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Conheça a única mulher que trabalha na Motolância

Jussara diz que as pessoas ficam surpresas quando ela chega num acidente e tira o capacete. Foto: Paulo Paiva/DP
Jussara diz que as pessoas ficam surpresas quando ela chega num acidente e tira o capacete. Foto: Paulo Paiva/DP

A estudante de enfermagem Jussara de Souza Melo, 34 anos, tem uma rotina puxada. É mãe, trabalha como técnica de enfermagem e estuda à noite. Ela é a primeira e única mulher a trabalhar na equipe da motolância, modalidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), na qual os socorristas chegam ao local da ocorrência de moto, antes das ambulâncias. A modalidade foi lançada em novembro de 2009 na Região Metropolitana do Recife (RMR) e é uma exigência do Ministério da Saúde. Além dela, a equipe da motolância é composta por 14 homens. Os profissionais têm uma carga horária de 12 horas de trabalho por 60 de folga.

Jussara mora com os pais e com a filha de 14 anos. O dia dela começa às 5h40, quando acorda a filha, toma café da manhã e se arruma para ir trabalhar. Sai direto para a sede do Samu, no bairro da Boa Vista, onde inicia o serviço como socorrista. Por dia, a quantidade média de atendimentos realizados por ela varia de seis e oito ocorrências.
Segundo Jussara, a maioria desses casos são de acidentes entre motos e carros. “Também atendemos casos de quedas, tentativas de suicídio, paradas cardiorrespiratórias e partos”, contou a socorrista. Quando termina seu plantão no Samu, Jussara vai estudar. Atualmente, ela cursa o 9º período de enfermagem na Faculdade Integrada de Pernambuco (Facipe).

Na turma em que Jussara fez o curso para ser socorrista havia mais uma mulher, que não conseguiu ser aprovada. “Quando entramos no curso, o professor nos chamou e disse que não nos trataria como ‘mulherzinhas’, que ali receberíamos o mesmo tratamento dos homens. Mesmo assim, decidi ficar”, contou. Jussara relatou que, durante o treinamento, quando fazia um resgate utilizando uma escada, ela caiu.

Por conta do acidente, foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi informada pelo médico que a atendeu de que sentiria dores fortes nas costelas por pelo menos 15 dias, o que não foi impedimento para concluir seu treinamento. Jussara conta que logo após receber alta hospitalar voltou para concluir o dia de treino. Seus colegas ficaram surpresos com a sua determinação. “Muitos colegas homens me disseram que não aguentariam, que teriam desistido”, orgulhou-se Jussara.

Mesmo tendo se tornado a única mulher a trabalhar na modalidade em Pernambuco, Jussara disse que não passou por preconceito direto por parte de colegas, mas que a sua presença ainda causa estranhamento em alguns atendimentos. “Muitas vezes, quando tiro o capacete, as pessoas se assustam”, ressaltou.

Dos dois anos anos que trabalha como socorrista, Jussara conta que o caso que mais a emocionou foi de um idoso em São Lourenço da Mata. Ele teria sofrido um traumatismo craniano e toda uma comunidade havia se mobilizado para ajudar o idoso. Quando o socorro chegou, os moradores comemoraram e foi feito o atendimento. Assim que a ambulância chegou, o homem foi colocado na maca e encaminhado para o Hospital da Restauração, no Derby. Ela conta que se sente realizada como socorrista de motolância. “A motolância nem sempre foi um sonho, pois só conheci aqui, mas adoro o que faço. E só saio da motolância se me tirarem, porque eu não quero sair. Gosto muito do que eu faço”, declarou.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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