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Agricultora que morreu vítima de bala perdida em Alagoas tentou salvar filha

Estado registrou apenas dois casos de vítimas de bala perdida em 2015. No outro caso, criança foi atingida quando brincava na rua, mas sobreviveu

 

A agricultora Laercia Maria dos Santos, de 59 anos, tinha uma vida simples no bairro Camoxinga, em Santana do Ipanema, município do Sertão alagoano, e era considerada uma pessoa tranquila por amigos e vizinhos. No dia 29 de novembro de 2015, ela estava na frente de casa quando ouviu barulho de tiros. A mulher conseguiu empurrar a filha para dentro da residência e impedir que a jovem fosse atingida, mas morreu baleada.

Laercia foi atingida por um tiro e ainda chegou a ser socorrida para o hospital do município, mas não resistiu. “Já chegaram atirando. Ela salvou a vida da filha, mas não conseguiu se livrar dos tiros de espingarda. Achávamos que não era grave e que ela iria sair dessa”, contou um homem que era vizinho dela à época. Ele pediu para não ser identificado.

O vizinho e amigo da família contou que a agricultora mantinha uma vida simples e cuidava de dois dos três filhos, um homem e uma mulher, ambos jovens de 20 e 25 anos. Outro filho dela mora em São Paulo. “Ela era uma pessoa que não fazia mal para ninguém. Vivia tranquila para cuidar dos filhos e de um neto pequeno”, disse o vizinho, que mudou do bairro após o crime.

O delegado Fábio Costa, responsável pelo caso, explicou que o alvo dos disparos era um jovem que estava na residência da vítima. Jonathan Ramos Ferreira Brito, 18, conhecido como “Nêgo Drama”, era amigo do genro de Laercia. Ele também foi baleado no atentado, socorrido e levado para o hospital. “Ele ainda foi atingido de raspão, mas logo recebeu alta médica do hospital”.

As investigações da polícia apontaram que o crime foi cometido por três menores. A motivação seria uma disputa por tráfico de drogas.

“A investigação social foi concluída e os suspeitos estão foragidos. Quando eles forem localizados, serão apreendidos”, disse Costa.

O caso de Laercia foi um dos dois envolvendo vitimas de bala perdida registrados em Alagoasem 2015. No outro, a vítima não morreu, mas ficou com sequelas. Os números são do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (Neac), da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) do governo do estado.

Os dados sobre bala perdida são pequenos, se comparados à quantidade de homicídios no mesmo período no estado. Segundo a SSP, foram contabilizados 1.804 homicídios. Um levantamento do G1 feito em 2015 apontava que Alagoas ainda era o estado onde mais se mata no país.

A SSP diz que a maioria dos casos de homicídio e tentativa de homicídio registrados no estados é de brigas em confronto por envolvimento com o crime e que são poucos os casos onde há informações de que pessoas são atingidas por bala perdida, mesmo que não seja fatal.

O assessor de análise criminal da SSP, capitão Anderson Cabral, explicou que os casos de bala perdida são contabilizados junto do indicador que controla os Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI) que também incluem homicídios e tentativas de homicídios.

“Os casos dão entrada como homicídio e tentativa, à medida que as investigações vão evoluindo, eles podem ser alterados. Temos alguns que depois foram constatados se tratar de bala perdida e isso foi modificado. Mas há outros em que, inicialmente, acreditava-se que era de bala perdida, mas era de vítima cruzada, quando a pessoa estava no mesmo local do alvo”, informou o capitão.

Mãe diz que família ficu com medo após adolescente ser vítima de bala perdida (Foto: Carolina Sanches/G1)
Mãe diz que família ficu com medo após adolescente ser vítima de bala perdida (Foto: Carolina Sanches/G1)

Família traumatizada
O outro caso de vitima de bala perdida em 2015 foi no da 1ª de novembro e teve como vítima um adolescente de 13 anos. Na ocasião, dois homens que estavam dentro de um carro Gol foram baleados e morreram. Eles foram abordados por homens armados que efetuaram vários tiros e fugiram.

O menino brincava na frente de casa, no Conjunto Village Campestre, no bairro Cidade Universitária, em Maceió, e acabou atingido por um dos tiros. A mãe dele, que não quis ser identificada, disse que viveu momentos de medo e tensão quando viu seu filho baleado. Ele foi socorrido e levado para um hospital particular.

“Estava dentro de casa quando ouvi os tiros. Depois ouvi meu filho gritando e quando fui olhar, ele estava baleado”, contou a mãe.

A mulher disse que teve que ir à delegacia com o marido para prestar esclarecimentos. “Meu filho disse que não viu nada, mas ainda tivemos que prestar esclarecimentos. Foi uma noite de terror”, disse.

A mãe falou que o adolescente foi atingido no rim e teve o órgão retirado. Ele ficou um mês internado no hospital. “Meu filho passou por tratamento psicológico por causa do trauma que sofreu. Ele não entendia o que tinha acontecido. Foi um susto muito grande”.

Passados pouco mais de dois meses do caso, a mãe disse que a família ainda tenta voltar à rotina. “Ficamos com medo de sair de casa. Não deixo mais meu filho ficar brincando na rua e quando ele sai à noite, só descanso se estiver de volta. Acho que a família toda precisa de tratamento psicológico”, observou.

Sobre esse caso, a Polícia Civil informou que as investigações continuam, mas os responsáveis não foram localizados.

 

G1

 

 

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1 comentário

  1. Infelizmente mais uma situação triste para a família da menina Echiley Lopes que morreu aos 8 anos vítima fatal de bala perdida, se agravou tanto definitivamente e é como uma dor que não cura e uma ferida que não sara! O irmão dela que estava junto com a menina também foi vítima de bala perdida, mas sobreviveu e está em estado muito delicado e ainda preocupante! A família vive só de tristeza, angústia, dor e sofrimento, pois estão vivendo repentinamente com a morte trágica da Echiley, pois ela e o irmão foram vítimas de violências perigosas e covardes responsáveis por pessoas inescrupulosas que podem matar outras pessoas. Mas a fatalidade ainda não terminou para a família. O corpo da menina foi violado por dois rapazes e começou a tamanha brutalidade. Eles a estruparam, violentaram e ainda a espancam, depois é largado no meio da rua! Ainda mais pior, a criança teve a cabeça esmagada por uma roda de caminhão, depois foi atingida por um poste, ainda durante um temporal, um raio a atingiu e o corpo apresentou diversas queimaduras. Depois foi perfurado por lâminas que estavam jogadas na rua e ainda teve o corpo cortado pela metade e a cabeça arrancada por um trator. Uma fatalidade lamentável sem tamanho e uma cena muito triste e chocante! Todos ficaram e choque, inclusive a família. O menino que está paraplégico teve uma crise convulsiva ao ficar desesperado e teve que ser medicado. A vítima apresentou sérias lesões, fraturas múltiplas, pioras e complicações graves, sofreu ataques súbitos e fulminantes, teve hemorragias, traumatismo craniano grave, falência múltipla de órgãos, infecções e ainda pneumonia bacteriana! A mãe ficou super chocada e não acreditou a filha depois de morta pudesse sofrer algo mais fatal!

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