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Medida de controle do Aedes aegypti ainda não tem previsão de chegar ao continente

A técnica de controle do Aedes aegypti, que usa a energia para esterilizar os mosquitos machos da espécie, ainda não tem previsão de chegar ao continente. Quem informou foi a pesquisadora da Fiocruz em Pernambuco, responsável pelo estudo, Alice Varjal. Segundo ela, após um período de seis meses de observação na ilhota da Vila da Praia de Conceição, que compõe o arquipélago, o estudo se estenderá para toda Fernando de Noronha.

“A condição real de campo é diferente da de laboratório. E os mosquitos precisam ser liberados aos poucos e depois analisados. No ambiente urbano, principalmente em metrópoles, as condições de reprodução são muito favoráveis e o controle também, por isso é uma etapa que ainda está sem previsão”, disse Varjal.

A pesquisa isolou uma subpopulação de mosquitos da área da Vila da Praia da Conceição, e buscou preservar suas características genéticas, que já estão adaptadas às condições ambientais do local. O Aedes aegypti foi produzido em massa no insetário da Fiocruz PE e, ainda na fase de pupa (fase adulta), os mosquitos foram esterilizados no Irradiador Gammacel, do Departamento de Energia Nuclear da UFPE, através da fonte radioativa Cobalto 60.

No estudo observado dentro do laboratório, foi verificada uma redução de cerca de 70% da viabilidade dos ovos. O desafio dos pesquisadores agora é descobrir se esse percentual se confirma no meio ambiente. Nove liberações já foram feitas desde dezembro. Nesta terça (16), a décima soltura será realizada.

Em cada soltura, é liberada uma população de três mil machos estéreis em quatro pontos da Vila da Praia da Conceição. Cerca de 25 imóveis situados nessa área contam com uma ovitrampa, que serve como armadilha para a coleta de ovos do aedes. Alice Varjal adiantou que o impacto da medida será avaliado pela quantidade de ovos inviáveis que serão coletados. Será medida a fecundidade (quantidade de ovos colocados) e a fertilidade (viabilidade dos ovos).

A expectativa é de que os mosquitos machos esterelizados vençam a disputa pelo acasalamento com os mosquitos selvagens e passem os espermatozoides inviáveis, utilizados pelas fêmeas durante o seu processo de postura dos ovos, sem gerar novas larvas do inseto. Como a fêmea do mosquito costuma ficar disponível para acasalar apenas uma vez ao longo de sua vida, o cruzamento com machos estéreis acaba impedindo sua reprodução. Com a utilização dessa tecnologia, é esperada uma diminuição da densidade populacional do Aedes.

“Além das características geográficas de isolamento que favorecem o estudo, existe uma ampla base de dados, gerada pelo sistema de monitoramento do vetor, que já está consolidada no local – o SMCP-Aedes, desenvolvido pela Fiocruz PE e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com 103 ovitrampas instaladas, o sistema mapeou, nos últimos três anos, os locais e os períodos do ano de maior infestação, entre outras informações que serão utilizadas nessa nova intervenção”.

A Fiocruz PE conta com a parceira do Grupo de Estudos em Radioproteção e Radioecologia (Gerar) do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e a Secretaria de Saúde do Distrito de Fernando de Noronha.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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