros”.

Militante de esquerda, Eco não foi um escritor trancado em sua torre de marfim, sua abertura não o impediu de ter um olhar crítico para com a evolução da sociedade moderna.

“As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade”, declarou recentemente, lembra o jornal Il Messaggero.

“Nós os fazíamos calar imediatamente, enquanto hoje eles têm o mesmo direito de palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”, havia dito.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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