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Múltiplas crises desafiam a UE às vésperas de reunião em Bruxelas

Se a União Europeia fosse um paciente, sua sobrevivência estaria sendo ameaçada por uma falência múltipla dos órgãos.

Essa é a visão de muitos especialistas, ao passo em que os líderes europeus se preparam para uma reunião em Bruxelas, que começa na quinta-feira. Analistas acreditam que a série de desafios combinados – como a crise dos refugiados, as ameaças enfrentadas pela moeda comum do bloco e o plano do Reino Unido de realizar um referendo sobra sua permanência na União Europeia – pode ser insuportável para o bloco.

Há apenas 20 anos, a UE parecia estar crescendo em estatura, à medida que oferecia liberdade e democracia, junto com subsídios lucrativos, alianças militares e bilhões em investimentos estrangeiros.

Agora, navios de guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão navegando em direção ao Mar Egeu em uma campanha crescente para impor a ordem na caótica chegada de mais de um milhão de imigrantes, que não diminuiu, apesar do clima de inverno no sul do continente.

Mini-blocos informais foram formados dentro da UE, com alguns países se reunindo para desafiar, ou apenas ignorar, o anúncio do programa de reassentamento de refugiados no bloco. Controles temporários de fronteira foram adotados em países importantes, incluindo Alemanha e França, ameaçando a noção de liberdade de movimento através das fronteiras europeias.

O Reino Unido, uma potência militar com um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), está demandando concessões antes de um referendo sobre a permanência da nação na UE.

Ian Kearns, diretor do grupo de pesquisa Rede de Liderança Europeia, em Londres, disse que a UE está passando por uma crise existencial, com a diminuição do senso de missão do bloco. Para ele, países estão perseguindo seus interesses nacionais em vez de soluções coletivas, e a noção de solidariedade europeia está desaparecendo.

“É uma incógnita saber se a UE vai sobreviver por muito tempo”, disse. “Eu acho isso muito sério. Não é só a crise imigratória ou a questão do Reino Unido. O desafio é a falta de confiança na principal classe política da Europa, que, evidentemente, toma conta da região, manifestada no aumento de movimentos populistas. A crise imigratória apenas destacou isso”, completou.

A reunião de cúpula tem como objetivo encontrar uma resposta coletiva para a chegada de tantas pessoas no continente. Líderes considerarão pequenas mudanças no status do Reino Unido no bloco – a fim de tranquilizar os eleitores britânicos antes do referendo -, além de avaliar a implementação de compromissos com a política de migração.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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