Líder do PSDB vai levar adiante pedido de impeachment da presidente

"O impeachment é um processo absolutamente constitucional", disse Imbassahy. Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados
“O impeachment é um processo absolutamente constitucional”, disse Imbassahy. Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados

A prioridade da bancada tucana em 2016 será levar adiante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A afirmação foi feita pelo deputado Antonio Imbassahy (BA), que vai liderar o PSDB este ano na Câmara dos Deputados. A bancada conta com 53 deputados.

“O impeachment é um processo absolutamente constitucional. Ela cometeu crime de responsabilidade e, portanto, numa democracia, tem que ser afastada”, disse Imbassahy, que é natural de Salvador e, aos 67 anos, assume a liderança do partido pela segunda vez.

Nesta entrevista sobre as perspectivas de 2016, ele cobra do governo o envio das reformas estruturais do País e avisa que o partido somente aceitará discutir alterações tributárias se for para destinar mais recursos da arrecadação para estados e municípios.

A Agência Câmara está publicando entrevistas com todos os líderes de bancadas escolhidos ou reconduzidos neste ano.

Quais as prioridades da bancada do PSDB para 2016?
É trabalhar o impeachment, o afastamento da presidente Dilma a partir de uma convicção de todo o PSDB, das oposições e da maioria esmagadora da população, que com Dilma no Palácio do Planalto o Brasil só vai piorar ainda mais. E o impeachment é um processo absolutamente constitucional. Ela cometeu crime de responsabilidade e, portanto, numa democracia, tem que ser afastada. Vamos trabalhar essa prioridade aqui na Câmara dos Deputados. E também o afastamento da presidente via processos que estão correndo no TSE, irregularidades praticadas pelo PT e pela presidente durante a campanha presidencial de 2014. Isso é que é o fundamental.

Qual a posição do partido a respeito da recriação da CPMF?
Contra, absolutamente contra a CPMF e qualquer imposto. O brasileiro não aguenta mais isso. Não é razoável que, depois de tudo o que aconteceu, tanta incompetência, tanta roubalheira, queira o governo ainda colocar mais imposto. Isso é uma falta de respeito. E o PSDB vai continuar numa posição muito firme, vamos fazer de tudo para não permitirmos mais esse agravo no orçamento da população.

Em relação à reforma da Previdência, que tipo de mudança a bancada do PSDB defende?

Nós precisamos conhecer a proposta do governo. O governo está aí há 13 anos e não fez nenhuma reforma estruturante. Anuncia que quer fazer uma reforma da Previdência, mas não se sabe qual é. O PT não sabe o que quer. A partir do momento em que o governo encaminhe e que o PT explicitamente apoie, aí sim, vamos fazer as avaliações.

E qual a posição em relação à prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU)?
Tudo o que for importante para reduzir despesas governamentais vai contar com nosso apoio. A DRU vai nessa direção. Vai permitir que o governo faça corte de despesas, porque é um desperdício enorme, é dinheiro do contribuinte jogado pelo ralo. Então, queremos apoiar essa proposta, de permitir espaços orçamentários, que o governo federal reduza suas despesas, e que os governos estaduais e municipais possam ir na mesma direção.

Sobre a reforma tributária, que propostas podem ser aprovadas?
Evidentemente, existe uma absolutamente injustiça tributária. A distribuição de recursos entre os estados, os municípios e a União é completamente desbalanceada. O dinheiro maior do contribuinte acaba indo para o governo federal. E o que está acontecendo? Saúde piorou, educação piorou, segurança piorou. Não se fez absolutamente nada na infraestrutura. Só se fez os estádios de futebol e muitas deles estão até sob suspeita de corrupção e sem utilização necessária.

Então, não dá para o governo federal ficar com essa montanha de dinheiro e essa corrupção exagerada, em todos os aspectos. Não vamos querer uma reforma que não possa levar mais recursos para os estados e os municípios. Agora, quem tem que fazer a proposta é o Executivo. Vivemos no regime presidencialista e o Executivo é que tem que tomar a iniciativa. Mas não fazem nada. É uma completa desorganização, inépcia. O governo não se entende. Se o governo mandar uma boa reforma para cá, vamos estudar com muito interesse.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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