Vamireh Chacon: Outras globalizações

O Brasil já nasceu globalizado. A expedição marítima chefiada por Pedro Álvares Cabral foi um elo numa série de navegações anteriores e posteriores no anterior século quinze e no dezesseis de Cabral. Nesses tempos eram os portugueses e ingleses dividindo o mundo, depois os ingleses e holandeses. Os franceses não conseguindo competir com eles em escala global, preferiram concentrar-se na África. A hegemonia dos Estados Unidos sucede a inglesa do século vinte ao atual.
A globalização sempre é de tudo de bom e de mal: competição de produtos industriais e de serviços, também dos costumes e opiniões e até mesmo das enfermidades.
O primeiro caso espetacular foi a chamada gripe espanhola logo após a primeira guerra mundial na década de 1920, espalhando-se da Europa ao mundo por conta da inevitável falta de higiene em massa durante aquele conflito na Europa. De lá vindo também ao Brasil, atacando milhões de pessoas e vitimando milhares.
Daí em diante as gripes passaram a vir do Oriente, sua primeira grande onda a chamada gripe coreana na década de 1950. Em seguida se alastrou a denominada gripe asiática se alastrando também pelo mundo.
Nos últimos tempos o comércio entre a África e a América do Sul passou a transmitir-nos o Aedes aegypti, o nome logo indica sua origem logo compartilhada pelos vizinhos terrestres e depois pelos vizinhos oceânicos latino-americanos. Daqui prosseguiu à América do Norte e já a Europa se prepara para recebê-la.
América do Norte também tem regiões quentes no Texas, vizinho do México, e a Europa outro às margens do Mediterrâneo e nas suas proximidades. Os habituais cuidados norte-americanos e europeus de higienização estão sendo muito ampliados. Os laboratórios europeus e norte-americanos passaram a investir ainda mais nas pesquisas para descoberta e distribuição da vacina.
A situação do Brasil apresenta-se muito delicada: o Brasil foi e prossegue o principal vetor de transmissão da dengue, zika e chikungunya entre a África e da América Latina ao mundo. São evidentemente muito negativas as repercussões contra o Brasil. Mais que qualquer país do mundo, pelo tamanho da população e território atingidos e propagadores da enfermidade, ele está sendo visado e convocado a tomar medidas cada vez mais urgentes.
Só podem ser muito negativas as consequências.
Argumenta-se que os Jogos Olímpicos acontecerão principalmente no Rio de Janeiro e alguns em outras cidades brasileiras no nosso inverno, quando se espera haver menor propagação do mosquito. O que não significa sua ausência e sim em menor incidência. O que ameniza, porém não resolve a questão.
O Brasil será cada vez mais desafiado em escala global, ao lado de todos os outros países.
Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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