Últimas

Com a língua ferina e polêmica, Eminem faz grande volta no Lollapalooza

Para quem achou que Eminem estava na pior, teve que engolir a seco. Após quase dois anos longe dos palcos, o controverso rapper americano fez sua grande volta neste sábado (12) encerrando o primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2016, em São Paulo, para um público de 85 mil pessoas.

Com uma grande produção, Eminem fez um dos shows mais enérgicos do festival, recheado com os hits que emplacou quando, entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, foi apontado como um dos maiores do gênero.

Pontualmente às 21h30, a imagem de um beatbox gigante com cassete invadiu o telão, anunciando a entrada do rapper. “Seis anos sem vir aqui. É tempo pra cacete. Sentimos falta de vocês”, disse.

Logo de cara, mostrou que o período longe dos holofotes não o amansou. A energia no palco ainda é do tempo áureo e a plateia reencontrava um antigo ídolo, gritando e cantando as músicas de ponta a ponta, como em “Just Don’t Give a Fuck” e “Business“.

A banda do rapper segurou o groove com competência e acompanhou o clima de mixtape, que costurou hits dos oito álbuns, com solo de guitarra e backing vocal –com destaque em “Stan“. Hit dos tempos da MTV, a música narra uma carta cheia de ressentimentos e raiva de um fã. O refrão cantada pela cantora Dido na gravação original foi acompanhada em coro e mãos para cima.

Assim como a boa forma, ele também mostrou que ainda continua não dando a mínima para a polêmica. Após mandar um trecho de “Kill You“, acusada de incitar a violência à mulher, mandou “Rap God“, em que faz a famosa rima em velocidade máxima.

As mulheres, no entanto, gritavam quando ele cantou “Love the Way You Lie“, uma parceria dele com Rihanna. “Mulheres, posso dedicar uma canção para vocês? Quantas de vocês já tiveram um relacionamento assim?”, disse, antes de cantar sobre os dramas de um casal destrutivo.

A língua é tão rápida quanto ferina. Neste momento, ele canta que quer quebrar uma mesa nas costas de um “casal de bichas”, o que fez reacender as acusações de homofobia quando a lançou o último disco, “The Marshall Mathers LP 2“, em 2013.

Também vieram grandes músicas de uma época em que a infância difícil e pobre em Detroit servia de inspiração, ou quando a fama servia para rimas irônicas, como em “The Way I Am” e a política “White America“. Já na parte final do show, Eminem fez uma apoteótica tríade clássica de sua carreira com: “My Name Is“, “The Real Slim Shady” e “Without Me“.

Primeiro dia de Lollapalooza Brasil 2016

Depois de cancelar sua participação no festival em 2015, a cantora Marina and The Diamonds pôde enfim estrear no Lollapalooza Brasil, porém para uma plateia esvaziada pelo show simultâneo de Eminem. Subindo ao palco com um visual rosado e cintilante, deixando à mostra sua barriga malhada, a musa galesa exalou sensualidade, falsetes e um eletropop bastante radiofônico, que fez sua fama principalmente entre jovens e adolescentes. Mas seriam muitos os figurinos da noite. “Finalmente estou aqui. Obrigado pela recepção maravilhosa”, disse Marina, com sorriso largo, antes de anunciar o que viria pela frente: um mix de músicas de seus três trabalhos de estúdio, divididos em três atos.

  • 49233
  • true
  • http://musica.uol.com.br/enquetes/2016/03/12/qual-foi-o-melhor-show-do-primeiro-dia-de-lollapalooza-brasil-2016.js

Já a faixa do penúltimo horário foi dividida entre os britânicos do Mumford and Sons e os sul-aficanos do Die Antwoord. O Mumford surpreendeu com um show enérgico que levou uma multidão no palco Onix. Na primeira vez no Brasil, a banda privilegiou a sonoridade que o fizeram famosos, um folk com inspiração na música irlandesa, com bumbo substituindo a bateria em alguma músicas e banjo. A plateia encheu o palco como se a banda fosse o grande headliner do primeiro dia do Lollapalooza e demonstrou pura adoração.

Já os Die Antwoord, desconhecido de boa parte do público, fez uma das apresentações mais estranhas e intensas de todo o festival. Todos os membros da banda tiveram sua sessão particular de striptease, com um pancadão eletrônico de fundo que conseguiu ir de Diplo a Prodigy e Marilyn Manson –com todos os palavrões que eles não tiveram coragem de colocar em suas músicas.

No palco eletrônico, o sol já havia ido embora, mas nem a noite impediu o público do DJ Alok de colocar óculos escuros para curtir a apresentação do brasileiro. No meio do seu set, Alok fez uma homenagem ao Snoop Dog. “Não é porque o Snoop não veio que não vai ter a música do cara”, disse antes de tocar ” The Next Episode”, um dos hits do rapper, muito comemorado pelo público.

Pela quarta vez no país, o Tame Impala colocou à prova sua popularidade, no início da noite, no palco principal. Nunca o grupo havia tocado para um público tão grande e diverso por aqui. E nunca foi tão aplaudida. Praticamente todas as músicas, com suas longas jams intrumentais e vocais alterados com filtros, foram recebidas com entusiasmo pela plateia. “Nem acredito nisso”, disse o vocalista Kevin Parker logo no início do show, demonstrando surpresa com o tamanha do público, muitos já à espera do rapper Eminem.

Enquanto o telão exibia ininterruptamente sinais e imagens hiptnóticas, o show foi uma demonstração de climas, melodias simples e camadas e camadas de guitarra e sintentizador. Como se o Pink Floyd de Syd Barrett descobrisse o lado mais good vibe do Arcade Fire.

Mais cedo, a banda islandesa Of Monsters and Men encontrou na sua plateia muita gente à espera do Mumford and Sons, mas não se intimidou por isso e, melhor, não decepcionou quem estava ali. Ao cantor o maior hit da banda, “Little Talks”, ela desceu do palco, correu até o público e voltou enrolada em uma bandeira do Brasil. “Vocês estão felizes? Porque eu estou muito”, disse Nanna, relembrando a primeira vez que esteve no Lollapalooza Brasil, em 2013. “É bom estar de volta”.

A banda mais antiga a se apresentar neste Lollapalooza Brasil 2016 foi o Bad Religion, formada há mais de 35 anos. Embora já tenha feito shows no país diversas vezes, o vocalista Greg Graffin soube lidar com os muitos fãs de Eminem, um exército de pessoas vestidas com camisas brancas com o rosto do rapper e cabelos descoloridos, que ocupavam as primeiras filas. Sua estratégia foi o bom e velho punk rock. Graffin falou pouco e tocou muito. Em 1h de apresentação, o grupo entregou 23 faixas de diversas fases da carreira.

No início da tarde, o Eagles of Death Metal subiu ao palco ao som da disco music. Sem espaço para lamentações e lembranças ao ataque terrorista sofrido pela banda em Paris, em novembro passado, o grupo fez uma apresentação emocionante e calorosa, com dança do vocalista Jesse Hughes e a característica porrada no ouvido da plateia com “I Only Want You”. Uma camiseta homenageando Paris, pendurada no amplificador, foi a única menção ao ocorrido durante a apresentação.

Entre as atrações nacionais, o destaque foi para a banda carioca Matanza, que não economizou nas frases de efeito. O grupo transformou o palco Skol, o principal do evento, em uma mesa de bar com direito a mais profunda filosofia de boteco. O líder do grupo Jimmy London, com sua voz cavernosa afinada com uísque barato, conversou bastante com o público e apresentou os clássicos da banda, fundada em 1997. No repertório de 1h de duração estavam faixas como “O Chamado do Bar“, ” Meio Psicopata“, “Clube dos Canalhas“, ” Mulher Diabo” e “Ela Roubou Meu Caminhão“.

Colaborou Felipe Branco Cruz, Leonardo Rodrigues e Mariane Zendron

Fonte: Bol.com.br

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *