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Crise faz consumidor escolher peixes mais baratos no Recife

Cosme Ferreira acredita que vai faturar 20% a mais que em 2015, mesmo com movimento menor de consumidores. Foto: Augusto Freitas/DP
Cosme Ferreira acredita que vai faturar 20% a mais que em 2015, mesmo com movimento menor de consumidores. Foto: Augusto Freitas/DP

Na véspera da Sexta-feira, como já é costume do brasileiro, os consumidores deixaram para última hora escolher o peixe para a ceia sagrada. Este ano, com a crise econômica se agravando, a inflação batendo os dois dígitos e o orçamento das famílias espremido, a estratégia é pesquisar e escolher espécies mais baratas, mas não menos saborosas. Um dos termômetros para medir a procura pelo produto na capital pernambucana é o Mercado de São José.

Na manhã desta quinta-feira (24), o local estava movimentado, mas segundo os próprios vendedores de peixes e crustáceos, a demanda é menor em relação ao ano passado. Caminhando entre os boxes, é possível perceber que os consumidores pesquisam bastante e relatam a troca de peixes tradicionais, consumidos em outros anos, por outras espécies. Quem quiser comer o bacalhau, deve procurar outro local, uma vez que o Mercado de São José não comercializa o produto.

A professora Angélica Monteiro, de 28 anos, é uma das que recorreu à mudança do peixe. No ano passado, ela disse que levou para casa cioba, filé de tilápia e camarão. “Tem que pesquisar, os preços aumentaram bastante e esse ano resolvi comprar corvina, que também é um peixe gostoso. Está custando R$ 15 o quilo, ano passado custava R$ 13. Comprei três quilos e mais um pouco de camarão. Deu R$ 63 tudo”, contou.

E o bacalhau? “Eu comprava por conta da família, não gosto. Mas desta vez não vou levar, o preço está duas vezes maior em relação à Semana Santa de 2015 onde pesquisei. A corvina é gostosa e representa bem o espírito da Páscoa”, destacou. “Até o côco ralado está mais caro, R$ 4 a unidade. Tem muita gente preferindo o leite de côco, que está custando uma média de R$ 2,80 nos mercados”, disse.

Angélica tem razão. Uma pesquisa realizada dias atrás pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontou os impactos nos preços dos produtos mais consumidos durante a Páscoa. Os itens que apresentaram os menores percentuais de aumento foram os pescados frescos, caso do peixe, com 8,47% de acréscimo, atum (4,54%) e sardinha em conserva (4,44%). A elevação mais contundente foi no bacalhau, que está 30,73% mais caro.

Clênio Santos não trocou a espécie de peixe e, mesmo pagando R$ 5 a mais pelo quilo, levou para 4,5 quilos de arabaiana. Foto: Augusto Freitas/DP
Clênio Santos não trocou a espécie de peixe e, mesmo pagando R$ 5 a mais pelo quilo, levou para 4,5 quilos de arabaiana. Foto: Augusto Freitas/DP

Tradicionalmente, de acordo com comerciantes do Mercado de São José, as espécies de peixes com mais saída no local são cioba, corvina, albacora, dourado, cavala, arabaiana e pintado, entre outros. Há quem prefira manter o hábito de levar para casa a mesma espécie todos os anos.

O taxista Clênio Santos, 57, sempre compra o mesmo peixe, arabaiana. “Paguei R$ 112,50 por 4,5 quilos de arabaiana, apenas para amanhã. Saiu a R$ 25 o quilo. Ano passado custava R$ 20. Os preços aumentaram demais, mas a gente dá um jeito para garantir um bom peixe na Sexta-feira Santa”, relatou.

Ânimo
Mesmo com a economia no arrocho, há vendedores que estão animados, mesmo com a economia fraca. Cosme Ferreira, 20, cuja família foi uma das primeiras a comercializar peixes e frutos do mar no Mercado de São José, afirmou que este ano a procura está menor.

“Nas duas semanas que antecederam a Páscoa no ano passado havia muita gente, o movimento era grande todos os dias. Este ano diminuiu, mas como os preços aumentaram eu acho que vamos faturar uns 20% a mais que em 2015”, pontuou Cosme. Ferreira encomendou mil quilos de espécies distintas de peixe. Hoje, ele espera vender tudo. “Mesmo com o movimento mais fraco, eu acho que vamos vender tudo que encomendamos até o fim da tarde”, completou.

No Brasil, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, os consumidores ultrapassaram o consumo mínimo de pescado recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 12 quilos por habitante ao ano. Nos últimos dois anos, o consumidor elevou em 23,7%, o equivalente a 14,50 quilos por habitante/ano, em relação a peixes e frutos do mar.

Este percentual coloca o Brasil como um país que consome um pouco acima da média mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a OMS, o pescado é a proteína animal mais saudável e consumida no mundo.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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