Seria um notebook? Escultura grega alimenta teorias sobre viagens no tempo

Observe atentamente a foto acima. A escultura de uma mulher grega com uma assistente viralizou e alimentou teorias da conspiração na última semana. O motivo está nas mãos da ajudante: para muitos, a figura segura um notebook. Mas os gregos teriam tecnologia para construírem o produto? Essa seria a prova cabal de que viagens no tempo ocorreram ou é só mais uma discussão de fanáticos?

Teses que circulam na internet dizem que o objeto, descrito pelo museu J. Paul Getty na Califórnia (Estados Unidos) como uma caixa de joias, seria muito largo e fino para ser uma tradicional caixa de joias. Pesa ainda a favor dessas teorias os dois furos nas laterais do produto – portas USB?

O usuário do YouTube StillSpeakingOut cita até o oráculo de Delfos para justificar sua teoria. Na mitologia grega, o oráculo supostamente ajudava sacerdotes a se conectar com deuses para conseguirem informações avançadas.

“Ridículo”

Pottery Fan/Wikimedia

E este grego, também estaria usando um notebook ou tablet? Não, é mais provável que seja uma caixa onde se guardavam documentos

Por outro lado, os argumentos contra a teoria do notebook são fortes. A escultura, que mede 94 cm de altura e 120 cm de comprimento, teria sido feita na ilha de Delos no século 100 a.C. e seria, segundo o museu onde está disponível para o público, uma tradicional escultura funerária da época. Não é argumento suficiente para você? Calma que tem mais.

Arqueólogos consideram “ridícula” a teoria. Em entrevista ao site Discovery News, a arqueóloga clássica Janet Burnett Grossman disse que o objeto é provavelmente uma caixa ou um espelho. Já a jornalista especializada Kristina Killgrove disse à Forbes que o objeto pode ser mesmo semelhante a notebooks, mas bem mais modesto: uma tabuleta de cera comum na época para guardar documentos – no inglês é utilizada a palavra “tablet”, mas não tem nada a ver com o sentido moderno do objeto.

Mas e as portas USB? A própria Killgrove afirma que buracos do tipo são comuns na escultura grega. Muitas esculturas eram adornadas com materiais perecíveis, como madeira, para adicionar elementos realistas. A ausência de alguns elementos da obra também indicaria que os furos contavam com peças que não foram preservadas até os dias atuais.

Toda a polêmica ainda rendeu frases interessantes de arqueólogos. “Qualquer viajante do tempo saberia que notebooks são carregados por eletricidade, enquanto os gregos sequer tinham tomadas”, afirmou Lobel King para a Discovery.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que um suposto viajante do tempo causa discussão. No YouTube, um filme de Charlie Chaplin com uma pessoa utilizando supostamente um celular já tem mais de 3 milhões de visualizações. Já no fim do último ano um suposto objeto de 800 anos achado na Áustria no formato de um celular com linguagem cuneiforme se tornou viral.

Está curioso para observar a obra? Caso um dia você visite a Califórnia, pode checar se toda a polêmica faz sentido ao dar um pulo no museu J. Paul Getty, em Malibu, local no qual a obra está em exposição. 

Fonte: Bol.com.br

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