ONU pede à Turquia que abra fronteiras para refugiados sírios

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu às autoridades da Turquia que abram suas fronteiras aos migrantes sírios que têm fugido da violência no país. O escritório de ajuda humanitária das Nações Unidas (OCHA, na sigla em inglês) teme que 300 mil moradores de Alepo, província no norte da Síria que tem sido alvo de ataques aéreos russos e sírios, fiquem sem acesso à ajuda humanitária com a continuidade dos bombardeios sobre a região.

Outros milhares de cidadãos podem não ter a chance de fugir da área de conflito, acrescentou a OCHA. Líderes locais da agência da ONU afirmam que, com um plano de contingência, seria possível permitir que cerca de 150 mil pessoas emigrassem para outras regiões do interior do país.

Há pouco, durante encontro com integrantes de seu partido, o primeiro-ministro da Turquia Ahmet Davutoglu conclamou a comunidade internacional a condenar a Rússia por “bombardear sem piedade alvos civis na Síria”. Davutoglu disse ainda que a Rússia vai eventualmente se retirar do país por “constrangimento”, de forma semelhante ao que ocorreu quando os russos deixaram o Afeganistão.

Davutoglu insistiu que a Turquia não fechou suas fronteiras aos refugiados, embora desde a semana passada autoridades do país não estejam permitindo o ingresso de novas levas de migrantes em seu território. Um funcionário do governo informou que a Turquia vai cuidar dos sírios que já tiverem entrado no país “tanto quanto for possível”. Cerca de 2,5 milhões de refugiados já vivem na Turquia.

Ontem, durante visita da chanceler alemã Angela Merkel ao primeiro-ministro turco, os dois países estabeleceram um plano para lidar com a crise de refugiados sírios que inclui um esforço diplomático para por fim aos ataques aéreos a Alepo, província no norte da Síria. Eles devem recorrer à ONU para pedir o cumprimento da resolução aprovada em dezembro que prevê a suspensão, de forma imediata, de ataques à população civil.

Ainda pelo acordo, forças de segurança turcas e alemãs atuarão juntas para combater a atuação de grupos de tráfico de refugiados. Os dois líderes devem solicitar também a colaboração da estrutura de observação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na fronteira com a Síria e no mar Egeu.

O número de sírios que ainda permanecem em áreas sitiadas pode ser superior ao estimado pela ONU no mês passado, de aproximadamente 486 mil pessoas. A organização não-governamental holandesa PAX e o Instituto Sírio, localizado em Washington (EUA), divulgaram hoje relatório informando que mais de um milhão de sírios se encontram em áreas de conflito. Alguns grupos de ajuda humanitária têm acusado a ONU de minimizar a crise de refugiados sírios.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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