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Jornalista diz que FHC pagou para ela fazer dois abortos

A jornalista Mirian Dutra, de 55 anos, ex-repórter da TV Globo, concedeu entrevistas ao jornal Folha de S.Paulo e à revista BrazilcomZ, publicada na Espanha, nas quais fez críticas pesadas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem manteve um relacionamento amoroso.

À revista, Mirian afirmou que não acredita no resultado do teste de DNA segundo o qual FHC não é o pai de seu filho, Tomás, hoje com 24 anos.

“Eu acho que é mentira, porque eu só vi um documento, mas todo mundo pode enganar com um DNA. Ninguém questionou. Meu filho fez um exame, ele estava em um alojamento nos Estados Unidos, ‘você não pode contar pra sua mãe’. Fizeram escondido de mim, eu nunca proibi que fizessem DNA, nunca proibi absolutamente nada, ao contrário, eu sempre incentivei que fizesse, que tivesse contato, essa coisa toda”, disse Mirian.

À Folha de S.Paulo, Mirian diz que FHC pagou por dois abortos realizados por ela, além de bancar despesas do filho Tomás no exterior através de uma empresa durante o período dos mandatos de Cardoso (1994-2002).

Garantindo ter como comprovar o que afirma, Mirian, que conheceu o ex-presidente há 31 anos, disse que não quer “morrer amanhã e tudo isso ficar na tumba”. “Eu quero falar e fechar a página”, enfatizou.

Em um trecho da entrevista, Mirian revela momentos de quando conheceu FHC, em janeiro de 1985. “[Foi] quando Tancredo estava no hospital […]. Logo que a gente se conheceu, um mês depois, ele disse pra mim ‘Vai ter espaço para mim. Eu tenho que ser presidente. Só eu tenho capacidade para levar este país'”.

Dois abortos
Mirian revela que Fernando Henrique pediu e pagou para realizar dois abortos. “Pediu [para abortar]. Óbvio. ‘Eu te pago o aborto agora’, disse. Durante os seis anos com ele, fiquei grávida outras duas vezes, e abortei”, afirma.

“Quando eu disse que estava grávida, ele disse ‘você pode ter este filho de quem quiser, menos meu’. Eu falei: ‘não acredito que estou escutando isso de uma pessoa que está há seis anos comigo'”, conta Mirian.

A jornalista prossegue. “Eu não queria ter outro filho, tinha minha filha, estava muito feliz. Nunca pude tomar pílular ou colocar DIU porque tenho problema de rejeição a hormônio que venha de fora. Ele sabia disso”.

Anos seguintes
A reportagem questionou se o casal ficou sem se falar até o nascimento de Tomás. “Ele foi duas ou três vezes na minha casa. Quinze dias após o nascimento, foi me visitar”. Entretanto, a jornalista tinha decidido a ir embora do Brasil. “Aí eu antecipei todos os meus planos e meio que fugi mesmo. Lembro do impeachment do Collor, vi esse homem [Fernando Henrique] lambendo as botas do Itamar Franco, que ele criticava a vida inteira. Fui buscar trabalho em Portugal”. Mirian diz que recebeu ajuda do ex-senador Jorge Bornhausen, seu amigo em Santa Catarina.

Falta de reconhecimento e custeamento de Tomás
“Nunca o fez”, diz Mirian, ao ser questionada se FHC reconheceu Tomás como filho. “Em 2009, ele foi para os EUA e simplesmente colocou na cabeça do Tomás que ele não poderia contar para mim, mas que iriam fazer um DNA. Ele visitava o Tomás nos EUA depois da Presidência. Mas nunca foi criado com pai nenhum”.

A jornalista conta mais da relação de FHC com Tomás. “Quando Tomás fez três anos, aceitei que ele pagasse o colégio, pois queria que ele estudasse em um bom colégio”.

Permanência na Europa
Mirian saiu de Portugal e foi para Barcelona, na Espanha. “É quando eu digo que fui exilada, porque eu queria voltar pro Brasil e não permitiram”.

A Folha questionou quem não permitiu. “Antônio Carlos Magalhães (ex-senador da Bahia) pediu para que eu não voltasse para o Brasil”. ACM e seu filho, Luís Eduardo, diziam para ela ficar longe. “Diziam ‘deixa a gente resolver essas coisas aqui'”.

Denúncia
Mirian Dutra diz que, por meio de uma empresa, FHC mandava dinheiro para ela. “Não sei se posso falar. Não quero falar. Foi por meio de uma empresa que ele bancou [o filho Tomás no exterior]”.

Perguntada se possui como provar, ela confirma. “Tenho, tenho contrato. Tudo guardado aqui. Por que ninguém nunca investigou isso? Por que ninguém nunca investigou as contas que Fernando Henrique tem aqui fora? É claro que ele tem contas. Como ele deu, em 2015, um apartamento de 200 mil euros para o filho que ele agora diz que não é dele. Ele deu um apartamento para o Tomás”, questiona.

A versão de FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu à Folha de S.Paulo manter contas no exterior, além de ter mandado dinheiro para Tomás e ter lhe dado de presente o apartamento de 200 mil euros citado por Mirian Dutra.

Segundo FHC, os recursos enviados a Tomás provêm “de rendas legítimas” de seu trabalho, que seriam depositadas em contas legais e declaradas ao imposto de renda.

Fernando Henrique diz que as contas estão “mantidas no BB em Nova York e Miami ou no Novo Banco, em Madri, além de bancos no Brasil”.

O tucano diz que “nenhuma outra empresa, salvos as bancárias já referidas, foi utilizada para fazer esses pagamentos”.

Sobre o DNA, apesar de Mirian negar, FHC afirma que reconheceu Tomás em 2009, mas que fez dois testes nos EUA e que ambos deram negativo. “[Os dois testes comprovaram] que não sou pai biológico do referido jovem”, enfatizou.

Em relação à denúncia dos dois abortos, FHC não respondeu. Apenas declarou que “questões de natureza íntima, minhas ou de quem sejam, devem se manter no âmbito privado a que pertencem”.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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