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Al-Qaeda ataca África Ocidental para resistir à França e ao EI

(Bloomberg) — Militantes ligados à Al-Qaeda estão ampliando os ataques por toda a África Ocidental a partir de sua base, do deserto para a costa. A meta deles é se apresentarem como líderes da resistência ao exército da França na região e evitar a expansão do Estado Islâmico.

Dois grupos — o Al-Qaeda no Magreb Islâmico e o Al- Mourabitoune — reivindicaram responsabilidade conjunta pelos ataques em Mali, em Burkina Faso e na Costa do Marfim que mataram mais de 65 pessoas, muitas delas estrangeiras, desde novembro. O ataque no fim de semana a uma cidade litorânea da Costa do Marfim foi o primeiro a centenas de quilômetros do Sahel, uma região árida ao sul do Saara onde soldados franceses combatem militantes desde 2013.

A presença francesa em antigas colônias como Mali, Níger e Costa do Marfim está sendo usada pela al-Qaeda como justificativa para seus ataques de alta visibilidade em cidades da África Ocidental. Recentemente, os dois grupos se uniram para competir com o Estado Islâmico, que tem bases no norte da Líbia e está tentando recrutar combatentes e se expandir no Sahel, segundo Mathieu Guidère, analista de grupos islâmicos da África Ocidental e do Norte da África na Universidade de Toulouse II.

“A Al-Qaeda mudou de estratégia e está competindo com o Estado Islâmico na região”, disse Guidère por telefone. “Eles estão apresentando suas ações como resistência ao novo movimento colonialista da França na África. Existe consistência em seus ataques e isso significa que seus combatentes já não querem ir embora para se juntarem ao EI na Líbia”.

A França enviou 3.000 soldados ao Sahel após a tomada do norte do Mali por rebeldes islâmicos em 2012. Mesmo depois que aviões de combate franceses forçaram um recuo, os militantes mantiveram bases perto de cidades desérticas como Kidal e realizam regularmente ataques seguidos de fuga contra forças de paz da Organização das Nações Unidas. A ONU informou que a missão no Mali sofreu o maior número de mortes entre todas as suas operações pelo mundo.

Kidal está a cerca de 2.200 quilômetros de Grand Bassam, local dos ataques do fim de semana. Esta é aproximadamente a distância de Paris a Kiev.

A Costa do Marfim, maior produtora de cacau do mundo, está em alerta máximo desde novembro, quando homens armados invadiram um hotel de luxo na capital do Mali, Bamako, e mataram mais de 20 pessoas. As autoridades evitaram a concretização de vários planos de militantes antes do ataque de domingo, disse o ministro do Interior, Hamed Bakayoko, na segunda-feira. Um telefone celular encontrado no local deverá dar mais pistas sobre os autores, acrescentou.

Mesmo com a segurança reforçada será extremamente difícil evitar futuros ataques, disse Bjorn Dahlin van Wees, analista para a África da Economist Intelligence.

Principais áreas

“O ataque à Costa do Marfim é novo no sentido de que foi muito distante das principais áreas desses grupos”, disse ele. “Certamente existe risco de mais ataques: eles usam armamento simples, as fronteiras são porosas. As cidades com grande presença ocidental ou francesa são os principais alvos”.

Os analistas concordam que o Senegal provavelmente será o próximo alvo. O Senegal, que antigamente era a sede da administração colonial francesa na África, tem praias que atraem milhares de turistas europeus, assim como a maior população de cidadãos franceses na África Ocidental, com 20.000 residentes. O país predominantemente muçulmano até agora foi poupado da violência dos militantes.

O grupo Al-Qaeda no Magreb Islâmico surgiu no início da década de 2000 como uma ramificação de uma facção de militantes argelinos e ganhou notoriedade por meio de sequestros de turistas na África Ocidental. O grupo teve sua base em áreas desertas durante anos e parecia interessado principalmente em dinheiro de resgates e contrabando na região do Sahel, segundo o International Crisis Group, de Bruxelas.

Expansão ideológica

A retórica antiocidental dos simpatizantes da Al-Qaeda se espalha facilmente por meio das redes sociais e o envio de mais soldados para patrulhar a região não surtirá efeito, disse Guidère.

“A combinação de expansão ideológica e tendência anticolonialista na população faz com que seja muito difícil impedir os militantes de realizarem esses tipos de ataque”, disse ele. “É preciso que haja uma estratégia para conter a radicalização, uma campanha de sensibilização para explicar às pessoas porque os franceses estão lá”.

Título em inglês: Al-Qaeda Strikes West Africa to Resist France, Islamic State

Para entrar em contato com o repórter: Pauline Bax em Johanesburgo, pbax@bloomberg.net Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto, tmarotto1@bloomberg.net; Karl Maier, kmaier2@bloomberg.net

Fonte: Bol.com.br

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