Por medo do zika, grávidas vão terminar gestação nos Estados Unidos

A decisão de brasileiras de ter os filhos em Miami é antiga. Antes, a opção ocorria a partir da 32ª semana. Agora, ela acontece no início da gravidez. Foto: Frederico Marsicano/Reprodução
A decisão de brasileiras de ter os filhos em Miami é antiga. Antes, a opção ocorria a partir da 32ª semana. Agora, ela acontece no início da gravidez. Foto: Frederico Marsicano/Reprodução

O medo do vírus zika e os mais de 4 mil casos suspeitos de microcefalia têm feito mulheres de todo o Brasil mudarem planos relacionados à gravidez, e algumas têm preferido passar a gestação no exterior. Com um grupo de amigas gestantes, Juliana Costa Melo, 27 anos, deixou o Recife em dezembro a caminho de Miami (EUA). Muito assustada com o surto no estado — que investiga 1.159 registros da malformação —, ela decidiu se mudar rapidamente. “Foi uma decisão em cima da hora. Já tinha me afastado do trabalho porque colegas tinham pegado zika. Conversamos com a família e, em dois dias, já estávamos em Miami”, conta.

Em 15 dias, Juliana e o marido, Eduardo, já estavam instalados na cidade americana e pretendem voltar ao Brasil só em junho. A gerente de produção de uma loja de confecções conseguiu uma licença remunerada no trabalho mais extensa e Eduardo é dono de uma loja virtual. Agora, com 33 semanas de gestação, eles aguardam o nascimento do bebê, previsto para o início de março. “Foi uma decisão incrível. Saí de uma prisão domiciliar para uma cidade maravilhosa. Não iria me perdoar se tivesse uma pessoa com uma doença tão grave porque não fiz esse investimento agora.”

Na opinião da médica Ângela Rocha, chefe do serviço de infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, sair do país é uma alternativa, mas para muito poucos. Fora gastos com passagem e moradia, na clínica em Miami, o pacote mais barato de acompanhamento da gestante custa US$ 9.840 (cerca de R$ 38.345). “O Brasil vive uma situação epidemiológica muito complicada, com graves consequências para as gestantes. Mas, infelizmente, a única alternativa para a maioria é se cuidar e proteger o próprio ambiente. A fase é de muita insegurança.”, afirmou

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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