Ato pela democracia reúne artistas e movimentos sociais em Manaus

Com música, poesia, teatro e capoeira, movimentos sociais e artistas de Manaus fizeram nesta quinta-feira um ato cultural pela democracia no Largo São Sebastião. Um palco foi montado ao lado do Teatro Amazonas e faixas contra o impeachment, bandeiras do PT e do Brasil foram espalhados pelo local.

A todo momento, os participantes, a maioria vestida de vermelho, gritavam “não vai ter golpe”. Chamado de Banzeiro Cultural pela Democracia, o evento foi organizado pela Frente Brasil Popular.

O ato começou por volta das 16h (17h no horário de Brasília), com a declamação de poesias do poeta Dori Carvalho. Ele apoia o governo da presidenta e critica a atuação do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato. “Eu penso que hoje nós estamos vivendo uma distorção da justiça. Estamos vivendo um golpe, senão das armas, mas um golpe da caneta. Um golpe do falso Judiciário, em que um homem decide o que o povo deve saber e o que não deve saber, em que as forças mais conservadoras, mais retrógradas, mais obscurantistas se unem para derrubar um governo legitimamente eleito pelo povo”, disse o poeta.

Para o gestor ambiental Miguel Brant, Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade que a impeça de continuar no poder. “Eu sou contra o impeachment. Ele está previsto na Constituição, mas tem que ser levado a efeito quando há crime de responsabilidade, mas não é o que temos. Existe uma grande arquitetura, só não vê quem é muito inocente. Outras pessoas que toleram e que reproduzem essa proposta [de impeachment] são obviamente mal-intencionadas”, disse Brant.

Nonata Correa, que é ligada ao Movimento de Mulheres Negras e de Yalorixás do Amazonas, defende que o governo atual deu mais atenção à população negra. “Foi o único que deu. Em 500 anos nenhum governo deu apoio nem ao povo negro e pobre. Para mim isso [o impeachment] é golpe. Eu sou contra o golpe e defendo a democracia”, disse a ativista.

Um grupo de capoeiristas levou cartazes com a mensagem “golpe só de capoeira”. “A gente vem tentar manifestar contra o golpe trazendo esses cartazes porque quem deu mais visibilidade não só para a capoeira, mas para a cultura afrobrasileira foi o governo do PT. A gente é muito grato. Hoje a gente tem mais oportunidade, editais. Tem possibilidade da gente aparecer, porque antes era uma cultura escondida”, disse o professor de capoeira Nei Valente.

Por volta das 18h, os participantes do Banzeiro Cultural iniciaram uma vigília pela democracia com o Hino Nacional cantado na língua tikuna pela indígena da região do Alto Solimões, Djuena. Para ela, a presidenta Dilma está sendo injustiçada. “Eu acho que ela não é isso que estão dizendo, muito pelo contrário. Ela ajudou muito as pessoas humildes. O povo está sendo injusto com a presidenta Dilma”, defendeu a cantora.

Segundo a Polícia Militar, cerca de 500 pessoas participaram do Banzeiro Cultural pela Democracia na capital amazonense.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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