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Obras inacabadas do Teatro do Parque se transformam em possível foco do Aedes

Laje apresenta pontos de alagamento sempre que chove. Foto: Rodrigo Dourado/ Cortesia
Laje apresenta pontos de alagamento sempre que chove. Foto: Rodrigo Dourado/ Cortesia

Fechado desde 2010, o Teatro do Parque pode ter se transformado em palco para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, agente transmissor de dengue, zika e chikungunya. Vizinho do prédio há mais de 10 anos, o professor da Teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Rodrigo Dourado, denunciou na comunidade Direitos Urbanos nas redes socais a existência de vários pontos de água parada no imóvel. “O presente deixado pela Prefeitura do Recife na reforma do Teatro do Parque. Um belíssimo foco do aedes. Ao que parece, a reforma está parada há meses. Vejam a situação do barracão de obras e dos jardins do teatro onde havia intenso movimento de operários anteriormente”, postou, acrescentando fotos do local.

Rodrigo conta que há meses atrás também reclamou do risco da obra inacabada. Segundo ele, na ocasião uma lona plástica que armazenada água foi retirada e a laje do prédio foi cimentada. No entanto, sem drenagem, o local apresenta pontos de alagamento sempre que chove. Além disso, os jardins, sem cuidados, amontoam folhas secas que também se transformam em pequenos criadouros do Aedes. “Acho bem importante esse reparo na obra, um serviço de drenagem ou esse problema vai ficar pra sempre. Essa água precisa escoar”, aponta o professor.
A Secretaria Municipal de Saúde encaminhou o caso para a Gerência de Vigilância Ambiental que cobre a área do Teatro do Parque. Uma equipe foi acionada para visitar o local ainda esta manhã.

Folhas secas que também se transformam em pequenos criadouros do Aedes.Foto: Rodrigo Dourado/ Cortesia
Folhas secas que também se transformam em pequenos criadouros do Aedes.Foto: Rodrigo Dourado/ Cortesia

 

Em dezembro de 2014, um inquérito civil foi instaurado no Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para discutir a reforma inacabada do Teatro do Parque. A medida foi proposta pelo promotor Ricardo Coelho, apontando a importância do Imóvel Especial de Preservação (IEP) para o estado.

O teatro está fechado desde 2010 e em dezembro de 2014 teve as obras de reforma iniciadas. O projeto, orçado em R$ 8,2 milhões, nunca foi concluído, motivando uma série de mobilizações e protestos, principalmente, da classe artística e representantes de movimentos culturais. O caso também foi levado à Assembleia Legislativa (Alepe) pela deputada estadual Priscila Krause (DEM).

Em agosto de 2015, os cem anos do teatro não foram marcados por festa, mas por manifestração. Um grupo de artistas encenou um velório em frente ao imóvel. Os organizadores da iniciativa, o grupo de teatro João Teimoso e o grupo Guerrilha Cultural levaram flores, velas e cartazes.

A Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico-Cultural (ZEPH) do bairro da Boa Vista cumpre uma recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e inclui edificações de valor urbanístico, arquitetônico e histórico como o Pátio de Santa Cruz, o Mercado da Boa Vista e o Teatro do Parque. Ao todo, são 19 quadras e 301 imóveis, incluindo alguns Imóveis Especiais de Preservação (IEP), construções cuja proteção é dever do município. Além de estar vulnerável à especulação imobiliária, a região também sofre com o abandono.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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