"Batman vs Superman", a obscura e difusa fronteira entre o bem e o mal

David Villafranca.

Los Angeles (EUA.), 22 mar (EFE).- Anunciado com estardalhaço como um dos filmes do ano, chega nesta semana aos cinemas “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”, um obscuro relato sobre o difuso limite entre o bem e o mal, com uma premissa mais do que sugestiva: o duelo entre dois dos super-heróis mais queridos pelos fãs.

Sob o comando do diretor Zack Snyder, o filme coloca de um lado do ringue Henry Cavill como Superman, papel que já interpretou em “O Homem de Aço” (2013). Do outro, está Ben Affleck em sua esperada – ou muito criticada por alguns – estreia como Batman.

“Assim é a vida, não? É fácil nos filmes e na fantasia definir linhas sólidas entre o bem e o mau. Na vida real é muito mais difícil identificar de maneira simples alguém desse jeito”, disse Affleck em entrevista à Agência Efe.

Com todos os luxos de uma superprodução, que, além disso, deve servir para determinar o futuro dos filmes da DC Comics, o filme começa com a luta final de “Homem de Aço”, quando o Superman salva a humanidade, mas com um enorme custo de danos e vidas humanas.

No meio dessa batalha, Bruce Wayne (Batman) observa as ações do Superman e começa ter medo quanto à presença de um extraterrestre onipotente que poderia destruir o planeta se assim desejasse.

“Assim que você coloca o Batman, o conflito é fácil. De um lado você tem esse menino do Kansas (Superman), que acredita em fazer o correto, o bem e tentar salvar o mundo. Mas, do ponto de vista de Batman, é como: ‘Se ele se voltar contra nós, se algo ocorrer, ele já destruiu a cidade tentando nos ajudar”, explicou Snyder.

Se o bem e o mal não estão definidos, se não há heróis ou vilões específicos, se a moral caminha sobre a corda bamba, de que lado o público tem que ficar: Batman ou Superman?

“O Superman não quer necessariamente destruir o Batman. Vê ele como alguém que aborda a justiça de modo errado e quer deter seu comportamento agressivo de justiceiro”, defendeu Cavill em entrevista à Efe.

O ator, que neste filme retrata a face mais humana do Superman, disse que a “maior fraqueza” do super-herói é “não querer ferir os humanos”. No entanto, afirmou que nem sempre consegue cumprir com essa missão e, por isso, tem problemas para se encaixar no mundo.

“É triste, mas provavelmente seria a realidade. Se descobríssemos um super-herói, especialmente um extraterrestre, alguns de nós gostaria dele, por salvar o problema. Outros seriam grandes fãs. Mas haveria aqueles o odiariam”, disse Cavill.

Já atriz Amy Adams, que retorna ao papel de Lois Lane, disse que há quem “lance suspeitas sobre as pessoas que tentam fazer o correto” e que “sempre há consequências por nossas ações, inclusive se elas são motivadas por intenções puras”.

Superman encara um Batman envelhecido, solitário, afetado pelas dúvidas e pelos desejos de vingança em um mundo que está encolhendo, indicou o diretor do filme. “Em sua mente, ele vive como em uma casa de vidro. Não há nenhum lugar onde quer ir, exceto à caverna”, acrescentou Snyder, enquanto Affleck afirma que seu personagem se sente “ameaçado” em um universo no qual ele não é o único herói.

Além dos atrativos já citados, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” ainda inclui dois ingredientes muito interessantes: a primeira e impactante aparição da nova Mulher Maravilha (Gal Gadot), em um dos melhores momentos do filme, e a cômica e perversa interpretação de Lex Luthor (Jesse Eisenberg).

Sempre manipulando os destinos de Batman e do Superman, Luthor é, segundo uma comparação de Eisenberg, o tipo de pessoa que você só pode lidar se rebaixando ao nível dela. “Neste filme eu sou o louco e eles têm uma discussão comigo, mas eles só podem perder nessa discussão”, afirmou o ator.

Fonte: Bol.com.br

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