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As paixões além do grande espetáculo

Foto: Bernard Matussiere/Divulgacao
Foto: Bernard Matussiere/Divulgacao

A Paixão de Cristo é com certeza o espetáculo mais assistido durante o período da Páscoa. Em meio a tantas apresentações grandiosas, como a do Brejo da Madre de Deus, os espetáculos apresentados nos bairros também tentam se destacar. Entre elas estão a tradicional Paixão de Cristo de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, que acontece há 14 anos, e a de Jardim Paulista, no município de Paulista, que completa 29 anos de encenação. Nas duas performances, os atores se vestem a caráter e o cenário ganha iluminação, emocionando o público. Em Casa Amarela, a peça foi encenada na quinta e terá uma nova exibição nesta sexta, a partir das 20h. Já em Paulista, além de quinta e sexta, a peça será encenada ainda no Sábado de Aleluia, também às 20h. Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, também terá sua Paixão. Lá, a morte de Cristo é contada em 11 cenas, realizadas em quatro takes, utilizando as ruas, praças e cenários naturais da praia.

Os espetáculos têm duração de duas horas e apresentam desde os últimos momentos da vida de Jesus, antes da crucificação, até os primeiros momentos após a sua ressureição. Cenas como a Santa Ceia, o bacanal de Herodes e o Getsêmani são representadas ao longo do espetáculo. Em Casa Amarela, a novidade este ano é que o espetáculo será conduzido pelo diretor Carlos Carvalho, que comemora 50 anos de carreira no teatro pernambucano. Segundo os organizadores, em 2015, cerca de 30 mil pessoas compareceram para prestigiar o espetáculo. Sob os cuidados de Carlos, a peça ganha um ritmo mais dramatúrgico. Os ensaios duraram dois meses e as gravações foram realizadas no estúdio do Sesc de Casa Amarela.

O bairro tem uma expressão artística e religiosa muito presente e a iniciativa do espetáculo surgiu da própria comunidade. A primeira apresentação foi montada em apenas 20 dias por um grupo de amigos, com roupas e adereços emprestados da igreja, de amigos e improvisados de TNT, jornal e papelão. José Martins Moura é o idealizador e intérprete de Judas, o discípulo que traiu Jesus. “Muita gente não acreditou no que iríamos realizar. Mas a vontade de mostrar a vida de Jesus Cristo fez com que conseguíssemos. É uma honra e um prazer contar essa história”, pontuou o produtor cultural.

Hoje, o elenco conta com 40 atores, 60 figurantes e cerca de 25 pessoas trabalhando na produção dos 12 cenários em que transformam o palco. “Os atores não são profissionais. São donas de casa, ambulantes, moradores da comunidade. É bem interessante, a comunidade é muito envolvida. O resultado é belíssimo”, relata Carlos Carvalho, diretor artístico do grupo.

Foto: Roberto Ramos/DP
Foto: Roberto Ramos/DP

George Acioli, 34 anos, participa da Paixão de Casa Amarela há 12 anos, e há seis anos interpreta o personagem de Jesus. Assim como o resto do elenco, George não é ator profissional, trabalha como operador de tratamento de esgoto, mas desde criança participa de grupos de dança e teatro na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no morro. “É uma responsabilidade muito grande. O peso do personagem reflete em mim. Na comunidade eu deixo de ser George e as pessoas me conhecem como Jesus. Eles veem em mim o espelho da Bíblia e de quem foi Jesus. É muito emocionante”, conta. Curiosamente, a mãe biológica de George também interpreta a mãe de Jesus no espetáculo, tornando as cenas de interação entre Jesus e Maria ainda mais emocionantes.

Paulista
A apresentação iniciará com uma coreografia de dança contemporânea que faz menção à gênesis da criação do mundo, através de Adão e Eva e o momento em que a mulher come o fruto proibido. Em seguida, o enredo discorre sobre a história dos últimos dias de Jesus. O evento, que faz parte do calendário oficial de eventos da cidade desde 1987, acontece na Avenida C, s/n, na Praça da Encenação de Jardim Paulista Baixo. No local, será montado um ponto de arrecadação de alimentos não perecíveis, que serão destinados a entidades que prestam assistência social no município.O espetáculo conta com três palcos fixos, cenários montados, figurinos, maquiagens, adereços e efeitos especiais. Cerca de 70 integrantes, entre atores, técnicos, figurantes e colaboradores participam da encenação,  que também será marcada por shows musicais.

Cabo
Em Gaibu, o elenco envolve cerca de 80 pessoas, entre atores, bailarinos, coreógrafos e religiosos do coral. A expectativa é que um público de 15 mil pessoas assista à apresentação única. O evento ainda contará com feira de artesanato e de artigos religiosos, e comidas típicas, com o intuito de incrementar a renda dos comerciantes, artesãos locais e apoiar as igrejas de Gaibu.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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