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Planta australiana pode ajudar a produzir camisinha resistente e ultrafina

Rocío Otoya.

Sydney (Austrália), 17 fev (EFE).- Uma erva nativa da Austrália, cuja resina é tradicionalmente usada pelos aborígines para afinar a ponta de lanças, permite melhorar a produção do látex e fabricar preservativos ultrafinos e fortes.

Um grupo de cientistas da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, se inspirou no conhecimento tradicional aborígine para extrair a nanocelulose da erva de spinifex. Esta nova nanocelulose tem características especiais porque não é apenas muito fina e mais forte do que as já encontradas até o momento.

“Sua estrutura lhe dá flexibilidade”, disse à Agência Efe Nasim Amiralian, uma das pesquisadoras do projeto comandado pelo Instituto Australiano de Bioengenharia e Nanotecnologia da UQ.

De acordo com Amiralian, o processo de extração consome pouca energia, o que permite reduzir os custos de produção e dar a este material uma posição atrativa no crescente mercado de aditivos para reforçar borrachas

Já para o pesquisador da UQ, Darren Martin, a nanocelulose da spinifex é uma grande descoberta.”É o Santo Graal das borrachas naturais”, enfatizou.

O novo material já foi testado na fabricação de látex em uma linha comercial nos Estados Unidos, onde foi submetido a testes de ruptura que consistem em inflar os preservativos para medir o volume e a pressão.

“Em média, conseguimos um aumento de 20% do rendimento no que se refere à pressão e de 40% com relação ao volume em comparação a amostras de controle do látex comercial”, acrescentou Martin.

Os cientistas acreditam que podem continuar aprimorando o produto para produzir um preservativo 30% mais fino do que os que já existem, sem que suas novas características prejudiquem a capacidade para cumprir com os padrões exigidos.

“No ano passado, conseguimos reduzi-lo a 45 micrones em nosso primeiro teste comercial, o que equivale, mais ou menos, a largura de um fio de cabelo”, detalhou Martin.

Segundo ele, além de conseguir preservativos mais finos e mais profiláticos, o novo material permitirá colocá-los no mercado a um preço menor, já que se utilizaria uma menor quantidade de látex na produção.

Tudo isso poderia ajudar a melhorar a aceitação das camisinhas e, consequentemente, melhorar a luta contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Os criadores da nova técnica acreditam que outra das potenciais aplicações é a fabricação de luvas cirúrgicas finíssimas que permitam aos médicos uma melhor sensação na hora de operar e uma menor fadiga das mãos.

“Nos comprometemos seriamente na comercialização de atividades para a tecnologia da nanocelulose do spinifex assim como seu processo de validação para várias oportunidades comerciais como os cateteres de borracha e outros materiais, filtros de água e o precursor das fibras renováveis de carvão”, indicou Amiralian.

O projeto também tem um viés social. Ele reconhece a contribuição do conhecimento tradicional dos povos originais da Austrália e, por isso, os pesquisadores assinaram um convênio com um grupo de aborígenes para fazê-los partícipes dos lucros derivados da tecnologia para extrair nanocelulose do spinifex.

Se a comercialização da tecnologia der certo, ela motivará o cultivo da planta, o que representaria uma contribuição à economia de zonas desérticas e remotas da Austrália, normalmente habitada por essas comunidades.

“A erva do spinifex foi muito ignorada como um recurso sustentável, apesar de sua ampla distribuição em toda Austrália e de suas características biológicas únicas que lhe permitiu evoluir em condições difíceis”, explicou Amiralian.

Fonte: Bol.com.br

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