'Podia voltar': programas que renderiam quadros – Parte 2, por Rafael Fialho

‘Podia Voltar’: Programas que renderiam quadros – Parte 2

Por Rafael Fialho* (rafaelbfialho@gmail.com)

A indústria de formatos televisivos produz a todo vapor nos últimos anos, e é só pintar alguma feira internacional para os executivos fazerem as malas e partirem rumo a outros países, com a esperança de trazer de lá alguma grande ideia capaz de gerar repercussão, audiência e lucro. Mas o que fazer quando bons produtos acabam ficando nas mãos da Globo (The Voice), Record (A Fazenda) e até mesmo da Band (Masterchef)? O jeito é recorrer a uma solução caseira, com ingredientes baratos e conhecidos.

Alguns programas que poderiam virar quadros (Foto: Reprodução/SBT)


É o que fez Ratinho, que em uma estratégia certeira, investiu na segmentação do conteúdo de seu programa – situado em uma faixa de horário altamente competitiva. Em vez de buscar atrações impactantes e bombásticas – algo que a periodicidade diária acaba por esgotar –, ele foi buscar em seus próprios arquivos um modo de se sobressair. E conseguiu. Com uma sacada simples, mas eficaz, seu programa passou a se estruturar em grandes quadros, reservados a cada um dos cinco dias de exibição. Assim, segunda é o dia do Dez ou Mil, na terça tem o Tempo de Ganhar e na sexta, o DNA, por exemplo.


Não é nada do que já não se tenha visto antes: há heranças de game shows, programas de calouros, entrevistas, histórias de terror, o famigerado tobogã e homenagens a artistas esquecidos. Mas além de diversificar a produção, esse esquema de um quadro por dia gera ainda a fidelização, atraindo o telespectador para suas edições como se fossem programas independentes. É isso que venho propondo, em discussão iniciada no texto anterior: que antigos programas voltem repaginados como quadros. Abaixo, mais sugestões de conteúdos a serem aproveitados:


Mundo Pet (2014)


Junto com os realities gastronômicos e as investidas no domingo de manhã, Mundo Pet parece ter sido feito apenas para encher os cofres da emissora: quase não houve divulgação, e a exibição ficou restrita a poucas praças, como São Paulo. Não foi uma grande revolução, mas mostrou-se em uma agradável mistura de conteúdos como curiosidades animais, resgate de pets com Luisa Mell, visitas a bichos dos famosos e até quadro de adestramento. Todas essas seriam ótimas opções para matérias no Domingo Legal, no Eliana e no Okay Pessoal!!!. Os programas ganhariam mais pautas e mais formas de faturar, já que os quadros têm o potencial de atrair anunciantes específicos de produtos para animais. Com material direcionado, as ações de merchandising não soariam tão deslocadas como acontecia no anúncio de ração para cães no reality musical Esse Artista Sou Eu.

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Festival 30 anos (2011)


Até agora não se viu nada específico para a comemoração dos 35 anos do SBT, a serem completados em agosto deste ano. Mesmo que não haja um programa especial como aquele que lançou Patricia Abravanel como apresentadora há cinco anos, a ideia de visitar a história da emissora podia aparecer em algum programa da casa. Pode ser desde um espaço no programa de Otávio Mesquita, uma série de reportagens no SBT Brasil, uma edição temática do Casos de Família com telespectadores contando suas experiências com o canal, até um quadro no The Noite (com paródias, recriações ou brincadeiras com o arquivo, como faz Marcos Mion no seu Vale a pena ver direito). O que não vale é a data passar em branco.

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Um milhão na mesa (2011)


Mais um dos programas do patrão que deixaram saudades, o investimento mais recente em game show solo no SBT surgiu em 2011 em parceria com a Nestlé, patrocinadora master. Com direito a avant première, o programa surgiu justamente dentro do Programa Silvio Santos, em uma espécie de teste. Na ocasião, a audiência foi de quase 12 pontos. Então por que não dar uma segunda chance a um formato tão interessante? O quadro Nada Além de Um Minuto merece férias, e em seu lugar poderiam entrar várias adaptações de game shows. Se o problema for o custo de produção ou o alto prêmio, Silvio Santos é capaz de dar um “jeitinho” e tornar o quadro uma alternativa viável. Em sua primeira temporada, o programa originou até licenciamento para um jogo de tabuleiro, o que poderia ocorrer novamente.

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Você é mais esperto do que um aluno da 5ª série? (2007)


Essa insólita pergunta deu nome a um game apresentado nas tardes de domingo do Programa Silvio Santos. Não foi um sucesso estrondoso, não marcou época, mas poderia ser uma opção para o Domingo Legal. O formato consiste em um jogo de conhecimentos escolares no qual as crianças ajudam os adultos a responderem perguntas dignas de alunos do ensino fundamental. Com a condução de Celso Portiolli, a expertise que o SBT acumulou com produções infantis e com o público vindo do Mundo Disney, quem sabe essa não seja uma alternativa ao espaço do Passa ou Repassa, já saturado? Dá até para imaginar o elenco das novelas participando como alunos.

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Desafio dos alunos nota 10 (2001)


A sugestão para o Domingo Legal vem de um programa que só os fãs mais fiéis de Silvio Santos vão se lembrar. A intenção era reconhecer o melhor aluno de ensino fundamental do Brasil, com direito a prêmios como dinheiro na poupança, Computador do Milhão e até diploma recebido pelas mãos do Presidente da República. Não assisti a esse programa, mas ele se encaixa no argumento utilizado acima: acredito que uma disputa de conhecimentos gerais que tenha como protagonistas crianças e pré-adolescentes pode acenar como uma boa possibilidade de migração de público – tanto da atração que vem antes (Mundo Disney), quanto do quadro que, repetido à exaustão, deveria sair do ar (Passa ou Repassa).

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Comercialmente, programas solo têm mais possibilidades de captar recursos, mas talvez a principal vantagem em resgatá-los seja um enriquecimento artístico. Esses e outros formatos podem não ter sido os mais vitoriosos, mas comprovam a diversificação de conteúdo que o SBT conquistou ao longo dos anos. Mas essa visita ao passado deve ser realizada de modo a tentar atualizar as ideias; os malfadados regressos do Aqui Agora (2008) e do Viva a Noite (2007) mostraram que não basta apenas reproduzir o que foi feito antes. Talvez a interatividade com as redes sociais seja um ponto a ser trabalhado. 


*É jornalista mestrando em Comunicação Social pela UFMG e fez do SBT seu objeto de estudo: pesquisa o canal há tempo e atualmente estuda a interação da emissora com seu público a partir da análise das vinhetas institucionais. Atualmente escreve artigos de opinião às quartas-feiras no SBTpedia. Para conhecer seus trabalhos sobre o SBT, mandar críticas, sugestões ou trocar ideias, escreva para rafaelbfialho@gmail.com

Fonte: SBTpedia (www.sbtpedia.com.br)

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