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Com destaque em filmes e TV, mulheres ainda são vistas como "peito e bunda"

Tema frequente das novelas brasileiras, as mulheres já foram retratadas como escravas, divinas e maravilhosas, apaixonadas, locomotivas, perigosas peruas, rainhas, lobas, engraçadinhas, doces de mãe, senhoras de seus destinos, furacões, indomadas e até amigas e rivais. Os títulos podem até dar conta da pluralidade feminina, mas na realidade, os brasileiros acreditam que as personagens da TV e do cinema ainda são exploradas de maneira muito sexual e até mesmo reduzidas a “peito e bunda”. 

Um estudo divulgado pelo Instituto Geena Davis, organização americana que luta pela diversidade de gênero nas telas e atrás das câmeras, esta semana, mostrou ainda que os consumidores de entretenimento no Brasil acreditam que as personagens são retratadas em papeis tradicionais: esposa, mãe e dona de casa.

No Brasil para mostrar os resultados da pesquisa, que ouviu 2.000 pessoas, para empresas como a TV Globo e o Google, a CEO  do Institulo, Madeline di Nonno, diz em entrevista ao UOL que os resultados brasileiros representam um grande contraste, já que o país está acima de outros mercados quando se fala em quantidade de mulheres na tela e atrás das câmeras.

“Você pode até ter mais personagens femininas e mais mulheres trabalhando em direção, roteiro e produção, mas o jeito como as mulheres são retratadas ainda é estereotipado”, afirma Madeline. Para ela, o dado relativo ao sexo merece atenção. Na opinião de 73% dos entrevistados da pesquisa, as personagens são reduzidas a “peito e bunda” e frequentemente retratadas como burras.

Também integrante do Instituto, a produtora brasileira Deborah Calla, que lidera o Comitê Feminino do Sindicato norte-americano de Produtores diz que a cultura brasileira já prevê a “objetificação da mulher”, mas que é preciso lutar contra essa tradição.

“No Brasil, nós somos tradicionalmente mais reveladores com nossos corpos. Isso é parte da nossa cultura, nós temos o Carnaval, e nós não vamos conseguir mudar isso. As mulheres na TV e no cinema podem ser sensuais até porque é um reflexo da nossa cultura, mas elas não precisam necessariamente ser burras, vazias e mulheres feitas para servirem o homem sexualmente”, afirma Deborah.

Reprodução/TV Globo

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“Mais personagens como Jessica Jones”

Um dos caminhos apontados por Madeline e Deborah é, sem dúvidas, ter mais mulheres na concepção de novelas, filmes e séries. “O que nós sabemos globalmente é que quando você tem uma mulher na direção ou no roteiro, a porcentagem de personagens representadas na tela cresce para até 70%”, afirma a CEO.

Deborah diz que o objetivo da instituição não é apontar o que as empresas brasileiras estão fazendo de errado, mas sim falar sobre exemplos inspiradores. Para isso, o Instituto convidou a roteirista Melissa Rosenberg, showrunner da série “Marvel’s Jessica Jones”, da Netflix, para palestrar nas empresas e mostrar como a adaptação da heroína dos quadrinhos para as telas inaugurou um novo conceito de personagem feminina.

“Nós temos que ter mais personagens como Jessica Jones. Ela é forte, frágil e sexual, não no sentindo ‘olha eu tenho peitos e bunda’, mas no sentido de gostar de sexo e estar ok com isso. Ela faz sexo e gosta de sexo. Ela é inteligente e ela é capaz. Ela é uma mulher complexa, o que não vimos com frequência na TV. Às vezes, ela faz o que é certo é às vezes não, como todo ser humano. As pessoas abraçam a série por isso”, diz.

Fonte: Bol.com.br

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