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Salvador aposta em trios sem cordas e faz Carnaval para todos os bolsos

Se no início do Carnaval de Salvador ter Ivete Sangalo abrindo a folia sem cordas – sem foliões pagando abadás – dava a sensação de crise, ao final da festa a percepção é diferente. Com cerca de 800 mil visitantes na cidade, Salvador conseguiu atrair um número significativo a mais de pessoas do que em outros anos. Por outro lado, neste ano foram ao todo dez dias de blocos nas ruas, o que esticou a folia somando 10 dias.

Com festa para todos os bolsos, os foliões parecem ter aprovado a ideia de trios sem corda relembrando os carnavais antigos. A estudante Larissa Oliveira está pela primeira vez em Salvador no camarote de uma marca de cerveja, mas já desceu para a pista para ver os trios mais de perto.

“Vi Saulo e Daniela de perto, preferi comprar o camarote para ter mais conforto e não gastar tanto com bebidas, aqui eu posso descansar, comer, tem shows exclusivos, mas dá para descer a hora que você quiser e curtir lá embaixo que é bem gostoso também”.

O empresário Leonardo Amaral, de 34 anos, também optou pelo conforto do camarote de uma casa de shows, mas não dispensa a pista. “Eu fico caçando daqui de cima, se vejo uma mulher gata desço mesmo. Acho que o Carnaval fica democrático quando o trio vem sem cordas, nem todo mundo tem dinheiro para comprar um abadá, então por que não ter atrações que todos possam curtir juntos? Afinal, é Carnaval”.

João Sérgio de Oliveira trouxe a mulher e o filho pequeno para Salvador sem nenhum camarote ou abadá, mas mesmo assim a família toda curtiu o Carnaval. “Não conhecíamos muito, viemos mais para ir nas praias e ficamos sabendo desses trios que não precisavam pagar. Imaginava que não dava para ver muita coisa, que tinha que ter a camiseta como todo mundo, mas não, meu filho tem seis anos e ficou encantado vendo Ivete Sangalo”.

Wesley Costa/Fabio Moreno/Daniel Bryan/AgNews

Durval Lelys não aderiu ao trio sem cordas

Durval Lelys não saiu sem corda este ano, mas aprovou a mudança e vê até outras formas para levar os trios de bloco para fora de Salvador e voltar as raízes das pipocas – trios sem cordas e gratuitos.

“Uma coisa boa é que todos os artistas do Brasil vêm para a Bahia porque o palco aqui é muito oportuno, e muitos artistas daqui estão saindo da Bahia, talvez seja a oportunidade de fazer o bloco fora de Salvador e fazer aqui trios independentes. Posso ser independente aqui e fazer blocos fora”.

Bell Marques relembra que já deixava as cordas de lado para ficar mais perto do público e também aprova a iniciativa do governo. “Tenho 36 anos cantando e fazia isso desde o meu primeiro bloco, arriava as cordas e saia cantando sem dinheiro mesmo, mas depois o carnaval cresceu e teve que se organizar, mas essa preparação que o governo me colocou para fazer é uma coisa maravilhosa, está inserindo mais os trios e é muito bom”.

Isaac Edington, presidente da Saltur da Prefeitura de Salvador, vê a situação como extremamente positiva e pretende apostar mais ainda em trios sem cordas nos próximos anos.

“Temos os dois circuitos praticamente lotados o tempo todo, valorizamos muito as atrações sem corda, tivemos em apenas um dia aqui no centro histórico mais de setenta atrações, isso faz parte do fortalecimento do festa. Se a gente fortalece o Carnaval de rua, a gente fortalece os camarotes também, se não tivesse o Carnaval de rua não teriam os camarotes. Temos que ver o número de atrações no ano que vem para dizer se vai aumentar ou não, mas com certeza esse é um caminho sem volta para o Carnaval”.

Além de Ivete, Saulo, Carlinhos Brown, Daniela Mercury, A Vingadora e Bell Marques foram alguns dos artistas que também não usaram cordas. Para cobrir os custos de cachê e produção, a prefeitura recorreu a patrocínio de empresas privadas.

“A prefeitura investiu apenas quatro milhões de reais em 220 atrações para que elas pudessem se apresentar sem custo, mas não estamos gastando isso, arrecadamos 35 milhões de reais da iniciativa privada que banca tudo isso, mas o que acontece é que arrecadamos esse valor e não gastamos todo esse dinheiro que sobra para Salvador. A cidade criou esse modelo em prol do município, a gente preserva os cofres públicos e faz essa festa”.

Violência

Outra preocupação com o aumento dos trios sem corda era o número de casos de violência, mas Isaac garante que não existiu nenhum problema a mais no período.

“Quando aumenta o número de pessoas aumentam alguns casos de tombos, empurrões, mas os dados que temos não mostram o aumento da violência. Contraditoriamente, os índices de criminalidade são menores na cidade toda neste período. Pontos de revistas com detector de metais foram montados em todos os acessos aos circuitos em parceria com a Polícia Militar garantindo mais a segurança das pessoas”.

Mudanças Futuras

Além dos trios sem corda, novos espaços públicos com atrações foram criados para entreter os foliões como o “Beco das Cores”, uma rua da diversidade que toca música eletrônica. Todos os trios fazem uma parada estratégica no local e agita o público no espaço criado para o público LGBT. Isaac ainda quer mais mudanças no carnaval de Salvador para melhorar a mobilidade das pessoas como a diminuição do tamanho dos trios.

“Se eu tivesse que fazer algo para o futuro pessoalmente falando, eu apostaria na diminuição do tamanho dos trios, acho os equipamentos muito grandes e acho que temos tecnologia para isso. Temos exemplos como os mini trios, temos condições de incrementá-los, gostaria muito que se começasse esse movimento, vai sobrar mais espaço para as pessoas e não tem necessidade de ter tantas pessoas lá em cima, acho que as pessoas tem que ficar embaixo, nas ruas. Eu gostaria muito que os empresários do setor começassem a pensar em equipamentos menores e mais eficientes”.

Fonte: Bol.com.br

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