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Pacientes enfrentam longas esperas nas emergências de hospitais particulares do Recife

Emergencias dos hospitais particulares do Recife encontram-se lotadas de pacientes por causa da epidemia de arboviroses. Foto: Ricardo Fernandes/DP
Emergencias dos hospitais particulares do Recife encontram-se lotadas de pacientes por causa da epidemia de arboviroses. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Emergências lotadas com pacientes espalhados pelo chão, aguardando mais de oito horas pelo atendimento em alguns casos. O quadro, que infelizmente é rotina na rede pública, também passou a descrever as salas de espera dos principais hospitais particulares do Recife. Reflexo da epidemia de arboviroses como dengue, chikungunya e vírus zika que assombra a população, provocando um crescimento de até 40% no movimento.

Numa tarde de visitas às principais emergências da rede privada, a reportagem do Diario constatou o que muitos pacientes descobriram da pior maneira: não adianta procurar um hospital livre do cenário descrito acima. Em todas as unidades visitadas, havia um forte sentimento de revolta com a longa espera pelo atendimento. “Cheguei com minha filha de manhã e ainda não tenho uma previsão de quando ela será atendida”, reclamava a advogada Eliana Oliveira, que saiu de Serra Talhada, no Sertão do Estado, e esperava por atendimento no Hospital Português. “Ela não pode mais ficar aqui. A gente paga caro pelo plano de saúde e tem que enfrentar esse tipo de coisa. E o pior é que no interior as coisas estão ainda piores. É um absurdo. A sensação é de que a população está abandonada. Nem com a rede particular podemos contar mais.”

No mesmo hospital, o bancário Pablo Roberto da Mota Silveira, chegou a desistir do atendimento depois de oito horas de espera. “A realidade é que estou saindo pior do que entrei. Cheguei às 8h50 e estou até agora (17h) sem tomar qualquer medicamento, além de não ter nem conseguido me alimentar. Estou decidido a ir embora e pagar um médico particular. Ainda por cima, vou ter que pagar uma fortuna de estacionamento”, reclamou, pouco antes de resolver ficar para esperar o atendimento. “Fui pedir um atestado de comparecimento para poder levar para o trabalho, mas disseram que eu precisava escrever uma carta de próprio punho e aguardar cinco dias para receber o documento. Aí o jeito vai ser esperar pelo atendimento mesmo.”

A aposentada Nair Uchoa chegou ao Hospital Santa Joana no início da tarde para levar os dois netos, com suspeita de chikungunya. “Não temos previsão para ser atendidos antes das 18h. E já soube que em todo lugar está do mesmo jeito”, desabafou.

De acordo com os plantonistas, a procura pelos serviços de urgência deu um salto significativo no último mês, pegando as equipes de surpresa, como explica o coordenador da urgência do Santa Joana, o obstetra Edilberto Rocha. “Conseguimos nos preparar um pouco melhor esse ano, porque em 2015 fomos surpreendidos por este movimento também. O problema é que estávamos esperando esse aumento por volta de março, abril, como foi ano passado”, argumentou. O médico explicou que ainda assim, o hospital reforçou o serviço, aumentando o número de leitos e de profissionais. “Aumentamos em 20% a capacidade dos leitos da emergência. Fizemos um reforço de pessoal e conseguimos melhorar o tempo do resultado dos exames laboratoriais.”

Edilberto, entretanto, explica que diante do cenário atual, não há muita coisa que os hospitais possam fazer para solucionar o problema das lotações. “O problema é que além da epidemia de doenças exantemáticas como dengue, chikungunya e zyka, está coincidindo também com a época do aumento das doenças virais. Estamos buscando novas soluções, posso garantir. Sabemos que é angustiante para os pacientes e isso nos angustia também, pode ter certeza.”

Apesar de ter sido adquirido recentemente por um novo grupo e passado a adotar um modelo próprio de atendimento, o Esperança não conseguiu fugir do quadro de lotação de sua emergência. “Cheguei um pouquinho antes das 12h e não tenho previsão pra ser atendido. Eles tiraram até o tempo de previsão para atendimento do painel. Mas resolvi ficar porque não tem alternativa. Todo hospital está desse jeito. Sei que são 18h e tem mais de 30 pessoas na minha frente ainda. Não sei que horas vou sair daqui”, contou o motoboy Diógenes Fernando.

De acordo com o coordenador da emergência do Esperança, Marco Antônio Alves, o hospital vem adotando algumas medidas para melhorar o atendimento, mas a própria característica dos pacientes que vem procurando o serviço acaba impedindo esta evolução. “A maioria chega apresentando sintomas de arboviroses (das quais fazem parte a dengue, a chikungunya e o vírus zika) e estes pacientes precisam de uma atenção maior. Eles chegam com um maior número de queixas, com mais sintomas, e quase sempre têm uma necessidade maior de medicação. Além de precisarem ser hidratados, muitos não conseguem reverter o quadro febril com a primeira dose de remédio. E ainda tem as dores nas articulações. Tudo isso aumenta o tempo de atendimento”, argumentou.

Diante do problema, os médicos pedem que os pacientes tenham atenção aos sintomas, evitando procurar os hospitais aos primeiros sinais de infecção. “O que podemos recomendar é que os pacientes observem os critérios de gravidade dos quadros. Enquanto os sistemas estiverem mais leves, com febre baixa e ausência de dor, evite procurar a emergência. Se for assim, é melhor procurar um ambulatório ou um consultório. Mas se o quadro evoluir, não tem outro jeito, a não ser procurar um hospital.”

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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