Solange Couto abre o jogo sobre a Record: “Estava absurdamente infeliz”

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Solange Couto consegue arrancar uma gargalhada mesmo quando se lembra de fatos nem um pouco alegres, como o infarto que sofreu em meados de 2015. Ou ainda o período difícil pelo qual passou, quando vendia bobó de camarão e artesanato para fazer uma renda extra. Cheia de personalidade, a atriz já chegou a abrir mão de contrato longo na TV porque não era escalada para trabalhos. “Não adianta ter todas as contas em dia e estar absurdamente infeliz”, diz Solange, de 58 anos, durante entrevista à Revista “QUEM”.

No ar como a Vanda de Malhação, a protetora mãe de Uodson (Lucas Lucco), ela jura ser “tranquila” com os filhos, Márcio, de 41, Morena, de 24, e Benjamin, de 4. O caçula é fruto da união com o estudante de engenharia Jamerson Andrade, 30 anos mais novo. A diferença de idade não a incomoda. “Ele tem um espírito velho”, diz ela, em cartaz no Rio com o espetáculo Cinco Mulheres por um Fio e até hoje reconhecida por Dona Jura, da novela O Clone (2003). “Até em aldeia na Amazônia o cacique usou o bordão ‘Né brinquedo, não’!”.

Ao falar sobre sua passagem pela Rede Record de Televisão, Solange Couto foi categórica ao dizer que estava absurdamente infeliz na emissora do Bispo Edir Macedo. Leia na íntegra:

Em meados de 2014, você pediu demissão da Record, mesmo tendo um contrato até 2017. É preciso coragem para trocar o certo pelo duvidoso?

Não é coragem, é insatisfação. Não queria ficar em casa recebendo dinheiro sem fazer nada. Sou uma artista de essência, com 35 anos de carreira, daquela que fica no vermelho, mas em um trabalho feliz. Não adianta ter todas as contas em dia, contar até com uma reserva, e estar absurdamente infeliz.

Já viveu o oposto, estar absurdamente feliz e não ter emprego?

Ah, sim. Cheguei a ter contrato mais longo na TV Globo, depois passou a ser por obra. Ficava desempregada dois, três meses, no máximo, e era chamada para algo. Mas, entre a minissérie Chiquinha Gonzaga (1999) e O Clone, teve um intervalo de dois anos. Aí, dei aulas de artes cênicas no colégio da minha filha em troca da bolsa escolar, montei uma barraca em feira de alimentação vendendo bobó de camarão e vendi artesanato.

Você era reconhecida?

Sim. Não tinha vergonha, nunca tive problema com isso. Quando infartei, em junho passado, as pessoas diziam que tinham orado por mim.

Como infartou?

Uma noite, não me senti bem, e de madrugada tive uma dor forte no peito. De manhã fui piorando: mais dor, náuseas, suor gelado. Já tinha tido isquemia e conhecia aquelas reações. Liguei para meu médico, que me falou para correr para o hospital porque eu estava infartando.

Pensou que morreria?

Sim. O médico foi me medicando, mas a dor era cada vez mais forte. Teve um momento em que falei para Jamerson: “Eu vou embora, cuida do Benjamin, e, se casar de novo, entregue-o para sua mãe (risos)”. Fui para a cirurgia e, quando acordei, achei que tinha ido embora. Coloquei seis stents (prótese em formato de tubo instalada em artérias para evitar obstrução).

E a recuperação?

Tive vários momentos de choro, de conversar com Deus, de pensar: “Obrigada por poder criar meu filho mais um bocadinho”. Chorei um dia, chorei outro e me convenci ainda mais de que tenho de ser feliz. Isso aqui não é só curto: é imediato, é mais ligeiro do que a gente pensa.

Você é religiosa?

Gosto de abraçar árvores, de deitar em pedras, de ir para cachoeira e dar mergulho. Sabe quando você vê aquela luz passando pelas nuvens? Para mim é a imagem de Deus. Ele está ali.

Como é sua vida hoje?

Preciso tomar remédio pelo resto da vida. E odeio remédio! Já marquei de fazer crossfit com o Lucas Lucco. E quem diz que eu vou?

Que tipo de mãe você é?

Sou mãe de panos quentes, mimo meus filhos. Tinha 17 anos quando engravidei numa ficada. Imagina a situação: há 41 anos, mãe solteira, o bairro falando…

Por que decidiu ter outro filho aos 54 anos?

Aconteceu. Fui ao meu ginecologista para ver meus hormônios. Ele me disse para tomar cuidado porque estava na curva da menopausa, hora crítica para engravidar.


Fonte: Bastidores da TV

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