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Biografia vencedora do Pulitzer reconstitui a trajetória de Alexandre Dumas

Alexandre Dumas pai: filho de aristocrata e mãe escrava, ele se distinguiu na França revolucionária. Foto: Divulgação
Alexandre Dumas pai: filho de aristocrata e mãe escrava, ele se distinguiu na França revolucionária. Foto: Divulgação

“No segundo andar, encontrei minha mãe no patamar. Ela acabara de deixar o quarto do defunto. Seu rosto estava banhado em lágrimas. ‘Onde vais?’, ela me perguntou, surpresa em me ver ali, quando pensava que eu estava na casa de meu tio. ‘Vou para o céu!’, respondi. ‘Como assim, vais para o céu?’ ‘Deixa-me passar’. ‘E o que vais fazer no céu, minha pobre criança?’ ‘Vou lá pra matar Deus, que matou papai’. Minha mãe me tomou em seus braços, apertando-me com tanta força que quase sufoquei”.

O jornalista Tom Reiss era uma criança quando leu esse relato escrito por Alexandre Dumas Filho sobre o dia da morte do pai. Nunca mais esqueceu; e a leitura funcionou como ponto de partida para o projeto da biografia O conde negro (Ed. Record), ganhadora do Prêmio Pulitzer em 2013. Ele teve acesso a documentos inéditos que reconstituem a trajetória acidentada do general negro que conseguiu a façanha de ocupar o topo do mundo dos brancos em pleno século 18. É uma história fantástica que parece extraída diretamente das sagas de cavalaria e não da realidade. O pai de Dumas é uma figura que inspirou diretamente a criação de duas obras-primas da literatura francesa e mundial: Os três mosqueteiros e, principalmente, O Conde Montecristo.

Thomas-Alexandre Davu de La Pailleterie nasceu em 1972, em Saint-Domingue (futuro Haiti), filho de um aristocrata francês, Antoine Alexandre de L’Isle, e de uma escrava africana, Maria Cessette Dumas. Antoine era um nobre trambiqueiro e chegou a vender o filho, por algum tempo, para levantar dinheiro e comprar a passagem de navio que o traria de volta à França. Logo em seguida, ele resgatou o filho preferido. Em Paris, o garoto teve a oportunidade de empreender, nas melhores escolas da época, estudos esmerados de cultura clássica, filosofia, boas maneiras, equitação, dança e duelo.

Como era possível a um rapaz negro ter acesso às melhores escolas em plena era pré-Revolução Francesa? Ocorre que, antes mesmo de eclodir o movimento, sob inspiração dos filósofos iluministas, na década de 1750, durante o reinado de Luís XV, um grupo de advogados militantes conseguiu travar uma guerra nos tribunais e conquistar importantes direitos para os cidadãos de cor. Com 1,87m de altura, força extraordinária e destreza excepcional no manejo das armas, Dumas (pai) se destacou e se tornou uma figura admirada pela sociedade parisiense.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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